13/11/19

Eleições AAC: RUC e A Cabra colocam Daniel Azenha e Diogo Vale frente-a-frente

Terça feira (12) foi dia de debate. Os dois candidatos à Direção Geral da Associação Académica de Coimbra (DG/AAC), Daniel Azenha pela Lista C (Académica Contigo) e Diogo Vale pela Lista R (Reerguer a Academia), defrontaram-se e puseram à prova as bandeiras da sua candidatura. O debate contou com a moderação do editor da Rádio Universidade de Coimbra (RUC) Tomás Cunha, em parceria com o Jornal Universitário de Coimbra – “A Cabra”, representado por Luís Almeida. Diretamente do Auditório Central do Pólo 3, para o éter da RUC, em 107.9 FM.

Foram vários os temas que mereceram uma posição dos candidatos, a começar com (a falta de) interesse da comunidade estudantil em participar na Academia.

Daniel Azenha, estudante de mestrado em Geografia Humana, Planeamento e Territórios Saudáveis na Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra, que tenta a sua sorte para mais um ano de mandato com o projeto “Académica Contigo”, foi o primeiro a intervir.

Diogo Vale, estudante de 3º ano do mestrado integrado de Medicina na Faculdade de Medicina da Universidade de Coimbra (FMUC), respondeu que, na visão da Lista R, a ação da atual DG/AAC foi insuficiente. Agiam de forma autónoma, descolada do corpo estudantil que representam, sem transparência.

E explanou o plano de ação do projeto “Reerguer a Academia”. O que fariam de diferente da atual DG? Ter um papel “muito mais ativo”.

Daniel Azenha comprometeu-se a continuar o trabalho começado no mandato anterior, que ainda tem frutos a colher, e pediu para que todos olhassem e avaliassem os feitos que cultivou neste último ano. Os números não enganam: houve uma maior aproximação da DG à Academia, nas palavras do atual presidente da DG/AAC. Situação que, ainda assim, não conformou o candidato pela Lista R.

Em ambos os manifestos falavam do RJIES criado em 2007 e consideram que a representação dos estudantes no Conselho Geral da UC, órgão máximo, é bastante reduzida; porém quando chega à hora das votações, registam-se elevadas taxas de abstenção para momentos eleitorais como é o caso da eleição para a Direção Geral e Mesa de Assembleia Magna. Não acham que há uma contradição entre a vontade de aumentar a representação de estudantes no órgão máximo da UC quando estes não se movem em momentos eleitorais? Diogo Vale acha que sim.

Começou por salientar que a questão do RJIES vem sendo arrastada há muito tempo. E considerou que a aplicação do atual regime é “completamente antidemocrática”.

E acrescentou que sim, há uma ligação entre a desmotivação e taxas de abstenção em momentos eleitorais da Academia com o RJIES em vigor. Aliado a uma atuação de uma DG que promove esse mesmo interesse. Diogo Vale usou as cantinas amarelas como exemplo dessa atuação.

Daniel Azenha, assim como a Lista R, concordou que há uma desvalorização dos estudantes nos órgãos da UC. E acrescentou que a DG já se manifestou por essa falha, mais recentemente, durante o cortejo da Latada. Tem de existir uma maior presença dos estudantes nesses organismos.

O cabeça de lista do projeto “Académica Contigo” não concordou com a posição de Diogo Vale. Não há um afastamento da DG da comunidade estudantil que representa. Exemplo disso foram o maior número de Assembleias Magnas, com maior participação registada quando comparada com anos anteriores. “E contra os números não há factos”.

No meio da discussão sobre o RJIES, mais tópicos foram levantados. A dificuldade de alojamento em Coimbra foi auscultada, com um enfoque nas residências. Pouca oferta para muita procura. Mas Daniel Azenha adiantou que, apesar da aprovação de um Plano de Alojamento Nacional aquém das expectativas da DG/AAC, pelo menos existiu um aumento de camas a oferecem aos estudantes da Universidade de Coimbra.

Daniel Vale recusou o pensamento de “se olhar para aquilo que se conseguiu” como plataforma para a candidatura da Lista C, porque é altamente falaciosa.

Coube a Daniel Azenha o direito de resposta: a DG/AAC teve um papel importante em conquistas como a refeição social na cantina amarela. Uma vitória, no final de contas, para todos os estudantes.

Do RJIES a atenção voltou-se para o edifício da Associação Académica de Coimbra e o que ele alberga. Começando com o Museu Académico: uma solução para voltar a atrair os estudantes ao edifício.

