23/12/19

João Santos – “Obras do baixo Mondego não estão concluídas”

O comentário à atualidade noticiosa no Alvorada de segunda-feira (23) esteve a cargo de João Santos, engenheiro e quadro superior da “Águas de Coimbra”(AC). Esta empresa municipal ganhou pela 9ª vez o prémio  ECSI Portugal – Índice Nacional de Satisfação do Cliente, no setor da Água. João Santos congratulou-se por este reconhecimento de que a AC continua a ser a entidade gestora de água que mais satisfaz os seus clientes no panorama nacional.

O engenheiro das Águas de Coimbra afirmou que o desassoreamento do Rio Mondego  era fundamental e só pecou por tardio, devia ter sido feito há décadas atrás . Na opinião de João Santos o desassoreamento tem a vantagem de aumentar a  capacidade de vazão além de  diminuir ainda as cheias que provoca nas suas margens e leitos de cheia. Para o engenheiro civil se não tivesse havido este desassoreamento, o nível que a água atingiria nestes dias teria sido superior.

João Santos afirmou não lhe parecer correto que tenha sido a Câmara Municipal de Coimbra (CMC) a pagar e a fazer a obra. O engenheiro acha que a tutela de Lisboa não se justifica e a intervenção neste tipo de assuntos deveria ser assumida na regiºao e não estar dependente de do poder central. Em Lisboa há sempre um telefone para onde se liga e ninguém atende, afirmou. Para o técnico das Águas de Coimbra nos anos 50 não haveria capacidade técnica para fazer certas obras mas hoje em dia a região tem capacidade para resolver estas situações e não estar à espera de uma resposta de Lisboa que normalmente não chega.

João Santos afirmou que as  barragens a montante de Coimbra deviam amortecer o impacto das cheias e o rio teria assim capacidade de escoar toda a água.  O engenheiro sublinhou que  se barragem da Aguieira estava a  97% da sua capacidade de armazenamento na semana passada é porque não estará a ser gerida no sentido de amortecer o impacto das cheias.  

O engenheiro civil alertou ainda para o facto de as obras do Baixo Mondego não terem sido concluídas.  Segundo João Santos houve trabalho previsto que nunca foi feito. A regularização do Rio Ceira nunca foi efetuada , destacou o técnico da “Águas de Coimbra” e à agua que vem da Aguieira tem de se somar a que vem do Ceira e não tem controle possível.

João Santos disse que a estrutura montada no Baixo Mondego  foi desmantelada. Para o engenheiro que faz gestão de ativos nas “Águas de Coimbra” mais vale intervir pontual mas  regularmente todos os anos numa estrutura do que intervir de dez em dez anos.

Durante o Alvorada falou-se ainda do Choupal, da Academia da Académica OAF nos campos do Bolão, da qualidade e quantidade das reservas subterrâneas  de água de Coimbra, de parte (1100 m3) da areia extraída do Mondego e que vai ser aproveitada pela “Águas de Coimbra”. João Santos deixou ainda um apelo ao consumo da água canalizada que é fornecida aos munícipes de Coimbra dada a sua qualidade.

Rui Rodrigues

Pode ouvir o Alvorada na integra aqui
5
17
11
0
GMT
GMT
+0000
2020-04-03T17:11:30+00:00
Fri, 03 Apr 2020 17:11:30 +0000