25/11/19

De Coimbra para o Espaço: 13º ciclo do BEXUS pode levar uma experiência de Coimbra até à estratosfera

Um voo de balão da Agência Espacial Europeia (ESA), marcado para 2020, pode levar uma experiência de Coimbra consigo até à estratosfera. O nome da experiência científica é STRATOSPOLCA e foi desenhada numa colaboração entre a Secção de Astronomia Astrofísica e Astronáutica da Associação Académica de Coimbra (SAAAC/AAC) e o Laboratório de Instrumentação e Física Experimental de Partículas de Coimbra (LIP Coimbra). Os membros da SAAAC/AAC que integram o projeto são todos estudantes da FCTUC.


Equipa do projeto STRATOSPOLCA. Em cima: Bárbara Matos, Hugo Costa, Maria Inês Ferreira, Joana Pereira, Henrique Neves. Em baixo: André Neves, Inês Oliveira, José Carlos Sousa
Fonte: Blog SAAAC/AAC


A proposta redigida pelo grupo de jovens cientistas — e que tem como “endorsing professor” o coordenador do grupo i-Astro do LIP Coimbra, Rui Curado Silva — foi uma das pré-selecionadas pela ESA no mês passado. O lançamento do balão está programado para daqui a menos de um ano, em Kiruna na Suécia, eintegra o 13º ciclo do Programa Rexus/Bexus (Rocket and Balloon Experiments for University Students) destinado precisamente à experimentação científica, com recurso a foguetões e balões estratosféricos, por parte de estudantes universitários. Mais concretamente, o Rexus é para os foguetões (“rockets” em inglês), e o Bexus para balões.



A EXPERIÊNCIA

O STRATOSPOLCA tem como objetivo fazer medições da radiação Gamma de background entre os 10 e os 30 quilómetros de altitude aproximadamente. Em entrevista à Rádio Universidade de Coimbra (RUC), o presidente da Secção de Astronomia Astrofísica e Astronáutica e líder da equipa do projeto, Henrique Neves, afirmou que o conhecimento da radiação de fundo Gamma recolhida pelo STRATOSPOLCA, pode vir a ser útil na melhoria da performance de satélites e outros balões, por exemplo.


Com esta capaciade de sentir o ambiente circundante é possível perceber o que vai acontecendo nos lugares distantes sem ter que apontar os instrumentos diretamente para uma localização específica.


Marca do projeto.
Fonte: Facebook STRATOSPOLCA.


Fazer medições da radiação Gamma de background implica saber o que é propriamente a radiação Gamma. Henrique Neves esclareceu que a Física define esta radiação como “todos os fotões (todas as partículas de luz) que tenham energias superiores à radiação, por exemplo, do RaioX que se faz no hospital”. Desse patamar de energia para cima, até ao infinito, “são consideradas radiação Gamma”.


De acordo com o jovem físico, esta experiência enquadra-se num dos campos mais recentes da astrofísica: a “astrofísica de multi-mensageiro”. Esta técnica utiliza as energias Gamma para “ouvir o Universo” e as ondas gravitacionais para lhe “sentir o pulso”.


Estamos acostumados aos grandes quartéis-generais dos vilões do James Bond ou dos filmes de ficção científica mais e menos recentes. No entanto a ciência de ponta raramente é assim vistosa. A descrição feita pelo líder da equipa e aluno do Mestrado Integrado em Engenharia Física da Universidade de Coimbra, Henrique Neves, não cria uma imagem sedutora daquilo que realmente é o STRATOSPOLCA, mas não é por isso que deixa de ser uma experiência pioneira na exploração do ambiente espacial.


A maioria dos componentes necessários à experiência é de acesso fácil conta o presidente da secção de astronomia. A exceção é o detetor: um paralelepípedo com o tamanho da falangeta, feito de Telureto de Cádmio (CdTe), que não se encontra por ai com facilidade.


Se o projeto avançar é o LIP que empresta o detetor mas o trabalho fica ainda longe de estar concluído. Até ao lançamento agendado para setembro de 2020, há revisões de desenho e testes para realizar, explicou Henrique Neves.


O STRATOSPOLCA foi pré-selecionado. E agora?

O passo seguinte é viajar até aos Países Baixos, apresentar o STRATOSPOLCA à Agência Espacial Europeia e aguardar pela seleção final que deve ser anunciada nas próximas semanas. Nos dias 26, 27 e 28 de novembro, o grupo de cientistas vai estar no centro ESTEC da ESA, na companhia dos outros jovens que viram as suas experiências pré-selecionadas pela Agência Espacial Europeia. A apresentação do STRATOSPOLCA está marcada para o último dia do encontro, no entanto, até lá, existe um momento formativo em que os jovens vão “aprender a fazer documentação de um projeto para o espaço” e tomar conhecimento sobre as fazes seguintes do 13º ciclo Bexus. Apesar do encontro na Holanda reunir os projetos pré-selecionados para o lançamento, a lista das experiências que realmente vão de viagem até mais de 27 quilómetros de altitude, só acontece daqui a sensivelmente três semanas.


Preparação para o lançamento de um balão do Programa REXUS/BEXUS da ESA em 2010. Fonte: ESA


O número de experiências que vai fazer a viagem dentro da gôndola suspensa do balão é incerto. Henrique Neves esclarece que em “edições anteriores já voaram 6 experiências juntas como também voaram duas só”. A massa, o volume e a possibilidade de interferências entre as diferentes experiências, além da qualidade científica da proposta, são tudo fatores que a ESA vai ter em conta para a seleção final. Neste momento vale a pena perceber que forma tem o balão estratosférico. Explica Henrique Neves.


Henrique Neves considreou que este projeto “a nível técnico é um grande passo” para esta secção da Académica. Mas não só de sucessos técnicos se faz a satisfação do líder do projeto. É importante também para chegar ao público em geral, não apenas aos universitários, e provar que é possível fazer coisas sérias e tecnicamente exigentes dentro das secções da AAC e não apenas através da Universidade de Coimbra


“Construir uma experiência para deteção de Radiação Gamma de fundo com todos os sistemas de apoio e eletrónica envolvente” é o resumo da proposta que se encontra na página do projeto, no sítio da internet da SAAA/AAC. A RUC vai estar em contacto com os jovens cientistas na sua deslocação à Holanda nos dias 26, 27 e 28.


André Jerónimo

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