19/10/19

Anozero’19 – Bienal de Coimbra chega em novembro para inquietar a cidade

Serão 39 artistas, consagrados alguns, muitos deles “emergentes improváveis ou promissores”. Quase metade, 19 são mulheres. Nacionalidades são 21. Os nacionais vêm de Coimbra mas também de cidades como Viseu, Leiria, Óbidos, Viana do Castelo, Lisboa e Porto.

Vão expor em 9+1 lugares da cidade que tem na Universidade de Coimbra (UC), Alta e Sofia, património da Humanidade. O Convento de Santa-Clara-a-Nova que abriu para a segunda bienal continua no roteiro assim como o edifício Chiado do Museu Municipal ou o Museu da Ciência.

A Sala da Cidade que a primeira bienal (2015) restituiu ao traço original com a desconstrução de Cabrita Reis, é local de passagem obrigatório para observar a obra do brasileiro José Spaniol.

Como novidades nos locais que entram no percurso da Anozero’19 temos as Galerias Avenida, e o Jardim da Manga. Nos claustros deste último acontecerá uma instalação sonora que parte dos fundos musicais da Biblioteca Geral da Universidade de Coimbra (BGUC).

Sabemos agora o que nos vai trazer a terceira edição da Anozero, a Bienal de Arte Contemporânea de Coimbra, que vai decorrer de 2 de novembro a 29 de dezembro. Exposições, programa de ativação e livro são promessas que vão envolver artistas convidados, alunos de estudos curatoriais da UC em colaboração com a Esfera CAPC (Círculo de Artes Plásticas de Coimbra).

A responsabilidade da organização da Anozero pertence, desde a primeira edição, ao Município de Coimbra, Universidade de Coimbra (UC) e CAPC.

A Terceira Margem do rio”, o conto do escritor brasileiro João Guimarães Rosa deu o mote – “A Terceira Margem” é o lema da Anozero’19. A história de um homem que se despede da família, se remete ao silêncio e se isola numa canoa no meio de um rio transpõe-nos para a arte deste tempo em que muitos são aprisionados sobre as águas. Águas que podem ser de mar mas que também podem ser de um Mondego, o rio que divide a cidade que esta bienal quer pensar e unir, através da Arquitetura e das propostas artísticas que apresenta.

“Uma das obras convidadas que fazia muito sentido ter”, nas palavras do curador-geral, Agnaldo Farias, e que vai ser visitada no Colégio das Artes da Universidade de Coimbra, é a obra de Steve McQueen, um vídeo que ele realizou a partir da Voyager, a sonda que viaja no espaço entre as estrelas e que transporta uma mensagem com voz humana, para ir ao encontro da possibilidade “descabelada” de um dia ser ouvida por alguém.

Com esta Bienal “buscamos contacto”, não o comercial mas sim aquele que “não é fácil” e que busca artistas e cientistas “aqueles que dão as costas para o que é conhecido” e colocam perguntas e têm dúvidas, “e que produzem algo que num primeiro momento não é compreendido”, afirmou o curador-geral em conferência de imprensa, de quarta-feira, dia 16.

No corredor central do Convento de Santa-Clara-a-Nova, vamos poder emergir na obra de Daniel Senise, artista brasileiro que trabalha a memória dos lugares “mergulha no tempo e não tanto no espaço”. O curador revela que a obra vai estabelecer uma relação com as freiras que viveram no local e até com o quartel que em dado momento da vida do Mosteiro habitou o espaço.

“A Anozero’19 é muito mais do que uma exposição”, como projeto educativo tem um programa de ativação e tem um livro onde os artistas exprimem pensamento e explicam processos de trabalho. Para laborar palavras poéticas a partir da obra de Guimarães Rosa foram convidados alguns escritores (Clara Rowland, Isabel Carvalho, João Paulo Borges Coelho, Peter Pál Pélbart e Samuel Titan). A obra vai estar disponível no sitio da Internet da exposição, adiantou Agnaldo Farias

O “grande contingente de jovens artistas” é uma das propostas da terceira bienal de Coimbra. Uma aposta com “risco pelo desconhecido”, numa cidade que ao longo do tempo tem acolhido jovens gerações mais e menos inquietas. “Shiu! O diálogo do silêncio” a exposição que acontece na Sala de São Pedro da Biblioteca Geral da Universidade de Coimbra procura “revisitar os momentos de tensão” entre estudantes e representantes do Estado Novo em 1969. Filmes de António Reis e Margarida Cordeiro têm espaço na programação convergente e vão ter lugar no Teatro Académico de Gil Vicente (TAGV) a 6 e 7 de dezembro. O cinema e a música são destaques do curador-geral.

Na programação convergente estão incluídos produtores culturais da cidade de que a Galeria V, Casa das Artes da Fundação Bissaya Barreto  e o Círculo de Iniciação Teatral da Academia de Coimbra são exemplos.  

A inauguração de “A Terceira Margem” acontece no dia 2 de novembro.  O momento conta com performances de Luís Lázaro Matos, do artista em residência Daniel Melim e de uma «on going action» por Alexandra Pirici. A cidade espera voltar a ser surpreendida como aconteceu na inauguração da primeira em 2015 em que Cabrita Reis convidou Coimbra a lutar pela sua bienal porque “nada na vida está garantido”.

#Anozero – Pedro Cabrita Reis convida #Coimbra a lutar pela sua bienal. "Nada é fácil, nada é dado", tudo "tem de ser construído", afirmou o artista que tem na Sala da Cidade uma escultura que resulta da destruição criativa dos painéis que forravam o espaço.

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Cabrita Reis na inauguração da primeira Anozero

Na conferência de imprensa marcaram presença o vice-reitor da UC, Delfim Leão, a vereadora da cultura da Câmara Municipal de Coimbra, Carina Gomes, o presidente do Turismo Centro de Portugal, Pedro Machado, o diretor do CAPC, Carlos Antunes, o curador-geral, Agnaldo Farias e a curadora-adjunta Lígia Afonso. O curador-adjunto, Nuno de Brito Rocha ficou retido por motivos de trabalho em Berlim. 

A organização conta com um orçamento de 500 mil euros para realizar a bienal, 75 por cento dos quais são apoios da CMC e da DGArtes, cerca de 25 por cento provêm de empresas privadas. O corpo de voluntários é outro dos elementos de suporte desta bienal

Pode consultar a programação aqui.

Em 2015 foi assim…

Isabel Simões

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Sat, 16 Nov 2019 01:30:15 +0000