17/12/19

A velhice do edifício sede da AAC

Soalho do Teatro de Bolso
Fotografia: TEUC

Teatro de Bolso mete água; SDDH ‘elegeu’ um cogumelo para nova mascote; e quem for ao CITAC saiba que pode vir embora sem saber o fim da história. Este poderia ser o conjunto de títulos de um qualquer noticiário RUC, e não precisavam de ser más notícias. Quem não acreditaria que o TEUC estava a encenar uma peça com água? Quem desconfiaria que a SDDH fosse juntar um cogumelo ao panda? Quem declarava estranheza se o CITAC interrompesse uma atuação para mandar o público procurar ‘Fim’ noutro lugar que não ali? A verdade é que há infiltrações no teto do teatro do TEUC, começam a crescer fungos na sala da SDDH e o CITAC pede que não liguem aquecedores nos dias de espetáculo para não provocar uma sobrecarga no quadro elétrico.

As atenções do programa Minerva do dia 5 de dezembro foram direcionadas para as infraestruturas e condições de habitabilidade das secções, organismos autónomos e estruturas de apoio à comunidade académica de Coimbra. O foco esteve em concreto no edifício sede da AAC.


O estado das instalações de que a AAC tem usufruto foi alvo de conversa no programa Minerva de cinco (5) de dezembro. As declarações dos convidados da SDDH, CITAC e TEUC, juntamente com as questões colocadas em entrevista à TV/AAC, SF/AAC e TAUC, foram parte da ilustração que a RUC fez do edifício sede.

Daniela Proença, do Teatro dos Estudantes da Universidade de Coimbra (TEUC) participa nas atividades do teatro há dois anos. Nos estúdios da RUC afirmou que a conservação do espaço do Teatro de Bolso é uma das principais preocupações do organismo autónomo da AAC. O ranger do chão de madeira e a humidade nas paredes e no teto não são questões recentes mas nas últimas semanas, com o aumento das chuvas no inverno, a situação tornou-se “incontornável”.


“O teto do teatro precisa de algum tipo de manutenção”

Teto do Teatro de Bolso
Fotografia: TEUC
Teto do Teatro de Bolso
Fotografia: TEUC

Com as infiltrações, a eletricidade é o tópico que mais preocupa, tanto para a segurança dos que usufruem deste espaço quanto para a preservação de equipamentos das secções.


“No teto também tem fichas elétricas” e é onde se encontra a teia, a estrutura onde se penduram os projetores de luz.”

Na porta ao lado do TEUC é o Teatro-Estúdio do Círculo de Iniciação Teatral da Academia (CITAC). Isolamento, janelas danificadas que afetam a fachada virada à Av. Sá da Bandeira, e eletricidade são algumas das queixas. Segundo Diogo Figueiredo, músico e membro do CITAC desde 2014, basta toda a gente ocupar o mesmo corredor que o quadro de luz vai abaixo.



Diana Rogério frequenta o prédio da AAC há um ano e é membro da Secção de Defesa dos Direitos Humanos da Associação Académica de Coimbra (SDDH/AAC) há seis meses. Segundo ela, a secção tem uma nova mascote, um cogumelo que está a crescer na sala que usufruem. Além disso, as casas de banho do último andar estão fechadas há aproximadamente um ano, tópico que levou à discussão de outro tema, o da falta de acessibilidade no edifício.


Quem tiver mobilidade reduzida junte-lhe (ainda mais) força de vontade

Sem elevadores ou casas de banho adaptadas, é difícil pensar na inclusão das pessoas com mobilidade reduzida. Mesmo a acessibilidade a pessoas cegas ou com baixa visão são um problema ao qual, na opinião da sócia da SDDH, não se deu atenção. “É impensável, para qualquer pessoa que tenha dificuldades motoras, pertencer a qualquer um destes organismos que está aqui representado”, completou Diogo Figueiredo do CITAC.



Diana Rogério, insistiu na acessibilidade, principalmente em relação aos membros da nova Pró-Secção de Boccia. Por mais que a nova secção esteja localizada no Estádio Universitário, se qualquer um de seus membros quiser participar das atividades que ocorrem no edifício sede da AAC, a inclusão não será efetiva. Desses assuntos falou a SDDH/AAC no decorrer do II Festival dos Direitos Humanos que decorreu no mês de novembro com o tema “Cultura e Direitos Humanos”. Diana Rogério, frisou que “o direito à cultura é universal” e deixou uma questão a ser ponderada.


Diana Rogério colocou a questão: “porque é que não vemos essas pessoas nesses eventos?” Para a estudante “provavelmente não existe o mínimo de condições para essas pessoas estarem presentes”.

