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13.07.2026POR Relatos RUC

Alioune Mané: Craque que gosta de “dançar” junta-se a uma brilhante linhagem de senegaleses na Briosa

De Zinguinchor a São Paulo, às Canárias, a Galiza e, finalmente, ao Calhabé. Alioune Mané é jovem, mas já tem muito mundo e está pronto para encantar os academistas, à imagem do que já fizeram compatriotas seus como Sougou, N’Doye, Habib, Abdoulaye ou Ba-Sy.

A história de um jogador da Liga 2 (graças a Deus, já não temos de andar por aí a falar da Liga 3) nem sempre é fácil de contar. Raramente são os mais mediáticos, como é o caso de Ilies Faure, e, portanto, no nosso trabalho de pesquisa acabamos sempre por ter de partir muita pedra. Felizmente, no que a Alioune Mané diz respeito, já alguém fez o trabalho por nós.

Esse alguém foi a Globo Esporte, portal brasileiro que, em 2023, esteve à conversa com o nosso novo craque para poder contar a sua história. Filho de um ajudante de pedreiro e de uma vendedora, Alioune nasceu em Zinguinchor, cidade de pouco mais de 200 mil habitantes no sul do Senegal, e acabou por ser descoberto num projeto social que tem parceria com o Comercial de Tietê – clube brasileiro onde, aos 19 anos, acabou por ingressar.

A adaptação foi dura e, devido a problemas de documentação, começou por não conseguir jogar em competições oficiais. Com o tempo e com a ajuda de profissionais e colegas do clube, Mané aprendeu a falar um português irrepreensível e acabou por ficar completamente integrado – na altura em que foi entrevistado, o jogador revelou que aquilo de que mais gosta no Brasil vai além das quatro linhas: “O que eu mais gosto aqui do Brasil é a resenha, de brincar e sair. Gosto de dançar”.

No futebol, a principal referência é óbvia: o homónimo Mané, Sadio Mané, figura mais destacada do futebol senegalês, é ídolo. O objetivo desenhado pelo recém-brioso passa por seguir os passos do compatriota e “jogar a final do Mundial” e ganhar muitos títulos”. “Quando estava lá era difícil. Treinava muito, voltava para casa e era difícil comer bem. Come-se, mas não tinha muitas condições. É difícil ter chuteiras, mas trabalhei muito porque era meu sonho, não dava para desistir”, contava.

Para além de relatar que quer “dar condições melhores para a família” – que, à altura da entrevista, ainda vivia no Senegal, Alioune também dizia que ambicionar vingar no futebol brasileiro, nomeadamente ao serviço do Palmeiras. Segundo contavam os responsáveis do clube, o jogador já era alvo de alguns dos principais emblemas do Brasil, como o São Paulo ou o Red Bull Bragantino, mas também de olheiros de Portugal e Espanha.

Caminhada conturbada em Espanha culminou na subida à terceira divisão com o Depor B

A passagem por Espanha já não está tão bem documentada. Ainda nas primeiras semanas no CD Tenerife – o clube atuava na segunda divisão espanhola, mas, se de acordo com o zerozero, o jogador só atuou pela equipa B, que estava na quinta divisão -, Alioune dizia ao DSports, do Senegal, que se estava a começar a ambientar ao estilo de jogo espanhol e que queria mostrar o seu “talento a habilidades”: “Estou a começar a adaptar-me ao ambiente do clube. Estou pronto para mostrar todas as minhas qualidades para conquistar uma vaga na equipa titular. Não tenho medo da competição. Tenho talento para me afirmar sem problemas, se Deus quiser”.

As coisas acabaram por não correr pelo melhor e, apesar do contrato de empréstimo até 2025 com opção de compra, o extremo só jogou 18 minutos em 24/25 e acabou por seguir para o Deportivo La Coruña em janeiro desse ano. Na conferência de imprensa em que o jogador foi apresentado, Manuel Pablo, técnico da equipa B, descreveu-o como um “extremo rápido com habilidade no um contra um”. “Muito forte, talvez custe um pouco mais a nível tático – especialmente do ponto de vista defensivo -, mas é mais uma alternativa no ataque”, dizia.

