8/12/19

Chove na tvAAC, e não é ‘estática’

O conjunto de imóveis que perfazem o ‘quarteirão académico’ foi desenhado na década de 50 e é inaugurado por altura da Crise Académica de 1961. No projeto não se previa que o terraço superior do bloco das salas de trabalho fosse usado por uma secção cultural como espaço de atividade. Atualmente é a ‘casa’ da Televisão da Associação Académica de Coimbra (tvAAC) e, nos dias piores, mete água.

Marcas de humidade no chão de cimento da sala da tvAAC.
Fotografia: Ana Neves

A Rádio Universidade de Coimbra fez um ‘vai-vem’ entre o rés-do-chão e o telhado do edifício sede da Associação Académica de Coimbra (AAC) para conhecer melhor as condições de trabalho e conforto dos que o habitam hoje em dia. Da entrada até ao terraço superior (o quinto piso), a opção para ascender é apenas uma: por escadas.

Em entrevista à RUC, o presidente da tvAAC, António Cerca, afirmou que a sede da televisão é reveladora da “forma degradada como está o edifício da associação académica”. Além de ser um espaço que conjuga uma localização desprotegida com a transparência e delgadeza de várias paredes de vidro – onde as temperaturas de verão e inverno são sofridas e o isolamento sonoro é insuficiente para o trabalho em televisão – António Cerca referiu que chove dentro da sala.

“Como isto é tudo envidraçado, não há um bom isolamento” e assim, “no inverno e no verão, as condições de trabalho são complicadas.”
Sala e estúdio com paredes de vidro.
Fotografia: Ana Neves


Segundo o presidente da secção cultural, as condições de trabalho e conforto da tvAAC têm sido tema de conversações com a direção-geral. No entanto, a prespetiva orçamental para a criação de instalações condignas ao seu funcionmento não alentam as esperanças. “Vai custar muito dinheiro”, disse António Cerca.

“Estamos em conversações com a direção-geral para que isso seja modificado” mas “vai custar muito dinheiro” para mudar toda a estrutura da tvAAC.
Estúdio de gravação e emissão em direto.
Fotografia: Ana Neves


Uma outra contrariedade referida, e que se prende com a localização no terraço superior do edifício, foi a sensação de afastamento que os membros da tvAAC sentem. Se no rés-do-chão e nos dois primeiros andares existe um trânsito regular de pessoas, o terceiro revela logo uma diferença nesse aspeto. O último antes do terraço “é praticamente o piso fantasma da Associação Académica”.

“Torna a TV um pouco distante do resto da casa, de todas as secções e da própria direção-geral.”


Apesar das contrariedades ao normal funcionamento da tvAAC, António Cerca referiu que no último ano conseguiram colocar os departamentos de informação, programação e produção a trabalhar de forma “contínua o ano inteiro”. O resultado de um “processo de restauração”.

Fotografia: Ana Neves


O estado das instalações de que a AAC tem usufruto foi alvo de conversa no programa Minerva de cinco (5) de dezembro. A entrevista com o dirigente da tvAAc foi parte da ilustração que a RUC fez do edificio sede, juntamente com entrevistas à SDDH, TAUC, CITAC, TEUC. A reitoria visitou o espaço no dia 4 de dezembro e pediu um relatório dos problemas à Direcção-Geral da AAC.


A Televisão da Associação Académica de Coimbra é secção da AAC desde 2003. A proximidade natural com o curso de Jornalismo e Comunicação da Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra é uma vantagem na manutenção da atividade. Para ultrapassar a dificuldade em atrair pessoas de “outros cursos e de outros polos”, que têm valências que uma televisão precisa, a estratégia passa por fazer divulgação diretamente nas faculdades e, essencialmente, nas redes sociais.

Ana Neves, André Jerónimo e Tiago Espírito Santo

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