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Coração do jazz vai improvisar em Coimbra de 10 a 18 de outubro
Festival Jazz ao Centro regressa a Coimbra com uma programação que reforça parcerias, valoriza o jazz local e traz a Coimbra nomes nacionais e internacionais do jazz contemporâneo.
Na apresentação oficial, a organização destacou o espírito de colaboração entre festivais e instituições culturais, um dos pilares que sustenta o evento. Este ano, o festival une-se ao Seixal Jazz, ao Outono em Jazz (Casa da Música, Porto) e ao Teatro do Bairro Alto para trazer projetos à cidade.
Um exemplo é a estreia absoluta de um trabalho encomendado a Pedro Costa, programador e responsável pela editora portuguesa Clean Feed Records, uma das mais prestigiadas do mundo.
Outro fruto desta parceria é a apresentação do novo disco da JACC Records, que junta o trompetista português Luís Vicente a três músicos norte-americanos: John Edwards (contrabaixo), Hamid Drake (bateria) e John Dikeman (saxofone), revela José Miguel Pereira, director do Jazz ao Centro Clube (JACC).
A ligação à cidade de Coimbra continua a ser um eixo fundamental do festival. Destaque para a jovem compositora e maestrina Estela Alexandre, que com apenas 24 anos dirige a sua própria orquestra. Após o lançamento do álbum de estreia “Cantomilo” a orquestra sobe ao palco do Teatro Académico de Gil Vicente a 17 de outubro, num concerto que José Miguel Pereira considera ser um dos pontos altos da edição.
O guitarrista Marcelo dos Reis, figura central na dinamização do jazz em Coimbra, encerra o festival a 18 de outubro, com uma residência artística composto pelos músicos iranianos Roshanak Rafani (percussão), Ehsan Sadigh (guitarra) e Mazyar Younesi (piano) em parceria com o baterista Vasco Trilla.
A programação envolve também espaços emblemáticos da cidade. A antiga Estação Nova acolhe, a 11 de outubro, um espetáculo singular que cruza as paisagens sonoras recolhidas por Luís Antero com a improvisação do contrabaixista Miguel Calhaz, evocando a memória ferroviária do edifício.
O Salão Brasil, espaço central do Jazz ao Centro Clube (JACC), recebe a abertura oficial com o trio da saxofonista francesa Sakina Abdou (10 de outubro), acompanhada pela pianista polaca Marta Warelis e pelo percussionista francês Toma Gouband.
Ao longo da semana, a programação traz ainda projetos como os Yakuza, uma banda portuguesa que aproxima o jazz de linguagens mais próximas das novas gerações, e uma residência artística com músicos iranianos, fruto da relação criada em Coimbra com a música clássica persa.
O festival mantém a vertente educativa com o Clube de Jazz para Miúdos, no Atelier Semente, e com a presença do combo de estudantes do Conservatório de Música de Coimbra, que atua no dia 18 de outubro.
A política de bilhética pretende ser acessível: os preços variam entre 2 e 14 euros, havendo ainda três momentos de entrada gratuita — entre eles, o espetáculo da Estação Nova e o concerto do Conservatório.
Na sessão de apresentação, o presidente da Câmara Municipal de Coimbra destacou o Jazz ao Centro como um dos eventos âncora da cidade, salientando a importância das parcerias, da aposta na cultura e da valorização do património urbano, como é o caso da requalificação da Estação Nova. Sublinhou ainda que cada euro investido no festival representa “um retorno multiplicado para a cidade”. Presidente da Câmara de Coimbra realça a importância das parcerias.
O orçamento da edição é sustentado em grande parte pelo apoio municipal, através de um protocolo plurianual de 75 mil euros anuais, garantindo estabilidade ao JACC. Apesar disso, a organização frisou a ausência de financiamento da DGArtes este ano, o que exigiu maior esforço de gestão e procura de parcerias.
De 10 a 18 de outubro, a cidade transforma-se novamente em palco para o jazz, num encontro entre tradição, inovação e comunidade. Quando houver financiamento o Salão Brazil vai entrar em obras, entretanto já consultou a comunidade e espera em breve apresentar à Câmara Municipal de Coimbra as ideias que surgiram para o uso funcional do espaço .
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