23/01/20

Estudo da UC convoca novo debate sobre quantidade de água em Marte

Pode ter existido menos água em Marte do que se acreditava. Uma investigação da Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade de Coimbra (FCTUC) e do Instituto Nacional de Astrofísica de Itália (INAI) apresenta dados que permitem sustentar novas teorias sobre a evolução climática e hidrogeológica do ‘planeta vermelho’.

O estudo publicado na revista Earth and Planetary Science Letters foi realizado pelo investigador do Centro de Investigação da Terra e do Espaço (CITE) da FCTUC, David Vaz, e pelo italiano do Instituto Nacional de Astrofísica de Itália, Gaetano Di Achille. Os dois cientistas utilizaram imagens de satélite de alta resolução para analisar 60 depósitos de sedimentos no planeta Marte, que se acreditava terem origem na atividade de antigos lagos e rios (serem deltas), e concluíram que a maioria, afinal, tem uma proveniência diferente. De acordo com o investigador português, quase 70% dos depósitos analisados não confirmaram ser deltas. Os dados recolhidos sugerem que a “quantidade de água que existiu e o tempo que ela existiu” foi menor, afirmou David Vaz em entrevista à Rádio Universidade de Coimbra.

Em valores aproximados, só 30% dos locais confirmaram estar associados a ambientes subaquáticos. Os restantes depósitos podem ter outra origem hidrológica provocada por atividade vulcânica, tectónica, ou pelo impacto de meteoritos ou cometas. A hipótese colocada pelos dois cientistas é de que ocorrências como as referidas tinham a capacidade de derreter gelo subterrâneo e criar fluxos de água à superfície.

Mapa global de Marte com a localização dos 60 depósitos
sedimentares considerados no estudo
Vale e depósito sedimentar localizado na região de Terra
Cimmeria. Um exemplo do tipo de depósitos que não se formaram por atividade de rios e lagos

Novos elementos para a discussão

Nas duas últimas décadas, dezenas de possíveis depósitos sedimentares deltaicos foram identificados na superfície de Marte. Um depósito é considerado uma das principais evidências para sustentar a ideia de que, no passado, Marte apresentava condições climáticas mais favoráveis que permitiram a presença de água líquida no planeta.

David Vaz defende o contributo do estudo para a discussão sobre as condições de habitabilidade em Marte e para próximas missões espaciais.

Os projetos para a colonização do planeta Marte são uma possibilidade que o investigador português considera não ser impossível, mas afirma que existem vários desafios.

O estudo demorou cerca de 2 anos até ser concluído. Como foram apenas analisadas 60 áreas do planeta vermelho, David Vaz pretende dar continuidade à investigação.

Ana Isabel Araújo e Catarina Pinho

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