29/09/19

As medidas da DG/AAC além da participação na marcha pelo clima

Fotografia: Jornal Universitário “A Cabra”

Mais de três centenas de pessoas desceram do Jardim Botânico à Praça 8 de Maio no contexto da greve climática estudantil de sexta-feira. A Associação Académica de Coimbra (AAC) esteve representada por direção e algumas secções culturais, numa marcha que levou miúdos e graúdos a reclamar que “não há planeta B”.

E como desta vez o assunto do ambiente não veio só de passagem, esperam-se outras concretizações além do passeio a pé entre a alta e a baixa de Coimbra.

Do corpo dos estudantes trajados só se viam as cabeças e alguns ombros, tal a altura da faixa que lhes pendurava das mãos e onde se lia “A ACADEMIA NÓS MUDAMOS, O PLANETA NÓS SALVAMOS”. O momento para reclamar a sustentabilidade planetária é estratégico mas pode não ser o mais feliz naquilo que é o calendário das celebrações universitárias. A Festa das Latas só arranca a 9 de outubro mas as noites ávidas de hidratação da época de integração dos caloiros já começaram. Os despojos estão um pouco por todo o lado e o próprio jardim do quarteirão académico era depósito de vários resíduos plásticos na manhã do dia da greve climática. De acordo com o aluno do curso de Geografia e presidente da Direção Geral da Associação Académica de Coimbra (DG/AAC), Daniel Azenha, estão já a ser pensadas algumas medidas efetivas:

  • instalação, já na próxima semana, de pontos de reciclagem no edifico sede da AAC, processo que deverá ocorrer nas faculdades por ação da reitoria;
  • uso de copos reutilizáveis nos bares do edifício sede já em 2020;
  • uso de carrinhos reutilizáveis no cortejo da latada;
  • racionamento do número de latas que passeia com os estudantes nos carros do desfile da Queima das Fitas;
  • renovação da instalação elétrica do edifico sede.
Entrevista ao presidente da DG/AAC antesda marcha entre Botânico e Praça 8 de Maio.

Segundo o presidente da DG/AAC, outras medidas relativas à Festa das Latas vão ser apresentadas na Assembleia Magna da próxima segunda-feira.

Uma questão de timming

Daniel Azenha encabeçou o bloco dos estudantes de capa negra que às cinco da tarde estavam alinhados junto à porta do Jardim Botânico da Universidade de Coimbra. À Rádio Universidade de Coimbra revelou satisfação na representação conseguida e afirmou que a presença na marcha se faz com o objetivo de proteger as juventudes, atuais e futuras. Realçou que esta mensagem “não pode ser uma moda” e pediu ao próximo governo que “não assobie para o lado”.

A associação à greve climática por parte da AAC foi revelada no Auditório da Reitoria durante o evento de acolhimento geral da Universidade de Coimbra aos novos estudantes. Daniel Azenha considerou que a legitimidade da Direção Geral para tomar a decisão é incontestável uma vez que a estrutura diretiva da académica “tem o papel de decidir a nível político”, além de estar em causa uma questão de timming devido ao momento do ano em que estamos. As eleições para a DG/AAC são “para isso mesmo e portanto, nem tudo tem que ir a Assembleia Magna. Obviamente que se fosse dava ainda mais força mas a direção geral tem a legitimidade total para convocar e pedir que os estudantes participem nesta manifestação”, disse o presidente.

Felicidade e motivação por ver a mobilização conseguida a uma sexta-feira foram os sentimentos revelados pelo dirigente. “Uma vez que foi a direção geral que também deu o mote para que os estudante do ensino superior possam estar presentes na manifestação, é algo que me deixa muito satisfeito.”

Foi a primeira vez que a DG/AAC participou na marcha da greve climática estudantil. Outros órgãos da casa, como o Grupo Ecológico e a Secção de Defesa dos Direitos Humanos, já tinham estado presentes na greve do passado mês de março e repetiram a dose na sexta-feira passada.

André Jerónimo

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