29/09/19

Legislativas’19: Clima (d)e eleições

Fotografia: Jornal Universitário “A Cabra”

No meio da massa humana que desceu do Jardim Botânico da Universidade de Coimbra à Praça 8 de Maio na marcha da greve climática estudantil denunciavam-se pelas bandeiras, faixas, autocolantes, pins, camisolas, ou trajes completos, as representações partidárias e associativas.


O Bloco é ecologista

José Manuel Pureza, cabeça de lista do Bloco de Esquerda às Legislativas estava junto da estátua de Avelar Brotero quando falou à Rádio Universidade de Coimbra. Afirmou que este é “o combate das nossas vidas” em que as pessoas se juntam, “diante de uma catástrofe”, para exigir “politicas eficientes, não apenas palavras”. O cabeça de lista do Bloco de Esquerda referiu as questões da ação individual – “as mudanças do estilo de vida” – mas considerou que “se não houver alterações importantes na política de transportes, na política habitação e na política energética, nada será suficientemente eficiente”. O controlo público de algumas empresas estratégicas, como a EDP, “tem a ver com questões de justiça mas também tem a ver com questões de eficiência no combate às alterações climáticas”.

José Manuel Pureza do Bloco de Esquerda

o MAS também é ecologista

Sílvia Franklin, o primeiro nome da lista do Movimento Alternativa Socialista (MAS), clarificou que “as reivindicações pelo ambiente estão na moda mas já fazem parte do programa e daquilo que ideologicamente é o MAS desde a sua fundação”. No seu enquadramento marxista, afirmou, caracterizam o problema do ambiente como “endémico ao sistema [capitalista] em que vivemos”. Diz ainda a candidata que o capitalismo não é verde, não é reformável e “não vai permitir que tomemos o futuro nas nossas mãos”. No entendimento do MAS, fazer planos para 2050 é impraticável; são necessárias medidas para controlar a indústria automóvel, nacionalizar o setor energético e reforçar o transporte público.

Sílvia Franklin, cabeça de lista do MAS pelo círculo de Coimbra

Os professores são ecologistas e a escola também

Em frente à Câmara Municipal de Coimbra encontrámos o secretário-geral da FENPROF, Mário Nogueira, um dos três dirigentes nacionais que ali se encontravam. Uma “representação pessoal e institucional” uma vez que “esta é uma matéria que aos professores e às escolas diz muito respeito”, disse. Mário Nogueira trazia um autocolante na camisa: na zona do coração estava escrito “#capitalismo não é verde”. O secretário-geral da FENPROF rebateu que fosse uma mensagem para a campanha eleitoral com a convicção que se trata de “uma mensagem de todos os dias”.

Secretário-geral da FENPROF, Mário Nogueira

A campanha eleitoral tem despertado outras preocupações à estrutura sindical. A falta debate sobre a educação e a “absoluta nulidade” que são António Costa e Rui Rio no tema, estão a ser compensadas pela Federação Nacional de Professores com a promoção de debates e a divulgação de respostas dos partidos a perguntas colocadas pela estrutura sindical.

Secretário-geral da FENPROF, Mário Nogueira

O PEV é o PEV

O irmão mais velho da luta ecológica – e aquele do qual se pode realmente dizer que é ecologista desde pequenino – não deixou de estar presente para reafirmar o compromisso com o futuro do planeta e com as gerações vindouras. As questões ecológicas estão na Assembleia da República desde 1983 pela mão do Partido Ecologista “Os Verdes” (PEV). Na manifestação da greve climática estudantil o número quatro da lista da CDU por Coimbra – o único membro do Partido Ecologista “Os Verdes” na candidatura pelo circulo eleitoral – Paulo Coelho, quis estar com os jovens para lhes dizer que de facto há quem esteja atento ao clima e a trabalhar sobre o tema há 37 anos. O PEV apresenta 12 compromissos para as legislativas, que em conjunto com o Programa Eleitoral do PCP, fazem a coligação eleitoral da CDU. Agir pelo clima é o primeiro desses compromissos e Paulo Coelho destacou o reforço do setor primário, a melhoria do rendimento dos agricultores e a melhoria da eficiência energética. Segundo o candidato a deputado, a experiência do PEV diz que o capitalismo é incompatível com a ecologia, tal como “licenciar furos de petróleo na nossa costa, um dos quais não é na costa mas é na Bajouca, aqui bem próximo”.

Paulo Coelho do Partido Ecologista “Os Verdes”, candidato a deputado pelo círculo eleitoral de Coimbra.

e o presidente da câmara “não aprecia” o capitalismo verde

A marcha teve hora de inicio marcada para as cinco da tarde e concentrou-se em frente à Câmara Municipal de Coimbra depois de descer a Avenida Sá da Bandeira. No município decorria a sessão ordinária da Assembleia Municipal, interrompida para que presidente da câmara, vereadores e deputados municipais viessem à rua olhar os mais de 300 cidadãos e as suas palavras de ordem. A presença dos autarcas foi ovacionada e duas das jovens organizadoras da marcha, Rita e Carolina, exigiram mais ações da parte do poder local para melhorar a reciclagem, os transportes e introduzir programas de formação de professores para a educação ambiental nas escolas. Depois de debater com as estudantes e referir que “não podemos fazer do ambiente um negócio”, o presidente respondeu à questão que mais ocupou a tarde política da reportagem RUC. “Não aprecio o capitalismo verde”, disse Manuel Machado.

O presidente do município “não aprecia o capitalismo verde”

André Jerónimo

1
20
13
0
GMT
GMT
+0000
2019-10-21T20:13:54+00:00
Mon, 21 Oct 2019 20:13:54 +0000