24/09/19

LEGISLATIVAS ’19: Debate

No âmbito da cobertura das eleições legislativas, a Rádio Universidade de Coimbra promove, nesta terça-feira (24), no Café–Teatro do Teatro Académico de Gil Vicente, um debate entre alguns dos cabeças de lista pelo circuito eleitoral de Coimbra. Na mesa, participam José Manuel Pureza, do Bloco de Esquerda, Rui Lopes da Silva, do CDS-PP, Manuel Rocha, da CDU, Sandra do Carmo, do PAN, Mónica Quintela, do PSD e Marta Temido, do PS. A ordem das respostas foi definida por sorteio.

O debate foi dividido em quatro momentos: inicia-se com a apresentação das candidaturas, seguido por três rondas de perguntas sobre educação e ensino superior, região de Coimbra e ainda âmbito nacional. Após, passa-se para ronda será de alegações finais livres. Por fim, as perguntas colocadas pelo público serão respondidas pelos cabeças de lista.

Acompanhe abaixo as manifestações dos candidatos:

18h10 – CDU: 2015 estávamos em situação de emergência nacional. Há um caminho, que pode resultar de vitórias, mas há necessidade de voltar a produzir.

18h14 – CDS: Não nos contentamos com o que foi alcançado nos últimos quatro anos — representaram uma oportunidade, única, perdida. O país não conseguiu, por incapacidade do governo, acompanhar o crescimento internacional. País reprimido por carga fiscal como nunca se viu, além de uma degradação dos serviços públicos. Motiva-nos um grave problema relacionado com a demografia, para ter um país mais distribuído.

18h17 – PS: É possível consolidar a recuperação e ir mais longe. O desafio para os próximos quatro anos é fazer ainda mais e melhor. Focamos em quatro áreas que mobilizam os portugueses: alterações climáticas, sociedade digital, demografia e desigualdades. Além disso, pretendemos reforçar os serviços públicos e a soberania nacional.

18h20 – BE: A candidatura do Bloco parte de uma avaliação da trajetória dos últimos quatro anos. Conseguimos iniciar um caminho que promova maior justiça, com maior economia, que precisamos aprofundar. O que falta? Falta basicamente investir em serviços essenciais, como ensino superior. Portugal, por exemplo, 54% de financiamento público, contra média da União Europeia de 78%. Precisamos aprofundar o combate contra a precariedade. Falta, também, um grande programa nacional contra as alterações climáticas.

18h23 – PAN: Partido diferencia-se por apresentar outra perspectiva quanto à vida em comunidade, especialmente quanto aos animais e ao ambiente. Precisamos repensar nossa vida em comum. Em Coimbra, o PAN visa chamar atenção de todos para o fato de que não vivemos isolados – e que este mundo não pode ser utilizados pelo nosso bel-prazer.

18h27 – PSD: Portugal foi alvo de uma recuperação económica, mas vivemos um quadro de miséria nos últimos quatro anos. Hoje temos mais impostos e piores serviços, com grandes tempos de espera na saúde, por exemplo. É isso que motiva a candidatura do PSD.

18h30 – Começa a primeira ronda de perguntas, sobre educação e ensino superior:

18h32 – CDS-PP: Os principais problemas hoje são a democratização do acesso e da permanência no ensino superior. A ação social está muito aquém do desejado. Em Coimbra, a questão do alojamento também requer cuidados. É preciso uma ação urgente para resolver esses dois problemas. Propomos mudanças no valor das bolsas e nos critérios de elegibilidade para elas. No âmbito dos alojamentos, reconhecemos que este pode ser o maior problema para que os alunos sigam no ensino superior. Precisa ser o estado, as autarquias, e, aqui, a Câmara Municipal de Coimbra, que se manifestem para resolver. Há prédios que podem tornar-se residências universitárias e, assim, aumentando o número de camas.

