[object Object]
22.08.2025POR Lexi Narovatkin

Extramuralhas 2025 – Dia 1 – Do corpo ouvinte ao corpo dançante

A Rádio Universidade de Coimbra está presente no reduto gótico de Leiria durante os dias 21, 22 e 23 de agosto, onde qualquer pedaço do festival mostra algo especial a quem nada quer perder.

A reta final do mês de Agosto transforma a cidade de Leiria no epicentro gótico do país, pela iniciativa que lealmente é entregue às mãos da associação cultural FadeIn, e que conta já com a 14ª edição do festival e 21 artistas a subirem a diferentes palcos da cidade.

Com início na quinta feira, o contingente de sete atuações que se iriam corporificar durante o dia e noite, seria introduzido pela projeção do filme Monk in Pieces no Teatro Miguel Franco, uma produção cinematográfica de Billy Shebar que relata sete décadas de criação da performer avant-garde, Meredith Jane Monk, passando pelo arquivo visual das suas criações em Nova Iorque, a relatos dos seus colegas de trabalho e parceiros de vida, às suas mais recentes aparições artísticas. Meredith Monk é um dos nomes incontornáveis quando falamos na experimentação interdisciplinar e no colapso entre o som e o corpo, parafraseando a própria artista, a voz é uma linguagem universal, e uma extensão do movimento do corpo, das texturas e de qualquer identidade que possa ser apropriada por esta fusão, similar às traves mestras que definem o conceito de Electronic Body Music, um grande chapéu de géneros ligados à música industrial, que caracteriza as sonoridades do festival desde a sua conceção.

Um início simbólico que iria trasladar para a Igreja da Misericórdia para a mostra ritualística de Sophie Djebel Rose, nómada sonora que se encontra na interesecção das culturas marroquina e francesa, que com a sua voz, por vezes reminiscente a alguns trabalhos de Diamanda Galás, entregou perto de uma hora de hipnose sombria, acompanhada pelo feedback da sua guitarra e uma receção do público que não ficou para trás. Seria a primeira mostra musical do festival, encaixando perfeitamente para o que se iria seguir.

O Teatro José Lúcio da Silva iria contar com a atuação de Matt Elliott, guitarrista inglês, que já passou várias vezes por território nacional, aclamado pelas suas composições acústicas, sensíveis e íntimas, além de reconhecido pelo seu projeto The Third Eye Foundation. O palco do Teatro iria contar ainda com a presença do pós-punk inglês de And Also the Trees, grupo formando em 1979, que prova a escolha cuidada com atenção histórica que é aplicada pela curadoria do festival gótico.

Os habituais e esperados concertos no Jardim Luís de Camões, um dos marcos mais icónicos do evento, iriam contar com a entrada do Synthwave dramatizado de SIIE, acompanhados de uma performance enérgica e indumentária de mistério coberta por máscaras de látex brilhante, e seriam seguidos por Then Comes Silence e a sua interpretação de rock gótico acompanhado de percurssão quase estática, tal como um martelo que ressoava pelos tímpanos do público dançante.

À semelhança das anteriores edições, a massa gótica iria encontrar o último ponto do percurso desta noite, no Stereogun, que garante sempre um ambiente de dança, calor e suor, no segmento de clubbing prometido aos festivaleiros. A sala iria ser surpreendida pela dupla Lovataraxx, que com vocais festivos e um coldwave carregado de frequências baixas, faria com que poucos elementos do público pensassem sequer em abandonar o local. A noite iria fechar com o DJ português Pedro Morcego, que trouxe as sonoridades expectáveis do pós-punk, EBM e outras variantes da música gótica sintetizada.

A Rádio Universidade de Coimbra mantém-se a cobrir o festival, acumulando notas e entrevistas, que irão estar disponíveis no final do evento.

Uma cobertura a cargo de Lexi Narovatkin e Laura Rosário.

PARTILHAR: