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Briosa: Aviso de piso molhado e a faca e o queijo na mão
A meta está aí ao virar da esquina, mas já deu para ver que passaram a esfregona no final do percurso e que se esqueceram de alertar. De sobreaviso, temos de dar passos firmes, sem deslumbramentos, e matar quem nos quer ver a escorregar.
Venho falar-vos do aviso de piso molhado (ou da falta dele). É daquelas coisas de que só sentimos falta quando já estamos estatelados no chão, depois de um ‘bate-cu’ digno de apanhados. Não são raras as vezes em que nos acontece quando estamos com pressa, a correr, quando queremos tanto chegar a um sítio que nem olhamos em redor – se calhar o sinal até estava lá, mas nós nem demos por ela.
Pior é no futebol, onde as regras não deixam que a plaqueta seja colocada no relvado. Seria útil para muitos, acredito, que no coração da área defensiva houvesse um pequeno adereço amarelo a sinalizar – podia ser que até atrapalhasse os adversários no momento de capitalizar uma qualquer oportunidade flagrante.
Nesta fase da Liga 3, sugiro até algo maior e mais visível. Talvez um ecrã luminoso de dimensões estratosféricas à entrada do Estádio, bem à vista dos jogadores, com alertas periódicos emitidos pelas colunas do estádio. Qualquer coisa como: “Atenção, atenção! Quem escorrega também cai!”. Podia ser até que a equipa adversária, solidária com a situação de aperto constante, abdicasse de escrever nas costas o nome de especialidades da medicina e colocasse lá um aviso. Se se lesse “CUIDADO!” em vez de “Ginecologia”, talvez o estado de alerta fosse outro.
Escrevo-vos na ressaca do Belenenses vs União de Santarém. Ainda não sei bem o que achar daquilo que estive ontem a ver. Sei, porém, que o piso está molhado. Os azuis sentiram isso bem cedo, quando foram obrigados a acordar com um trambolhão dos diabos. Estava tempo de chuva, no Restelo. Já na Trofa, anteontem, não se viu água, mas o Amarante também escorregou – o que só prova que, se calhar, isto do piso molhado é uma epidemia generalizada e é mesmo preciso ter cuidado.
Feliz ou infelizmente, nós já tombámos. Vimo-nos numa situação especialmente favorável, a achar que pisávamos terra firme e que havia condições para galopar, mas afinal o campo em Santarém era uma verdadeira pista de gelo, terreno fértil para deslizes.
Desengane-se quem achar que “temos margem” para fazer asneira. Uma derrapagem nossa mexe com tudo, pode revelar-se fatal. Deram-nos a faca e o queijo para as mãos e cabe-nos a nós decidir: ou fazemos a bucha para levar para cima ou mandamos tudo ao charco.
P.S.: Sabem quando, na noite, já estão tão inebriados que, num momento de desequilíbrio, deixam que o fino se espalhe no chão e criam uma verdadeira armadilha para quem também pisa a pista de dança? Isso também pode acontecer na bancada. Temos de lá estar, sóbrios, todos e mais alguns, a puxar por ela. Ela precisa de nós.
(Fotografia: Associação Académica de Coimbra – Organismo Autónomo de Futebol)
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