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08.05.2026POR Isabel Simões

Na Académica feminina, a baliza “está lá para todas”

Entram em campo de capa nos ombros e o cântico é um Eferreá interpretado com o entusiasmo de quem defende um emblema de uma equipa com História. A maioria são estudantes universitárias, mas há quem trabalhe como a Sony Costa. No último domingo, Dia da Mãe, ofereceram flores às mulheres que religiosamente as acompanham e sofrem com os percalços do jogo.

A Académica recebeu, a 3 de maio, no campo da Academia Briosa XXI a Associação Desportiva Recreativa Cultural Vasco da Gama e a bola entrou na baliza de Lara Dias ao minuto 15.

Durante breves minutos houve aquele apertar de coração que paira sobre as equipas que sabem a importância de ganhar um jogo, mas ainda não encontraram o seu ritmo. As adversárias marcaram primeiro, mas nem por instantes a Briosa admitiu ficar parada.

Na conferência de imprensa de ontem, quinta-feira, o treinador da Associação Académica de Coimbra/Organismo Autónomo de Futebol (AAC/OAF), Xano Machado, admitiu sem rodeios que a entrada não foi boa. Houve hesitação e dificuldade em “entrar no jogo”. Mas talvez o mais importante tenha sido a rapidez como a equipa reagiu.

Em três minutos tudo mudou

Como se aquele momento de instabilidade tivesse servido apenas para confirmar um traço de identidade. Sofreram, reagiram, marcaram três minutos depois, empatando com o golaço de Beatriz Oliveira. E, a partir daí, o jogo mudou com os golos de Sony Costa e de Catarina Mesquita.

O futebol também vive destes momentos. Um golo da equipa adversária pode valer pelo que desbloqueia mentalmente. O empate devolveu a confiança. O segundo e o terceiro golos deram tranquilidade e a Briosa chegou à segunda parte a vencer por 3-1.

E houve ainda mais um quarto golo, o segundo de Sony Costa. Mas o primeiro da Académica foi o da Beatriz Oliveira, comparado sem pudor pela repórter RUC a um remate como o fazia “Eusébio”. Não interessa se o paralelo é exagerado, interessa que tenha olhado para o remate de longe e sentido entusiasmo suficiente para lhe lembrar a lenda que só viu jogar na televisão.

Houve abraços e flores para as mães que aguardavam na bancada

Mas talvez a imagem mais bonita da conferência de imprensa tenha vindo de Catarina Mesquita. Perguntaram-lhe como se sentia uma defesa central a marcar golos como avançada. Ela corrigiu logo o rótulo — “não sou bem defesa central” – e respondeu com simplicidade: “A baliza está lá para todas.”

Depois, a atleta revelou que festejou o golo que marcou “em grande” porque era Dia da Mãe e a progenitora estava na bancada. O futebol feminino tem destas coisas. Na Liga IV não existem contratos milionários, nem discursos ensaiados. Apenas uma jogadora feliz por marcar e abraçar a mãe em dia de todas as mães.

É preciso vencer uma equipa que já causou dificuldades

A conferência avançou inevitavelmente para o próximo jogo com o Clube de Albergaria B, esse território onde os treinadores fingem olhar apenas para o imediato enquanto toda a gente pensa no que vem a seguir e que é a possibilidade de subir de divisão.

O adversário é difícil, já roubou pontos à Académica e representa o último obstáculo antes da tão desejada disputa com a primeira classificada da zona norte da Liga IV, o Futebol Clube do Porto B.

O treinador da Académica feminina, Xano Machado, manteve-se fiel ao guião dos treinadores prudentes, um jogo de cada vez, foco absoluto, nada de pensar no Futebol Clube do Porto B, que tem assegurado o primeiro lugar da zona norte. E talvez tenha razão. É preciso primeiro ganhar ao Clube de Albergaria B em 10 de maio.

Curiosamente, quem mostrou confiança foi Catarina Mesquita. “Tivemos dois jogos com elas e nenhum foi positivo para nós. À terceira é de vez.” Há qualquer coisa de alma guerreira nesta confiança, quase desafiante depois de dois jogos entre as duas equipas, com uma vitória do Clube de Albergaria na Taça Nacional Feminina Promoção na época 24/25 e um empate na Liga IV em março passado.

O apelo aos adeptos

No final, veio o apelo aos adeptos. Um pedido simples: apareçam. Afinal, o jogo não é em casa, mas “é o mais perto”.

Quem acompanha futebol em Portugal sabe a importância deste pedido – afinal, os jogos ganham-se em campo, mas o apoio dos adeptos é fundamental.

Já as equipas femininas continuam a jogar entre dificuldades logísticas, menor visibilidade e recursos limitados. Ainda assim, insistem e sonham subir. E, esta Académica, na IV Divisão Feminina, já venceu 10 vezes e empatou três na II Fase da Série Sul.

Quanto ao resultado final da época, como nos lembra a diretora desportiva, Sandra Marques, em campo são onze contra onze e só o jogo dos noventa minutos determina quem merece o sucesso da vitória.

Pode ouvir a conferência no ‘podcast’ do início da crónica.

Fotografia: gentileza AAC/OAF

 

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