18h36 – PS: O Plano Nacional de Alojamentos enquadra-se em uma nova política de habitação, mas não restringe-se apenas a Lisboa e Porto. O nosso plano é, além do esforço que já está a ser feito, de criar 12 mil camas fora de Lisboa e Porto. Vamos continuar a trabalhar nesta área. Sempre que possível, envolve a recuperação de prédios que não sejam atualizados, mas não só.

18h39 – BE: Encaramos o ensino superior como um bem público ou não? A escolha que fazemos é de que o ensino superior deve ser assumido como um bem público de importância estratégica para o país. Implica, concretamente, que o financiamento ser financiado pelas famílias, contraria a ideia de bem público. Fez-se um caminho com a redução das propinas, mas é apenas o início. A habitação, especialmente universitária, também é um bem público, e deve ser tratada como tal. Deve haver uma oferta pública de habitação muito maior que a atual. No que tange às carreiras envolvidas no ensino superior, é necessário distanciar-se da precarização.

18h45 – PAN: Tem de existir preocupações sólidas e sérias quanto aos docentes. Há uma grande precarização hoje em Portugal. Há pessoas que desenvolvem toda sua trajetória académica a custa de bolsas, muitas vezes, muito pequenas. O ensino superior tem que ser entendido como prioridade de qualquer país. Assim, é preciso dotá-lo de maiores recursos. Relativamente aos estudantes, estamos de acordo com os itens aqui focados, mas destacamos a necessidade de começarmos a alargar os fatores que permitem a entrada dos estudantes nas universidades.

18h49 – PSD: Defendemos a generalização do acesso ao ensino superior, mas também a descentralização entre Lisboa, Porto e também Coimbra. Defendemos que devem ser facultadas mais e melhores residências para os estudantes, que as próprias instituições sejam responsabilizadas pelo sucesso deles. Há que se investir em novas formas pedagógicas, no intercâmbio entre alunos e no contato com o mundo profissional. Tem que haver o ensino público, e que seja de excelência.

18:54 – CDU: Realça o subfinanciamento do ensino superior e a falta de contratação de novos professores que criam um gap geracional. A Universidade de Coimbra não quis acionar o PREPAP. O regime fundacional não faz sentido, tem que existir autonomia para várias coisas mas sem a transformação. há um condicionamento grande da gestão de despesas. Defende a oferta publica, o reforço do sistema de investigação nas universidades.

19h00 – Começa a segunda ronda de perguntas, sobre a região de Coimbra

19h01 – PS: sobre o afastamento de algumas populações de determinados territórios e o despovoamento, afirma que a desertificação tem raízes antigas. Marta Temido diz que é por vezes uma opção que leva em conta a qualidade de vida. Mas os serviços públicos não são por vezes rentáveis ao nível da gestão em alguns sítios, como uma maternidade. Mas para inverter a realidade tem que se garantir esses serviços em condições. A ferrovia é aqui essencial para ligar as povoações.

19:04 – BE: as duas maternidades que existem em Coimbra são de alto nível e garantem um ótimo acompanhamento, pelo que se deve pensar nisso face ao pensamento de uma nova maternidade. Há um envelhecimento das equipas clínicas nas 2 maternidades (Daniel de Matos e Bissaya Barreto), e isso viu-se no verão nas escalas clínicas. Tem que se contratar mais e formar. É contra a hiper contração no pólo de Celas e a favor da construção da nova maternidade no pólo dos Covões.

19:10 – PAN: Sandra do Carmo afirma que as questões do clima não estão a ser focadas pelos outros candidatos. Fala das questões da mobilidade na cidade, do tratamento dos lixos. Afirma que falta debate na sociedade sobre as questões ambientais e vida em comum mais sustentáveis.

19:14 – PSD: sobre as afirmações da falta de fixação de jovens em Coimbra e de uma cidade a envelhecer e a empobrecer, Mónica Quintela relembra que a natalidade e a coesão territorial são reformas estruturais estabelecidas no plano do PSD. Aumentar o transporte para o interior, propor creches gratuitas até aos 5 anos, aumentar o turismo. Crítica as obras no IP3 e quer uma autoestrada. Crítica estrada entre soure e arganil, estradas para pampilhos da serra, estrada para a figueira da foz, etc. Afirma que há crianças que se levantam cedíssimo para ir para a escola. Havia fundos para a maternidade estabelecidos por Paulo Macedo, ministro da saúde do PSD, na legislatura anterior. Há estudos que continuam escondidos. O metro mondego é outro assunto que continua por resolver. Acusa Marta Temido de dizer que só em 2023 fica pronto, quando o secretário de estado diz que fica pronto em 2019.

19:19 – CDU: o PCP e PEV têm sempre falado do ambiente (respondendo a Sandra do Carmo do PAN que acusou os outros partidos de não falar do ambiente).

19h24 – CDS: O CDS tem uma grande ambição para a região Centro, liderada por Coimbra, mas é necessário investimento. Já foi sinalizado pelo governo que Aveiro poderia ser um terceiro polo, além de Lisboa e Porto, mas o partido defende que Coimbra seria ideal para este fim. O candidato sublinha o estatuto de benefício fiscal para as empresas que queiram se fixar no interior, como forma de gerar riqueza nesta região.

19h29 – Começa a terceira ronda de perguntas, de âmbito nacional

19h30 – BE: questionado sobre a proposta de repensar a política de drogas, o candidato aponta que a mudança auxiliaria no sentido de retirar o estigma negativo sobre usuários de drogas, mudar lógica de atendimento para a saúde e melhorar a reinserção dessas pessoas à sociedade. Faz também uma crítica sobre o consumo excessivo de álcool.

19h32 – PAN: “essa é uma ideia falaciosa”, afirma a cabeça de lista do PAN, quanto a críticas de que o partido seria “monotemático” ao focar nos animais e na natureza.

19h36 – PSD: sobre a redução de deputados, afirma que não haveria perda para as regiões. Defende uma maior participação cívica e democrática, em resposta a altos números de abstenção nas eleições.

19h38 – CDU: defende que a regionalização não trará aumentos de burocracia. Para o cabeça de lista, esta pode ser uma das formas de resolver problemas de desigualdade dentro do país, entre o litoral e o interior. A municipalização é contrária aos interesses do desenvolvimento do país, afirma.

19h42 – CDS-PP: a agricultura e a floresta, nomeadamente na região centro, merecem particular atenção, na visão do partido.

19h46 – PS: questionada sobre a aposta do partido em Coimbra como “Capital da Saúde”, a cabeça de lista destaca que é necessário responder a questões referentes aos CHUC e à nova maternidade da cidade. Quer conservar e fortalecer a rede de prestação de cuidados, juntamente da rede de investigação.

19h50: Começa a ronda de alegações finais

19h50 – PAN: tratar de causas como a dos animais e do ambiente não é afastar-se das pessoas, defende a cabeça de lista. O PAN, explica, não tem apenas medidas sobre isso, mas também no domínio da educação e da justiça, por exemplo.

19h54 – PSD: ressalta a dificuldade de acesso aos serviços públicos, como a saúde e a educação, e questiona porque não há o retorno do investimento feito pelos cidadãos através dos impostos. Para o PSD, a resposta está em uma má gestão dos recursos. “Esse país como está, não pode continuar”, afirma.

19h57 – CDU: em resposta à cabeça de lista do PAN, o representante da CDU afirma que há diversas propostas do partido com foco na natureza e nos animais. Defende a importância de apostas na diversidade de opiniões e nas negociações, como forma de fortalecimento da democracia.

20h – CDS-PP: afirma que há condições para irmos mais longe, e que o CDS tem propostas concretas nas áreas da educação, da saúde e do ambiente. Faz um apelo pela participação dos jovens no processo eleitoral. Faz críticas ao atual governo do Partido Socialista, que teria colocado uma “manta de silêncio sobre casos de corrupção”.

20h03 – BE: sublinha o novo chamamento para a Greve Climática. Destaca, também, a necessidade de novas lógicas de organização da economia e da sociedade como um todo para frear os problemas atuais relativos ao ambiente.

