31/01/20

Ministra da Justiça discursa sobre a discriminação e racismo

A Ministra da Justiça, Francisca van Dunem, esteve ontem, dia 29, na Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra, onde participou como oradora na conferência “Encarceramento e Sociedade”.

A referência à música “Woman Is the Nigger of the World”, de John Lennon, serviu de abertura para a sua comunicação, marcado pelas questões raciais e de género. Uma música controversa, que, segundo a Ministra, ainda é bastante atual.

Como mulher negra, Francisca Van Dunem relembrou vários momentos em que sofreu de discriminação, desde a sua infância vivida em Angola, até à sua entrada no mercado de trabalho. Momentos que a Ministra considera “marcantes e dolorosos”

Histórias como a inquietação devido ao aumento do número de mulheres como inspetoras da PJ, a falta de qualidade de vida da população negra residente em Portugal e o racismo que o seu neto sofreu por ter pele negra retratam “dois mundos diferentes” e são bastante atuais, como refere Francisca van Dunem.

Para a Ministra, é necessário a criação de espaços de diálogo que deem voz às comunidades mais fragilizadas, para que se criem políticas públicas justas e inclusivas.

Van Dunem afirma ainda que a história africana deve ser respeitada e que devem ser asseguradas iguais oportunidades de acesso à educação, ao conhecimento e a uma vivência saudável para todos.

Relativamente ao encarceramento, Francisca van Dunem refere que “a percentagem de mulheres presas em Portugal é superior à média europeia, e que no caso das mulheres estrangeiras a diferença duplica”. Para a Ministra, Portugal tem uma grande tendência para a encarceração, havendo um conflito entre as taxas de encarceramento e a realidade criminal portuguesa.

Francisca van Dunem finaliza o discurso com uma opinião pessoal sobre a questão de grupos no humor, referindo que, para ela, é “intolerável e uma manifestação de racismo totalmente primária”.

À parte da conferência, a Ministra da Justiça fez questão de deixar uma nota de condenação às palavras de André Ventura, líder do partigo CHEGA, onde, na sua página oficial de Facebook pedia a deportação da deputada Joacine Katar Moreira, do partido Livre.

O evento decorreu entre os dias 29 e 31 com a organização a cargo do Centro de Estudos Sociais (CES) da Universidade de Coimbra. As palestras consistem na reunião de diversos contributos na área da História, Sociologia, Religiões, Artes e Humanidades.

Ana Domingues e Inês Morais

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