Na Galiza, Alioune Mane teve mais oportunidades e fez números interessantes: na primeira meia época, assinou dois golos em 17 jogos; em 25/26, foi peça fundamental na subida do Depor B à terceira divisão, com três golos em 27 jogos. Os highlights da temporada, disponíveis no Youtube, são de deixar água na boca aos academistas.

A passagem do jovem pelo Depor acabou por ficar associada a um episódio infeliz. Depois de sofrer insultos racistas num jogo contra o Rayo Cantabria, o jogador teve uma crise de ansiedade e acabou por ser transportado para o hospital.

Senegal e Académica: Uma história de sucesso

O adepto mais desatento pode achar curiosa esta ligação entre o Senegal e a Lusa-Atenas, mas basta olhar para os nomeados para o 11 que desenhámos a comemorar os 40 anos da RUC: há três senegaleses entre os nomeados.

Modou Sougou é ainda o quarto melhor marcador da Académica no século XXI, empatado com Edinho, apenas atrás de Dário, Marinho e Joeano. Ao longo de quatro épocas, o extremo marcou 23 golos em 97 partidas e quando saiu foi para ser campeão romeno ao serviço do Cluj ao lado do nosso conhecido Rui Pedro. Ao longo da carreira, Sougou não só teve oportunidade de ainda jogar Liga Europa e Champions League com ainda passou por Marselha e Sheffield Wednesday.

Abdoulaye Ba é outro atleta com uma carreira invejável. Podíamos falar dos jogos no Rayo e no Deportivo, na La Liga, nas passagens por Fenerbahçe e Dínamo de Bucareste, nos super jogadores com que se cruzou no FC Porto, como James Rodríguez, Hulk, Danilo, Otamendi, Quaresma… Mas o momento mais alto terá sido aquela mítica tarde de 20 de maio de 2012 no Jamor. Ao lado de João Real, Abdoulaye foi um dos heróis que levantou a Taça.

O último dos nomeados foi um craque cuja passagem por Coimbra começou há praticamente 20 anos. Dame N’Doye chegou à Académica à boleia do seu irmão, Ousmane N’Doye, fez seis golos em 29 jogos e é ainda hoje herói de culto dos adeptos academistas: para isso basta recordar as palavras do Tomás Cunha e do Bernardo Baptista aquando das nomeações para o 11 dos 40 anos da RUC.

Não nomeados – mas que, acredito, merecem ainda uma palavra de destaque -estão ainda os nomes de Pape Habib Sow e Amadou Ba-Sy. O primeiro fez 48 jogos ao serviço da Académica ao longo de duas temporadas e apenas marcou um golo. Mas que golo, lembra-se? Estádio completamente cheio, primeira mão das meias-finais da Taça contra a Oliveirense, canto aos 94’ e… o resto é história. O momento permanece imortalizado nos confins da internet, acompanhado do Relato RUC da época.

O segundo, Amadou Ba-Sy, não foi um dos melhores jogadores de sempre da Académica – longe disso -, mas deixou saudades. Esteve em Coimbra em 24/25, já às ordens de António Barbosa – fez apenas um jogo com Pedro Machado e não foi o mais bem conseguido (para dizer o mínimo), mas este ano protagonizou a mais surpreendente mexida do mercado de transferências – pelo menos dentro do nosso universo. Ba-Sy saltou da terceira francesa para o Hearts, que por pouco não se sagrou campeão escocês na época passada. Os adeptos britânicos também já fizeram a sua investigação e lançaram um vídeo de highlights de meia-hora onde se pode recordar a passagem do jogador por Coimbra.

Para além destes, outros senegaleses que passaram por Coimbra foram Zourdine Thios (dois jogos em 20/21), Moussa Guèye (nove jogos e dois golos em 13/14), Emanuel Cunha (sete golos em 32 jogos na época 91/92), Fostino Manga (Sub-23 em 20/21, fez 14 jogos) e Christophe Libotte (seis jogos nos juniores em 15/16).

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