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Atores portugueses que integram École des Maîtres destacam experiência com encenador iraniano

Quatro jovens atores portugueses foram selecionados para integrar a École das Maîtres, um projeto internacional que reúne intérpretes de diferentes países em torno da criação teatral. A notícia foi recebida com entusiasmo por parte dos participantes.

O Teatro Académico de Gil Vicente acolhe a 33.ª edição da École das Maîtres, o projeto de formação avançada é aberto a atores e atrizes com experiência profissional e com idades entre os 24 e os 35 anos. Oriundos de países como Itália, Bélgica, França e Portugal sobem a palco do TAGV, hoje, às 18h30, para apresentar “A Vida Quotidiana Como Performance: Criação de Narrativas a Partir de Experiências do Dia-a-Dia”.

Vasco Barroso, Nuna, Rafael Gomes e Roberto Terra foram escolhidos pela organização, em entrevista à RUC destacaram tanto a oportunidade de representar Portugal como a possibilidade de trabalhar com colegas de várias culturas e disciplinas artísticas.

“Foi uma grande alegria poder encontrar estes colegas e perceber as suas experiências”, afirmou Vasco Barroso, sublinhando o caráter colaborativo da iniciativa.

Nuna, que já havia trabalhado com alguns dos participantes, destacou a importância da dimensão internacional: “O que me fascina é esta mistura de culturas e visões, e a possibilidade de representar o meu país num projeto desta escala”.

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Também Rafael Gomes e Roberto Terra, que já ambicionavam integrar o projeto há vários anos, partilharam o entusiasmo. “Foi um momento de muita alegria”, referiu Rafael, recordando a ligação de longa data com alguns dos colegas.

Já Roberto sublinhou o reencontro com antigos companheiros de palco: “Estudámos juntos, trabalhámos juntos, e agora temos este reencontro num contexto internacional”.

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O desafio de trabalhar com Amir Reza Koohestani

A direção artística está a cargo do encenador iraniano Amir Reza Koohestani, figura de renome internacional, cuja abordagem foi descrita pelos atores como “orgânica”, “tranquila” e marcada pela escuta ativa.

Roberto realçou a naturalidade da comunicação: “Desde o início houve uma relação de igual para igual, muito relaxada”.

Rafael sublinhou que o maior desafio não se prende apenas com a diferença cultural, mas sobretudo com a gestão de um elenco de 20 atores vindos de vários países: “O extraordinário é como o Amir consegue organizar esse espaço comum”.

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Nuna acrescentou que a experiência vai além da barreira linguística: “Estamos constantemente a trabalhar em várias línguas, incluindo algumas que não falamos, e isso obriga-nos a aceitar o descontrolo e mergulhar no processo”.

A receção do público português

Após apresentações em Lisboa, os atores destacaram a diferença entre o público nacional e o estrangeiro. Vasco referiu que, enquanto na Bélgica a receção foi mais reservada, em Portugal “houve vontade de dialogar com o que estava a acontecer em cena, o que deu uma grande energia ao espetáculo”.

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Sonhos e desafios

Na reta final da conversa, os intérpretes partilharam os seus sonhos e preocupações para o futuro. Rafael destacou a necessidade de maior estabilidade profissional no setor teatral em Portugal.

Nuna reforçou a importância de uma verdadeira representatividade e combate ao racismo nas artes: “O meu sonho é ter a liberdade de ser por completo e não sofrer consequências laborais por expor estas questões”.

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Já Vasco expressou o desejo de criar uma estrutura que lhe permita “servir a comunidade através da arte” de forma honesta e duradoura.

Fotografia: TAGV

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