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Repúblicas Baco e Marias do Loureiro sob ameaça de despejo em Coimbra

Real República Baco e a República das Marias do Loureiro, duas das casas coletivas estudantis mais emblemáticas de Coimbra, enfrentam a possibilidade de despejo após a Universidade de Coimbra ter comunicado a existência de problemas estruturais no edifício onde residem, no Largo de São Salvador, na Alta da cidade.

[Notícia atualizada com esclarecimento da Universidade de Coimbra]

A Baco, fundada há 91 anos, é a segunda república estudantil mais antiga ainda em atividade. Desde 1972 ocupa o mesmo edifício, adquirido pela UC na década de 1990. Foi nessa altura que também ali se instalou a República das Marias do Loureiro, considerada a primeira e única república transfeminista do país.

Repúblicas consideram que o relatório devia apontar propostas de realojamento

No dia 7 de julho, a Universidade comunicou às duas casas a existência de um relatório técnico que aponta para problemas estruturais no imóvel e defende a necessidade da sua desocupação num curto prazo. Segundo as Repúblicas, o documento apresenta fragilidades técnicas e não foi acompanhado de propostas concretas de realojamento nem de informação detalhada sobre um eventual plano de obras. Violeta Campos protagonizou a exposição da Real República Baco.

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Segundo as repúblicas, desde então têm ocorrido reuniões com representantes da Universidade de Coimbra e dos Serviços de Ação Social da UC, mas, segundo os moradores, persistem incertezas e não foi apresentada nenhuma solução que garanta a continuidade das casas.

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Património vivo da cidade

As duas Repúblicas estão localizadas na Alta de Coimbra, classificada como Património Mundial da UNESCO, e são reconhecidas como associações juvenis pelo IPDJ. Ao longo das últimas décadas, além de funcionarem como residências solidárias para estudantes, também têm desempenhado um papel ativo na vida cultural da cidade, promovendo ciclos de cinema, concertos, rodas de conversa, workshops e jantares comunitários.

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As casas também se destacam pelo acolhimento de estudantes, imigrantes e da comunidade queer, sendo apontadas como espaços seguros e de inclusão.

Contexto de crise habitacional

O possível despejo surge num contexto de crise habitacional nacional, que afeta particularmente estudantes e jovens adultos. Para as Repúblicas, a saída do edifício significaria não apenas a perda de um espaço físico, mas também uma contribuição para a gentrificação e descaracterização da vida comunitária do centro histórico.

Apelo ao executivo camarário

Na reunião da Câmara Municipal de Coimbra da última segunda-feira, dia 25, representantes da Baco e das Marias do Loureiro apelaram ao apoio da autarquia.

Entre os pedidos que dirigem à Universidade e Câmara Municipal  estão a possibilidade de alojamento temporário durante as obras, garantias de regresso ao edifício com as mesmas condições de renda e o reconhecimento oficial das Repúblicas como entidades de interesse histórico e cultural.

O presidente da câmara Municipal de Coimbra, José Manuel Silva está confiante de que a Universidade vai encontrar uma solução.

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Os moradores defendem que a perda destas casas seria “um ataque à vida estudantil e ao direito à habitação”, mas também “uma ameaça ao património vivo de Coimbra”, considerando que representam décadas de resistência, cultura e participação cívica.

Iuri Lopes das Marias do Loureiro reforçou a necessidade de acautelar a continuidade e apelou ao presidente da Câmara e vereação “que usem os instrumentos políticos e institucionais para garantir que a sua continuidade está assegurada”.

Ontem mesmo o executivo camarário reconheceu a Real República Baco como entidade de interesse histórico e cultural ou social local.

Lembramos que a Câmara Municipal de Coimbra e a Universidade de Coimbra fazem parte da Associação Ruas e entre as missões está  a salvaguarda, promoção e a gestão “do território afeto ao Bem designado por Universidade de Coimbra – Alta e Sofia, nos termos da classificação de Património Mundial atribuída pela UNESCO”.

Até ao momento, a Universidade de Coimbra ainda não apresentou publicamente um plano definitivo para o futuro do edifício do Largo de São Salvador.

No dia 27 de agosto a UC enviou o seguinte esclarecimento à RUC:

“O edifício que as Repúblicas Baco e Marias do Loureiro ocupam não garante as necessárias condições de segurança, tal como indica um relatório técnico, resultante de inspeção e análise levados a cabo por um grupo de peritos. O imóvel tem de ser desocupado, por forma a garantir a segurança das pessoas e bens. Os residentes foram contactados, logo que se verificou que a desocupação do edifício era a única solução viável para garantir a segurança, o que ocorreu no início de julho. Dada a criticidade da situação foi indicada a necessidade de desocupação antes do início do ano letivo (final de agosto).

Nas reuniões levadas a cabo entre a Universidade de Coimbra (UC) e as referidas Repúblicas, estas mostraram preferência pela suspensão do contrato de arrendamento existente entre as partes, em vez da indemnização a que teriam direito por interrupção do mesmo, pelo que foi essa a opção assumida pela UC. Neste contexto foi disponibilizado, a todos os estudantes, alojamento em residências dos Serviços de Ação Social da UC, oferta que não foi aceite por estes.

A UC tem em curso um ambicioso plano de recuperação de património, nomeadamente no que diz respeito a alojamento estudantil, com a requalificação de três residências (Alegria, Combatentes e António José de Almeida), e construção de duas novas (Monumentais e Camões). A intenção da Universidade é continuar esta estratégia de melhoria e alargamento da oferta de alojamento estudantil, que passará também pelo edifício em causa, logo que estejam concluídos os projetos e assegurado o financiamento.”

 

 

 

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