Para Diogo Vale o Museu Académico não é prioridade, mas sim as secções que existem no edifício.

Sobre o edifício da AAC: há muito que é reconhecida uma necessidade de reestrutração da Casa que alberga 15 secções culturais, 26 secções desportivas (e ainda a crescer), 10 organismos autónomos, sem espaços para todos eles. “Se isto é efetivamente um problema, então, temos de gerir as nossas prioridades e pôr sempre a Académica como a nossa primeira prioridade”, explicou Diogo Vale.

Daniel Azenha lembrou ainda que existe um Estatuto que obriga a DG/AAC À reorganização do edifício, que implica a entrega de um regulamento para o mesmo fim, algo que a atual DG cumprirá com a entrega do relatório de final de mandato.

Mais acrescenta que é, realmente, necessária uma reorganização da casa. E questionado sobre a passagem da propriedade/da gestão do edifício da UC para a DG, Daniel Azenha relembra que essa foi uma promessa do antigo reitor, e que ainda há muito a trilhar.

Os jardins são outro espaço auscultado pelos candidatos. Para os dois: pouco e mal aproveitado, como interviu Daniel Azenha com um desabafo: “é uma das questões que mais me entristece na Académica”. Daniel Azenha refere que não se pode esquecer as contas e responsabilidade financeira da Associação Académica de Coimbra. Afirma que num plano perfeito o Bar seria da inteira gestão dos estudantes e da associação, mas neste panorama não é possivel. 

Diogo Vale também teceu uma análise sobre o mesmo ponto: o bar da AAC foi a personagem principal deste comentário; ponderou a realização de uma conceção do bar, principal figura de captação dos estudantes.

Sobre os órgãos da casa, Daniel Azenha deixou clara a necessidade de ajudar as secções culturais. Admitiu a falha na realização da feira cultural que teve muito pouca adesão. Ficou uma promessa da realização de nova edição, em moldes diferentes, para que haja mais mobilização para este tipo de atividades.

Em relação à ligação com a AAC, Diogo Vale, considerou que deve haver uma aproximação maior aos estudantes para os esclarecer e trazer para o centro da discussão. 

As propinas e (alternativas ao) financiamento de Ensino Público foram outro tópico debatido. A propina é para abolir, concordam as duas listas. Já na visão do candidato da Lista R, o financiamento da UC deve ser público.

Diogo Vale apelou também à união dos estudantes, a nível nacional, de se manifestarem pelo fim da propina. Responsabilizou a DG como veículo de mobilização desta massa.

Daniel Azenha concorda: deve ser o Estado a garantir o ensino público. Uma realidade que deve ser, por extensão, aplicada aos estudantes internacionais. Outro ponto onde os dois candidatos concordam.

Mas ressalva que há ainda que esperar pelo Orçamento de Estado para o próximo ano.

O ambiente, ou agenda verde, foi mais um dos tópicos debatidos pelos candidatos. Daniel Azenha foi o primeiro a intervir em resposta à realidade vivida no edifício da AAC, pelo atraso na aplicação de algumas das medidas propostas no sentido de diminuir a pegada ecológica no edifício da Academia, como a aplicação de poucos pontos de reciclagem no mesmo. O candidato da Lista C aproveitou para enumerar mais necessidades no edifício que carecem de aprovação da reitoria.

A instalação, já na próxima semana, de pontos de reciclagem no edifico sede da AAC. O uso de copos reutilizáveis nos bares do edifício sede já em 2020. O uso de carrinhos reutilizáveis no cortejo da latada. O racionamento do número de latas que passeia com os estudantes nos carros do desfile da Queima das Fitas, a renovação da instalação elétrica do edifico sede, entre outros, foram os problemas levantados pelo candidato.

Diogo Vale elevou a questão climática como uma questão importante “não só para a Académica, como para toda a gente”. E exaltou o trabalho da secção cultural Grupo Ecológico pelo trabalho desenvolvido no tema.

Estes e outros temas podem ser ouvidos na íntegra no mixcloud (aqui), bem como o debate entre os candidatos à Mesa de Assembleia Magna (aqui).

Na terça-feira (19) há contagem dos votas que vai ser acompanhada ao minuto pela RUC, com convidados, entrevistas com candidatos e antigos dirigentes da AAC e diretos das várias secções de voto. Para ouvir em 107.9 FM ou ruc.fm.

Cátia Soares

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