26/11/19

Teatrão de “mãos dadas” com o Teatro O Bando apresenta FILHO? Uma história sobre Liberdade e Tolerância

Fotografia: Teatrão | Carlos Gomes

“Mas entretanto é preciso calar o bebé” são palavras que ressoam na nossa cabeça depois de assistirmos ao ensaio de FILHO? A coprodução que o Teatrão e o Teatro O Bando estrearam em Palmela e que a 28 de novembro (re)estreia na Oficina Municipal do Teatro em Coimbra (OMT).

Duas das personagens interpretadas por João Santos e Margarida Sousa fazem perguntas deambulando por uma casa que desenham no chão de uma cidade ocupada, enquanto a figura imponente de Raul Atalaia nos olha curioso.

Baseada no romance de Afonso Cruz “Para Onde Vão os Guarda Chuvas”, o espetáculo desenvolve a problemática da “liberdade e da tolerância e a capacidade de compreender a diferença”. As duas companhias trabalharam “de mãos dadas” numa verdadeira colaboração, contou o encenador, João Neca, no final do ensaio, aos jornalistas.

O espetáculo tem como público-alvo toda a família. Vai ficar agora na Oficina Municipal do Teatro de 28 de novembro a 28 de dezembro. Durante a semana as apresentações destinam-se às escolas. Aos sábados a OMT recebe o público em geral. As duas companhias há muito que desenvolvem trabalho destinado a públicos infantojuvenis, o Teatrão há 25 anos, O Teatro O Bando há 45, pelo que a aceitação das diferenças entre as duas estruturas de produção teatral foi vista como uma “mais valia”, adianta João Neca.

“É um milagre que a curiosidade sobreviva à educação formal ”

A frase de Einstein é relembrada por João Neca para explicar que FILHO? se destina a crianças dos “seis aos 96 anos”. Um espetáculo que “tem a capacidade de integrar” perguntas colocadas pelos ”mais novos” assim como pelos “mais velhos”. Morte, perda, solidão e redenção, em regra afastados das narrativas teatrais para os mais novos são aqui tratadas “num registo eticamente cuidado”. Uma história que também nos interroga sobre “adoção e maternidade” num cenário de guerra. Tudo isto sem infantilizar os públicos, “sem tabus”, usando a imaginação, esclarece o encenador.

Fotografia: Teatrão | Carlos Gomes

“Quem ouve sabe mais”

Uma peça que fala muito da “importância do perguntar” e que questiona sobre o que é ser cristão ou muçulmano. Pelo meio não esquece a importância do silêncio. O silêncio como uma escolha e não como uma imposição de “quem nos cala”. “Quem ouve sabe mais”, é uma das frases do espetáculo, revela João Neca.

Com cenografia de Filipa Malva e Rui Francisco, música de Jorge Salgueiro, o espetáculo conta com a colaboração especial de Miguel Rosado. O FILHO? Estreou em Palmela a 24 de outubro. Na Oficina Municipal do Teatro fica de 28 de novembro a 28 de dezembro.

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Isabel Simões

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