15/10/19

Jublileu dos Santos Mártires e de Santo António acolhe programa cultural e científico

De Lisboa para Coimbra depois Pádua para abraçar o mundo, Santo António que nasceu Fernando, impressionado com a chegada das relíquias dos cinco frades italianos martirizados que tinham ido evangelizar Marrocos, ingressou no convento de Santo António Abade dos Olivais, em Coimbra tornando-se franciscano. No Mosteiro de Santa Cruz repousam as relíquias dos Santos Mártires desde então.

A cidade vai prestar-lhes homenagem a partir de 2020, ano de Jubileu dos Santos Mártires de Marrocos e de Santo António, 800 anos depois, por decisão do Papa Francisco, a pedido do Bispo de Coimbra. O concerto da “Missa de Santo António” e “Missa de S. Francisco” do maestro António Victorino d’ Almeida, assinala um dos pontos altos da celebração, a 19 de julho do próximo ano.

Em 12 de Janeiro de 2020 abrem-se as portas do “Ano Santo” na Igreja de Santa Cruz. O Jubileu encerra a 17 de janeiro de 2021 com um concerto final no Convento São Francisco, a oratória “De Fernando se fez António”.

Durante pouco mais de um ano terá lugar um programa cultural para além das celebrações religiosas.

Na apresentação do programa, ontem, em conferência de imprensa, o Bispo de Coimbra, Virgílio do Nascimento Antunes formulou votos de que “o Jubileu, além dos seus objetivos específicos”, possa trazer a possibilidade de um conhecimento “mais profundo do significado do Mosteiro de Santa Cruz de Coimbra”, parte significativa da história “da cidade e do nosso país”, disse.

Um ciclo de palestras intitulado “Diálogos com António” vai ter lugar no primeiro semestre, em cada primeiro domingo de cada mês, no Mosteiro de Santa Cruz. As temáticas em análise vão passar por aspetos da vida de António mas também por temas bíblicos, sociais, económicos e europeus.

Um congresso científico com a colaboração de investigadores da Universidade de Coimbra acontece no ano de encerramento logo em Janeiro. Ou não tivesse sido Santo António um dos poucos doutores da Igreja, mencionou o Bispo de Coimbra.

O martírio dos mártires de Marrocos, evoca para Virgílio do Nascimento Antunes a necessidade de continuar no futuro incrementar o diálogo inter-religioso. No discurso de apresentação o Bispo de Coimbra não esqueceu o papel que as religiões têm no mundo atual.

Do programa cultural de celebração consta também um ciclo musical. No segundo semestre, o Mosteiro de Santa Cruz acolhe, nos primeiros domingos do mês, concertos comentados a terem lugar pelas 16 horas, um pouco antes do momento religioso “Domingo Jubilar”.

Presente na apresentação o presidente da Câmara Municipal de Coimbra (CMC), Manuel Machado destacou a importância de cuidar da memória e lembrou a deliberação da autarquia de há 200 anos que instituiu como protetores da cidade, São Teotónio, a Rainha Santa e os Santos Mártires de Marrocos. “Perder a memória é perder o futuro”, alegou Manuel Machado para justificar o apoio do município.

O turismo religioso tem uma expressão muito forte na Região Centro. O Santuário de Fátima e a passagem pela região dos Caminhos de São Tiago são dois motivos para que a área se tenha desenvolvido. O presidente da Região Turismo Centro de Portugal, Pedro Machado, esclareceu que o crescimento do turismo na região é superior em percentagem ao crescimento no país e que agora “outros desafios se colocam”.

Carina Gomes, vereadora da cultura da CMC, explicou como a programação cultural da cidade se insere na celebração. A “Festa da Flor e da Planta” assim como a “12ª Mostra de Doçaria Conventual e Regional de Coimbra” vão ter como inspiração Santo António e Berardo, Otão, Pedro, Acúrsio e Adjuto, Santos Mártires de Marrocos. A vereadora da cultura da CMC revelou que vai ser lançado um desafio aos doceiros de Coimbra para que criem de raiz um doce alusivo ao Jubileu.

Na sessão de apresentação marcaram presença Frei Severino Centomo, Guardião do Convento Franciscano de Santo António dos Olivais de Coimbra e o Padre Francisco Claro, Vigário Paroquial da Santa Cruz de Coimbra. Coube ao último a apresentação do programa notando que o mesmo continua aberto à contribuição de cidadãos e instituições da cidade. Mais informação sobre o programa aqui.

Isabel Simões 

6
2
30
0
GMT
GMT
+0000
2019-11-16T02:30:20+00:00
Sat, 16 Nov 2019 02:30:20 +0000