18/11/19

Maló de Abreu: “AAC/OAF não faz sentido enquanto tal se estiver divorciada da casa mãe”

FOTO: Rádio Universidade de Coimbra

Sem palpites nem apostas mas com Prognósticos! Esta semana estivemos na companhia de Maló de Abreu, presidente da Mesa da Assembleia Geral da Associação Académica de Coimbra / OAF.

O programa moderado por Tomás Cunha e Rui Rodrigues centrou-se exclusivamente na discussão do modelo societário do clube.

Para Maló de Abreu o referendo deve ser baseado num conjunto de princípios: Em primeiro lugar, a discussão terá de ser o mais alargada possível. Daí a convocação de um Conselho Académico (CA) onde a direção pode apresentar e o CA apreciar a proposta a referendar. Em segundo lugar, na opinião de Maló de Abreu, a Mesa da Assembleia Geral (MAG) deveria marcar as AG seguintes, a de alteração de estatutos e a do próprio referendo em concordância com o conselho fiscal e com a direção. Segundo Maló de Abreu foi o que foi feito.

Sócios da Briosa votaram a favor da SDUQ em 2013

Os 1083 votos escrutinados foram assim distribuídos: 583 a favor da SDUQ e 481 para SAD. Foram ainda contabilizados 15 votos brancos e 4 nulos.

Maló de Abreu considera que o “timing” de convocação das AG foi pressionado “pelo estado de necessidade em que a Académica se encontra”. De acordo com o presidente da MAG/AAC/OAF verifica-se a existência de obrigações que a Académica deve cumprir nos prazos devidos. Maló de Abreu admitiu a possibilidade do processo ser mais rápido mas salientou a importância da discussão sobre a matéria. Para Maló de Abreu quando os sócios votaram nas eleições para a direção em Junho, já sabiam no que estavam a votar para o futuro.

Na perspetiva de Maló de Abreu a proposta já deveria ser conhecida. Sem querer imiscuir-se nas competências da direção, o presidente da Mesa da Assembleia Geral afirmou que, se fosse direção, já teria teria divulgado a proposta. A direção perde por não o fazer, afirmou.

Maló de Abreu defendeu ainda que a decisão em causa é estrutural para a Académica. Por isso mesmo, tem de ser muito bem explicada até porque na opinião de Maló de Abreu, será irreversível.

Caso no dia 21 a alteração dos estatutos não seja aprovada na Assembleia Geral, Maló de Abreu defende que a direção se deve manter em funções.

Nota: Desde 2013 com a entrada do novo Regime Jurídico das Sociedades Desportivas (RJSD) passou a ser obrigatório o recurso à figura da sociedade desportiva (SD) para a participação numa competição profissional.

O RJSD prevê dois modelos possíveis para as Sociedades Desportivas: A Sociedade Desportiva Unipessoal por Quotas (SDUQ), em que o sócio único será sempre obrigatoriamente o clube fundador (art. 11.º e 14.º do NRJSD) e Sociedade Anónima Desportiva (SAD). Assim, não são possíveis esquemas societários não previstos na lei. Os dois candidatos às eleições à direção da AAC/OAF tinham visões divergentes acerca do modelo de gestão a adotar.

A proposta que foi apresentada no Conselho Académico pela direção, segundo fontes de conselheiros presentes, atribui 72% do capital da Sociedade Anónima Desportiva (SAD) ao investidor Banco Minas Gerais (BMG). Maló de Abreu admite que os números avançados pelos conselheiros são os corretos.

O membro dos órgãos sociais da Académica OAF considera que a decisão pedida no referendo de dia 29 é difícil mas recordou que a vida é feita de “decisões difíceis”. Maló de Abreu admite que os sócios gostariam de ter a Académica dos anos sessenta, contudo tal é impossível. O dirigente deixou ainda um aviso: A mesa da Assembleia Geral está atenta e não quer cartas na mangas durante o processo.

Para Maló de Abreu os sócios deveriam saber já tudo, para poderem estar esclarecidos sobre todos os pontos da proposta e aproveitarem a AG de dia 21 para colocar questões e esclarecer dúvidas.

Em consequência do debate realizado na Rádio Universidade de Coimbra durante o último ato eleitoral da AAC/OAF, a Direção Geral da Associação Académica de Coimbra (DG/AAC) emitiu no final de maio um comunicado, onde afirma que “o nome e o símbolo da Académica não estão à venda”. No primeiro ponto apresentado no comunicado a AAC afirma que esteve sempre disposta a colaborar com qualquer modelo de gestão salvaguardando a maioria e a dependência única dos sócios. Colocam, assim, em causa a utilização do nome e símbolo da Associação Académica de Coimbra pelo Organismo Autónomo de Futebol. No último debate para as eleições da DG/AAC, o atual presidente, Daniel Azenha realçou a posição da casa mãe. Maló de Abreu frisou que o Organismo Autónomo de Futebol não faz sentido enquanto tal se estiver divorciado da casa mãe. O presidente da Mesa da Assembleia apelou ao bom senso e às negociações entre as instituições.

No frente a frente com Diogo Vale, candidato pela Lista R aos órgãos gerentes da DG/AAC, Daniel Azenha admitiu que é possível chegar a uma situação parecida com a existente no Clube de Futebol “Os Belenenses”. Maló de Abreu sublinhou que a Académica não pode chegar à situação do clube lisboeta. O presidente da Mesa da Assembleia Geral do clube deixou ainda uma promessa: Pela sua parte a Académica não vai chegar a uma situação semelhante.

Em comunicado a Associação Académica de Coimbra / OAF SDUQ, Lda negou as notícias relacionadas com um potencial investidor japonês. Maló de Abreu admite que ouviu rumores sobre o eventual investimento nipónico mas remete a resposta para a direção do clube.

Maló de Abreu foi candidato por duas ocasiões à direção do clube. Neste momento é Presidente da Mesa da Assembleia Geral da AAC/OAF.”

No final do programa Maló de Abreu foi convidado a fazer um “Prognóstico” sobre o futuro do clube. O médico dentista e atual deputado na Assembleia da República espera que não exista qualquer tipo de “jogo escondido”. Maló de Abreu espera frontalidade, lealdade e respeito no processo que pode culminar com a mudança do sistema societário da Académica.

A Rádio Universidade de Coimbra vai seguir de perto os desenvolvimentos deste tema, trazendo à antena nos próximos dias protagonistas da proposta de alteração do modelo societário da AAC-OAF.

Tomás Cunha e Rui Rodrigues

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