24/03/20

Vereador Paulo Leitão do PSD ausenta-se de reunião da Câmara de Coimbra em protesto

O vereador social-democrata da Câmara Municipal de Coimbra (CMC), Paulo Leitão abandonou a sessão do executivo camarário, da última segunda-feira, 23, por ter verificado “não terem ficado reunidas as condições para que vereadores por razões de assistência à família ou razões clínicas pessoais” tivessem participado.

O executivo do Município de Coimbra reuniu-se na última segunda-feira, 23, sem quatro dos seus 11 membros por causa da pandemia da covid-19, apesar de a sessão ter decorrido no Salão Nobre para garantir a segurança dos participantes. Fechada à comunicação social e ao público, ao contrário do que é habitual, a reunião contou, de acordo com nota enviada à agência Lusa, com a presença dos cinco eleitos do PS, do vereador da CDU e, no período inicial, de Paulo Leitão, eleito pela coligação PSD/CDS-PP/PPM/MPT.

Em entrevista à RUC, Paulo Leitão aprofundou o esclarecimento.

Os vereadores do PSD tinham anunciado na sexta-feira, 20, que faltariam à reunião de segunda-feira, 23, defendendo que esta deveria acontecer por videoconferência e não presencialmente. Depois de todas as iniciativas defendendo o adiamento ou a vídeo-conferência, a reunião manteve-se presencial para segunda-feira, 23, pelo que Paulo Leitão acusa o presidente da Câmara de Coimbra de “insistir em ter uma democracia amputada.”

A reunião da Câmara de Coimbra, aconteceu de forma excepcional no Salão Nobre dos Paços do Município, “garantindo o rigoroso cumprimento das recomendações de distanciamento das autoridades de saúde”, contou com a participação de sete vereadores, um dos quais se “ausentou logo após a votação das justificações de faltas”, afirmou a autarquia numa nota enviada à agência Lusa.

À RUC o vereador social-democrata esclareceu as razões que o levaram a sair durante o período de “antes da ordem do dia” pelo que já não participou na votação dos assuntos em agenda.

De acordo com Paulo Leitão é “muito esquisito” que numa cidade que se designa como “do conhecimento”, a Câmara não seja capaz de “em poucos dias se dotar dos meios” para que uma reunião se realize por videoconferência .

“Não se trata de utilizar uma situação difícil para fazer política”, alegou Paulo Leitão. O vereador reforçou que desde o início insistiu no apelo para que o presidente da CMC, Manuel Machado, “fosse sensível” à situação.

As justificações de faltas das vereadoras Paula Pêgo (independente) e Madalena Abreu (PSD), que “apresentaram a necessidade de cuidados de familiares idosos e motivos de saúde, respetivamente, foram deferidas por unanimidade”, refere a câmara em nota enviada à agência Lusa.

Também os dois vereadores do movimento Somos Coimbra (SC) faltaram à reunião de segunda-feira em protesto por esta não se realizar à distância e anunciaram que iriam pedir que a sua ausência fosse considerada justificada. Os participantes na reunião indeferiram a pretensão do SC, que só contou com o voto favorável do social-democrata.

Em nota enviada às redações o SC elucida que “inúmeros adolescentes conseguem montar uma videoconferência no espaço de minutos, mas a Câmara Municipal de Coimbra não consegue fazê-lo em duas semanas”. No comunicado o SC contesta as razões avançadas pela CMC de que “não estavam reunidas as condições técnicas necessárias para a realização da reunião por videoconferência”. O comunicado adianta um conjunto de ferramentas disponíveis no mercado e que, no entender do SC, a Câmara de Coimbra poderia ter usado.

Isabel Simões (com Lusa)

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