1/12/19

Relvinha procura mais amigos para que “sonho de 40 anos” se realize

No momento em que escrevemos estas palavras a Semearrelvinhas, a cooperativa de habitação do bairro norte da cidade de Coimbra, estava a cerca de 32 mil euros do total necessário para dotar o Centro Social e Cultural de um telhado novo, o atual deixa entrar humidade, e de mais duas salas, tudo previsto no projeto inicial de há 40 anos.

Uma das duas salas a construir destina-se a uma biblioteca e a colocar computadores para convívio dos mais novos. O outro espaço vai permitir à direção ter condições de reunir e expor fotografias e documentos sobre a memória dos tempos das barracas de madeira e de como moradores, amigos e estudantes se mobilizaram e “puseram as mãos na massa” para construírem habitações dignas.

Restam doze dias para terminar a angariação de fundos para que a cooperativa consiga os 34 mil euros necessários para iniciar as obras e concretize o sonho de ter um Centro Social e Cultural até final de 2020 que sirva o Bairro e a zona norte da cidade de Coimbra.

Há oito dias, o sábado (23) foi de festa, vieram amigos velhos e amigos novos, durante todo o dia os moradores, a Casa da Esquina e a revista ‘online’ Coolectiva promoveram um encontro abrilhantado por elementos da cultura da cidade: MC Ruze com as suas rimas e os Subway Riders com a loucura na voz do vocalista Carlos Dias.

No final Jorge Vilas, presidente da Semearrelvinhas, Jorge Vilas, era um homem agradecido pela presença de todos que contribuíram com mais um passo para que o “sonho de 40 anos” se possa realizar.

À semelhança do tempo em que moradores, estudantes, holandeses, belgas, alemães, espanhóis, franceses e dinamarqueses construíram 34 casas para que as famílias saíssem das barracas de madeira, Jorge Vilas continua um homem cheio de esperança de que o sonho de 40 anos se concretize.

Ainda assim são muitos os passos necessários, o ‘crowdfunding‘ está disponível para que amigos novos e antigos contribuam para a conclusão da obra no Bairro da Relvinha. Jorge Vilas faz um apelo às autarquias para que também colaborem.

A Casa da Esquina, organizou, no último sábado (23), uma troca de roupa no salão da Semearrerlvinhas, a Coolectiva coordenou uma recolha de fundos no local. A direção da casa, constituída em maioria por mulheres serviu refeições e manteve a alegria e boa disposição. Filipa Alves da Casa da Esquina, no final, com um sorriso de orelha a orelha, lembrou à RUC que a zona da Relvinha “está um pouco esquecida” e que “há mais vida na cidade para além da universidade”.

Antes, o vocalista ‘performer’ dos Subway Riders, Carlos Dias, agraciou o público, entre outros temas, com o fado “vai levar o almoço ao pai”. Explicou à RUC que não podia faltar à festa, a convite da Casa da Esquina.

Carlos Dias, viveu perto da Relvinha, na zona da Pedrulha. Contou como viu o bairro da União de Freguesias de Eiras e São Paulo de Frades evoluir, desde as casas de madeira até à construção das moradias e prédios.

Convidado dos Subway Riders, MC Ruze, “homem de causas”, como lhe chamou Carlos Dias. As rimas do ‘rapper’ tocam o vocalista por não entrar “na onda de vitimização” de quem vive na periferia. Tudo boas razões para marcar presença na tarde de sábado.

“Quando falo tento dar uma versão positiva dos problemas” disse à reportagem RUC, MC Ruze.

Antes, o morador da margem esquerda da cidade de Coimbra contou que dar “vibrações positivas às pessoas” com as suas palavras e a sua música faz parte da missão como homem do ‘hip hop’. Foi esse o programa da festa.

As periferias das cidades são regra geral “um pouco esquecidas”, afirmou Filipa Alves. MC Ruze confirmou que é preciso dar mais atenção a essas zonas da cidade até porque por lá também “há jovens” e é preciso dar-lhes “mais atenção”.

João Baía da casa de estudantes Real República do Bota-Abaixo, enquanto investigador debruçou-se sobre a história do Bairro da Relvinha. Na festa, os moradores atuais da casa de estudantes de Coimbra foram prestar homenagem e dar um contributo solidário para que o centro comunitário se concretize. César foi o porta-voz da casa.

“Tudo o que sejam iniciativas culturais” são motivos de apoio por parte da Bota-Abaixo. A solidariedade cumpriu-se no sábado em espécie e pelo estômago, ou não fosse a casa de estudantes de Coimbra uma das mais hospitaleiras da cidade.

Hélder Macedo e Ogata Tesuo foram os DJ de serviço.

Não faltaram mensagens de estímulo e presenças de políticos de vários quadrantes partidários na festa da Relvinha. Falta apenas mais vontade e mais amigos que coloquem “a Relvinha no centro! Com um Centro Social e Cultural no Bairro”

Isabel Simões

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