11/12/19

Protesto de Lisboa, Porto e Bragança a favor de 1% para a Cultura também se ouviu em Coimbra

O diretor artístico da Escola da Noite, António Augusto Barros não se conforma com terem ficado de fora no concurso de apoio às Artes muitas estruturas artísticas no país e por isso fez questão de enviar um “abraço de solidariedade” às estruturas em luta pelo direito à Cultura.

Uma “jornada de luta” que “tem algo de semelhante ao que nos aconteceu no início do ano passado em que ficámos sem financiamento”, por parte da Direção-Geral das Artes (DGArtes) que se alargou então a todas as estruturas de Coimbra, afirmou o diretor artístico da Escola da Noite, no início da conferência de imprensa em que divulgou o primeiro Curso Livre de Teatro, ontem, no Teatro da Cerca de São Bernardo.

Na altura o problema resolveu-se com a intervenção do primeiro-ministro que fez chegar ao problema uns milhões que “deveriam estar desde o início e não estiveram” o que levou à correção de algumas “das injustiças que então se fizeram”, acrescentou, enviando “um abraço solidário” às estruturas em luta.

Vão ser apoiadas pela DGArtes 102 estruturas em 177, que o júri considerou elegíveis. Ficam de fora 75 estruturas ou seja 42,37 por cento das consideradas elegíveis pelo júri do concurso não recebem apoios da DGArtes.

Em Coimbra em 2019 a companhia Marionet ficou sem apoio para os próximos dois anos. Companhias como o CENDREV de Évora também se viram excluídas dos Concursos Sustentados Bienais em 2019. O CENDREV é “exemplo maior do nosso Teatro e mesmo da nossa Democracia”, lembrou António Augusto Barros.

O trabalho do CENDREV de mais de quarenta anos “é da estruturas com mais atividade a nível Ibérico” que reabilitou as tradições dos Bonecos de Santo Aleixo e os leva do Japão ao Brasil em representação de Portugal. “Um símbolo maior” do Teatro que pode cair e acabar como aconteceu à Cornucópia no final de 2017, outro “símbolo maior”. Duas vítimas do novo regulamento que “pareceu desenhado para liquidar estruturas que têm mantido o nosso Teatro e que assim deixam de existir”, lamentou o encenador da Escola da Noite.

Mário Montenegro encenador da Marionet na última representação da peça “O Design Inteligente da Jenny Chow”, que teve lugar domingo (8), na Black Box do Convento São Francisco também criticou a falta de apoio sustentado no país às Artes, dando o exemplo da companhia.

Fotografia: Filipa Malva

Mais de 300 artistas, estiveram concentrados em frente ao Teatro Nacional de São Carlos, em Lisboa, para exigir um valor imediato de 1% do Orçamento do Estado (OE) para a Cultura, em 2020, numa iniciativa convocada pela Plataforma Cultura em Luta.

O protesto, que teve início ontem à tarde, envolveu mais de uma dezena de sindicatos e estruturas que representam artistas, arqueólogos, documentalistas, trabalhadores de museus, entre outros da área da cultura, que vieram exigir um reforço do financiamento de uma área considerada “o parente pobre” no Governo.

Pedro Penilo, da Plataforma Cultura em Luta, disse à agência Lusa que os artistas “estão cada vez mais unidos” no objetivo de reforçar o investimento no setor, e aumentar a consciência dos cidadãos para a importância das artes e da cultura.

A meio da tarde de ontem, antes da concentração, a Comissão de Profissionais das Artes entregou uma carta na residência oficial do primeiro-ministro, António Costa, em Lisboa, com cerca de 700 assinaturas de artistas e entidades culturais, a pedir também “respostas concretas” sobre o apoio às artes.

À concentração – que também aconteceu no Porto e em Bragança – aderiram, entre outros, o Sindicato dos Trabalhadores dos Espetáculos, do Audiovisual e dos Músicos (Cena/STE), o Sindicato dos Trabalhadores de Arqueologia (STARQ), a Performart, a Federação Nacional dos Sindicatos dos Trabalhadores em Funções Públicas e Sociais e o BAD – Associação Portuguesa de Bibliotecários, Arquivistas e Documentalistas.

A apresentação da proposta de Orçamento de Estado para o próximo ano 2020, está prevista para a próxima segunda-feira, dia 16 de dezembro.

Isabel Simões (com Agência Lusa)

5
16
15
0
GMT
GMT
+0000
2020-04-03T16:15:53+00:00
Fri, 03 Apr 2020 16:15:53 +0000