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Extramuralhas 2025 – Dia 3 – Uma prova de dinamização cultural a ser seguida
O culminar da reta de três dias que compõem o Extramuralhas chegou no sábado, carregado de atuações inéditas pela Igreja da Misericórdia, pelo Jardim Luís de Camões e no Stereogun, com a Rádio Universidade de Coimbra de pés assentes e ouvidos atentos.
A atuação que deu início ao segmento final do festival ficou a cargo de Ece Canlı, artista e académica de origem turca, residente no Porto, também parte do catálogo da Lovers & Lollypops com o seu S A C R O S U N lançado em 2024 como uma extensão do disco anterior, Vox Flora, Vox Fauna. A performer e compositora abriu a tarde na Igreja da Misericórdia com uma mostra cerimonial e hipnótica, juntando a manipulação electrónica à sua voz captada por três microfones. Um ritual de abertura que seguiu os moldes dos dias anteriores, abrindo caminhos através da imersão que iriam chegar até ao Jardim Luís de Camões.
Já no exterior, começava o concerto da banda conimbricense So Dead, trio composto por Sofia Leonor, Samuel Nejati e Miguel Padilha, formado em 2023 e vincado em tocar as variações estilísticas que existem entre o Synth Wave e o Pós-Punk com o seu mais recente lançamento A Wet Dream and a Pistol através da Lux Records. O concerto contou desta vez com a presença em palco de Henrique Toscano enquanto músico convidado.
Seguiu-se Tilly Electronics, dupla auto-intitulada de Glitter Wave, natural de Leipzig, entregando uma mostra burlesca de música sintetizada e acompanhada de vocais, e com um grande foco na componente performática e na indumentária exótica, bem como aproximações feitas para a crowd que fielmente acompanhava o energético concerto. A dupla seria o último concerto da parte da tarde, com uma justa pausa dada aos corpos antes do regresso ao jardim.
Foi com o trio português Decline and Fall que iria começar a contagem decrescente para o final do evento, a banda formada por Armando Teixeira, músico reconhecido pelo seu trabalho em Balla e nos Bizarra Locomotiva, Hugo Santos, guitarrista em Process of Guilt e Ricardo Amorim, fez cair a noite com a sua interpretação de Darkwave e algum Pós-Punk, géneros nos quais se focam desde a sua formação em 2024. “Sei que não estão aqui só por nós, mas gostamos de pensar que estão”, seria uma das frases ditas pelo grupo já perto do final do seu concerto.
Os dois últimos concertos no jardim foram dedicados à dança, sempre esperada pelo público deste festival, começando com Minuit Machine com uma forte projeção de Darkwave efusivo que juntava já uma grande massa de pessoas à frente do palco, que assistia a dupla a tocar temas do seu mais recente Queendom, lançado este 2025. Foi com NNHMN (pronunciado enquanto Non Human) que o segmento de dança foi ampliado, também em formato electrónico acompanhado de voz magnética, com Lee Margot e Michal Laudarg, que deixaram cair um certo véu nostálgico, associado aos momentos finais de um festival.
De forma igual aos dois dias anteriores, o caminho até ao Stereogun já estava memorizado na cartografia mental dos visitantes do evento, a habitual fila para entrar no club fluía e a sala ia-se enchendo nos momentos de espera antes da atuação de Doric. O purista grego lançou a partir das 01:30 um vórtice de EBM frio mas envolvente, cem por cento analógico acompanhado também da sua voz e kicks mesmerizantes, relembrando a grande influência que as musicalidades clássicas têm em projetos posteriores a elas, e a mística que existe por trás da recriação dessas mesmas sonoridades.
O DJ set de Lena Kat, veterana e cara conhecida, seria o momento final desta edição de Extramuralhas, levando temas reconhecidos, cantados e acima de tudo ideais para fechar a programação com chave de ouro, com uma surpresa, apesar de não ser necessariamente similar à linha musical do festival, mas que é uma influência inigualável na música, tocando o tema Paranoid dos Black Sabbath.
O festival gótico mais icónico do país terminou assim mais uma edição, com um aumento de público, e uma curadoria altamente solidificada pela Fade In que não tem como desapontar e que procura sempre a aproximação entre quem se entusiasma pela música ao vivo excluída das grandes plataformas festivaleiras e a própria comunidade local, que recebe todos os anos de braços abertos o público do Extramuralhas.
Uma cobertura a cargo de Laura Rosário e Lexi Narovatkin.
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