21.01.2021POR Miriam Lopes

REPORTAGEM RUC: FECHO DAS ESCOLAS E SUSPENSÃO DAS ATIVIDADES LETIVAS

O governo anunciou hoje dia 21, o encerramento de todas as instituições de ensino durante os próximos 15 dias. A medida entra em vigor já a partir da meia-noite de amanhã, sexta-feira.

 

A norma surge na sequência do acentuado crescimento da nova estirpe da Covid-19, mais conhecida como estirpe britânica. O Primeiro-Ministro, António Costa, garante que esta é uma medida de precaução, pois as escolas “não foram nem são um foco do vírus”.

No contexto destas novas medidas, e após as recomendações enviadas pelo Ministério da Ciência, Tecnologia e Ensino Superior (MCTES), o Reitor da Universidade de Coimbra, Amílcar Falcão, já emitiu um despacho sobre a situação atual, onde informa todos os estudantes, docentes e pessoal não-docente que a partir de amanhã, dia 22, todas as atividades letivas em regime presencial estão suspensas. As bibliotecas e residências permanecem abertas e operacionais, e as cantinas dos Serviços de Ação Social da UC mantêm o seu funcionamento em regime de take-away.

As avaliações presenciais marcadas para amanhã mantêm-se, mas a partir de segunda-feira, dia 25, serão adiadas para um período posterior ao atual confinamento.

As restantes escolas, primárias, básicas e secundárias, continuam abertas apenas para acolher crianças com idades iguais ou inferiores a 12 anos, cujos pais trabalhem em serviços essenciais e mantêm as refeições para crianças que beneficiam da ação social escolar.

 

A RUC FOI OUVIR A OPINIÃO DE VÁRIAS FALANGES DA SOCIEDADE, QUE FORAM CONCORDANTES EM QUE A MEDIDA É NECESSÁRIA DADO O AVANÇO DA PANDEMIA NOS ÚLTIMOS DIAS.

 

Para Renato Daniel, estudante de mestrado em Economia na Faculdade de Economia da UC (FEUC) e vice-presidente da Direção-Geral da Associação Académica de Coimbra (DG/AAC), com a pasta da pedagogia, esta medida é bem vista uma vez que visa proteger os estudantes e, em especial, os seus agregados familiares.

O Vice-Presidente afirma que a DG está focada em garantir que os estudantes consigam ultrapassar as barreiras sociais que o confinamento obriga e que o seu progresso académico não saia beliscado.

Também Helena Freitas, ex Vice-Reitora e docente da Faculdade de Ciências e Tecnologia da UC (FCTUC), é apologista da medida, considerando até tardia. A docente acredita que as instituições de ensino superior estão preparadas para o ensino à distância.

No entanto, Helena Freitas lamenta as diferentes medidas levadas a cabo pelas várias Universidades, alertando que essa diferença na ação leva a alguma desigualdade e desconfiança por parte da comunidade académica.

Relativamente a outros níveis de ensino, as medidas também foram aceites e compreendidas pelos encarregados de educação.

Tiago Leitão, pai de 2 filhos, acredita que esta nova medida de “férias obrigatórias”, é preferível aquilo que se passou no anterior confinamento, em que as aulas eram online.

Os pais alertam para o facto de ser complicado manter a produtividade, estando em teletrabalho e ao mesmo tempo a cuidar dos filhos. Patrícia Alves, investigadora do Departamento de Engenharia Química e mãe de uma menina de 7 anos, esteve nessa situação no primeiro confinamento e deseja agora, que este não se prolongue por muito mais que os 15 dias anunciados.

Além da suspensão das atividades letivas, o governo também decretou hoje o encerramento das Lojas do Cidadão, mantendo o atendimento nos demais serviços públicos apenas por marcação, assim como dos Tribunais, exceto para atos processuais urgentes.

Estas novas medidas que pretendem combater o crescimento da pandemia de covid-19 vigoram nos próximos 15 dias, sendo depois reavaliadas pelo Governo.

 

Ana Domingues e Pedro Andrade

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