26/01/20

Ativistas reivindicam declaração de Emergência Climática à Câmara de Coimbra

Carlota Houart, Soraia Sousa e Miguel Dias

Extinction Rebellion, ClimAção Centro e Greve Climática Estudantil defenderam que a resposta dada pelo Município de Coimbra às preocupações dos ativistas sobre as alterações climáticas foi “técnica” quando pretendiam primeiro uma declaração “política”. As associações convidam as instituições públicas e privadas a promoverem Planos de Ação para as Alterações Climáticas que mitiguem mas sobretudo previnam as consequências.

Em conferência de imprensa realizada na manhã de segunda-feira (20), as três associações apresentaram um conjunto de propostas para tornar Coimbra mais amiga do ambiente: mais hortas comunitárias, menos transporte privado a circular na cidade, outra política de recolha de resíduos, mais compostagem, continuação da política de aposta no transporte público elétrico, uma rede de transportes escolares própria, mais árvores, mais eficiência energética nos edifícios da responsabilidade da CMC e na iluminação pública e participação cidadã na discussão dos temas.

Quando participaram na vigília silenciosa a 29 de novembro do ano passado, as associações entregaram na Câmara Municipal de Coimbra (CMC) um documento com as suas propostas. O documento foi encaminhado para a Divisão de Saúde e Ambiente quando de início o que pretendiam era a declaração de “estado de emergência climática”. A questão “não é simbólica representa compromisso”, esclareceu Miguel Dias, da ClimAção Centro.

O ativista lamentou que em Portugal não existam municípios que tenham feito a declaração. “Seria um imenso orgulho que Coimbra fosse o primeiro”, disse.

De acordo com os ativistas, para conter as alterações climáticas em curso no concelho de Coimbra vai ser necessário um “Pacto de Regime”. O movimento Extinction Rebellion informou que foram contactadas as forças políticas da Assembleia Municipal de Coimbra. Até ao momento da conferência de imprensa ainda não tinha obtido resposta. Carlota Houart do movimento explicou que havia a espectativa de que algum grupo político quisesse subscrever as propostas dos ativistas.

As associações vão participar na próxima greve climática de 13 de março. De acordo com Soraia Sousa da Greve Climática Estudantil de Coimbra, Portugal não tem “tentado tanto” em manifestar-se pelo clima devido ao “comodismo dos portugueses, quando não há resultados à primeira tentativa”. Na opinião da ativista torna-se difícil a adesão dos estudantes do secundário e do ensino básico sem a colaboração dos pais. Os jovens estudantes não podem sair das escolas sem a autorização dos encarregados de educação. Deixou um apelo a que os pais autorizem e acompanhem os filhos nas iniciativas a favor do clima.

Soraia Sousa deixou ainda uma recomendação à Direção-Geral da Associação Académica de Coimbra para que a mobilização dos estudantes da Universidade se faça sentir com mais força nas manifestações. 

Os ativistas vão marcar presença na reunião do executivo camarário que se realiza na próxima segunda-feira dia 27 de janeiro. No período reservado ao público vão tentar obter resposta positiva às suas preocupações da parte do presidente da Câmara Municipal de Coimbra.

Paris e Nova Iorque estão entre as cidades que já declararam estado de emergência climática. O Parlamento Europeu proferiu a declaração no passado mês de novembro

Isabel Simões

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