20h05 – PS: afirma que chega-se ao fim desta legislatura com sensação de dever cumprido. No entanto, não nega que haja necessidade de investimento nos serviços públicos, como a saúde e a educação. Responde, ainda, que casos de corrupção devem ser julgados pelos tribunais e os responsáveis, punidos.

20h08 – fim da emissão em direto e início das perguntas do público

20:09 – pergunta do público sobre os despejos das repúblicas em Coimbra CDU: afirma que esta situação é infelizmente legal por causa da lei Cristas que facilitou muito e desregularizou o mercado imobiliário.

CDS-PP: o governo não criou os mecanismos de proteção disponibilizados para lojas e edifícios históricos na lei Cristas. Não há também proteção municipal e apoio. Existe o direito a propriedade que merece proteção.

PS: as repúblicas são património da cidade de Coimbra e deve haver um equilíbrio virtuoso entre o direito de propriedade e a preservação cultural destes espaços.

BE: é uma boa oferta de habitação, mas há estrangulamento da viabilidade das repúblicas. São vítimas da liberalização das rendas. concorda com o tratamento semelhante dito pelo CDS-PP mas as Finanças não o têm permitido. As repúblicas têm também que pagar IMI e adicional IMI (AIMI). (Mónica Quintela do PSD afirma que foi este governo que o criou).

PAN: subscreve a posição da CDU. Não acrescenta nada.

PSD: as repúblicas não têm arrendatários, o que é diferente. As repúblicas fazem parte do património da cidade e defende que devem ser recuperadas. Existe degradação das repúblicas porque os proprietários não têm retorno. O Estado deve adquirir os imóveis, reedificar e torná-los habitáveis porque são bens públicos e deve-se manter a tradição de Coimbra. Mas o proprietário tem que ser ressarcido porque o direito de propriedade deve ser respeitado.

20:21 – pergunta sobre a ligação a Coimbra, se são eleitos pelas estruturas locais e se pretendem receber os eleitores se eleitos como deputados

CDS: a escolha é partilhada entre a direção nacional e as estruturas locais. Neste caso, sou independente e há uma grande variedade de candidatos e profissões. Afirma que desde que iniciou o processo de realização do programa político que têm ouvido os independentes e a população. Promete total abertura e transparência.

PS: Marta Temido diz as regras de eleição no PS são conhecidas por todos, afirma ser independente e promete realizar contactos periódicos.

BE: José Manuel Pureza nasceu e cresceu em Coimbra, sendo professor aqui na FEUC. A escolha foi feita pela coordenadora distrital do BE. Afirma que tenta estar presente juntos dos cidadãos para escutá-los, pessoas das maternidades, da Lousa, da Leirosa, da escola José Falcão, entre outros. Tem contactos regulares e usa as redes sociais para esse efeito também.

PAN: faz parte do partido há vários anos, não é de Coimbra, mas estudou aqui (licenciatura, mestrado e doutoramento). Regressou há cerca de 5 anos a Coimbra. Diz que se for eleita vai ter um regime de exclusividade. Não têm em Coimbra um espaço para receber pessoas porque são um partido novo em Coimbra e Portugal. Por isso usam mais as redes sociais.

PSD: aceitou o convite de Rui Rio depois de muito ponderar. Viveu a vida toda em Coimbra e aqui tem o seu escritório. Assumiu este desafio porque é a sua cidade. Todas as pessoas da lista pertencem ao distrito de Coimbra. Afirma que não vai ser deputada mas estar deputada e diz que vai ouvir as pessoas e que vai percorrer o distrito. Quer ser a voz das causas e do cidadão na AR. É por puro espírito de missão que aceitou este desafio. Afirma quer as redes sociais não bastam, tem que se ir ao local.

CDS: nasceu em Coimbra e sempre viveu aqui. Acha que não merece ser eleito se não ouvir o povo.

Terminou o debate pelas 20h37.

Bibiana Garcez e Joana Gomes

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