Ainda sobre a acessibilidade, relembrou-se que na tomada de posse da Pró-Secção de Boccia, Bernardo Lopes, presidente da pró-secção e estudante na Faculdade de Letras da UC, chamou a atenção para a falta de rampas nas cantinas da Universidade. O mesmo jovem, a propósito do mesmo assunto, chegou a ser convidado do programa da RUC Pé d’Atleta e teve que subir as escadas carregado pelos colegas, visto que a RUC fica no segundo andar da AAC.


Bernardo Alexandre Lopes do Projeto da Secção de Desporto Adaptado da AAC e Miguel Franco do Conselho Desportivo – Associação Académica de Coimbra. A criação da Pro-secção de Boccia e o sonho criar uma AAC com desporto para todos foram os principais temas do programa. Um programa conduzido por Tiago do Carmo

A vistoria da reioria ao edifício sede da AAC

Manchas de humidade no corredor do primeiro andar
Fotografia: André Jerónimo

No dia 4 de dezembro o vice-reitor com os pelouros do Património, Edificado e Infraestruturas, Alfredo Dias, esteve no edifício sede da AAC para tomar nota dos problemas e falar com a Direção-Geral. Em entrevista à RUC o presidente da DG/AAC Daniel Azenha elaborou sobre a visita do vice-reitor e sobre o plano de intervenção que se está a preparar.



Ficou a promessa de, a partir da tomada de posse da nova composição da Direção-Geral, em janeiro, serem ouvidas as secções e organismos autónomos no sentido de perceber as necessidades, elaborar um relatório e entregar à reitoria. As maiores preocupações de Daniel Azenha passam pelas humidades do edifício, pela rede elétrica e pelo jardim. A intervenção de fundo que o presidente da DG/AAC gostaria que fosse feita, não lhe pareceu que vá acontecer. Reitoria e Direção-Geral foram convidadas a estar presentes no programa Minerva do dia 5. Ambos os órgãos indicaram estar indisponíveis para participar na emissão.

Segundo as declarações do vice-presidente da DG/AAC, João Assunção, no Alvorada do dia 9, a vistoria feita pela reitoria confirmou que “existem obras substanciais pare serem feitas” e que foram “avaliadas, de forma informal, num valor que poderá ascender a 1 milhão de euros para todo o edifício” sede.



A representante do TEUC demonstrou deceção pela falta de condições e pela escassez de diligências por parte dos responsáveis da AAC e da Universidade de Coimbra. Disse ainda que “não há grande sensibilização” para alterar alguma coisa.


“Não é para usufruto apenas dos seus membros. Acolhemos imensas produções, outras secções e entidades da casa e, não é birra nossa querer que as coisas sejam tratadas em condições e que haja a manutenção devida”.

Já Diogo Figueiredo afirmou que uma renovação integral é algo utópico uma vez que na AAC “as coisas são sempre cíclicas” e as pessoas encarregadas estão sempre a mudar. Para o ‘CITACiano’ “não era de todo mau se fosse a reitoria a encarregar-se desse plano”.



Algumas coisas não podem esperar

Fotografia: “Conjunto dos edifícios da Associação Académica de Coimbra, Teatro Académico de Gil Vicente e Cantinas”, no sítio da Internet da Direção Regional de Cultura do Centro

No próximo ano fará 100 anos desde que a AAC ganhou a sua primeira sede, com a Tomada da Bastilha – uma nota histórica sobre a forma como os estudantes, várias vezes, tomaram como suas as ‘dores da casa’ e protestaram por melhorias. De facto, ninguém recusou responsabilidades sobre os problemas, nem sobre os contributos que os próprios organismos e secções podem ter. Daniela revelou vontade de pôr as mãos na obra caso reúna requisitos necessários, mais precisamente condições monetárias.


“Esta questão de ter que esperar 5 6 meses por licenças não parece muito prático porque estamos no inverno”, “já mostramos o espaço à DG e tentaremos marcar visita com alguém da reitoria”

Diogo também apresentou disponibilidade para cooperação, mas disse que além de dar “uma pintura ao CITAC de dois em dois anos antes do curso para aquilo ficar bonito e preto outra vez”. Sem ajuda, não há mais nada que possa ser feito mas também não é algo que compete aos organismos e às secções, mas sim à DG.



Diana demonstrou a necessidade da elaboração de um plano de ação e apelou pela união entre todos os organismos e secções da AAC.



André Jerónimo, Gabriela Montilla, Cátia Rocha

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2020-04-06T01:42:23+00:00
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