23/09/19

Cremação é cada vez mais escolha para corpos e ossadas dos que morrem em Coimbra

“Estamos em fase final de reabilitar o Jazigo Municipal da Conchada, que vai ter abertura autónoma para que as pessoas possam colocar as cinzas” dos entes queridos “cremados”, revelou o vereador da Câmara Municipal de Coimbra, Carlos Cidade, no encerramento do primeiro dia (17) do workshop internacional de arquitetura, “Finita Existência – Panteão Para Cinzas”, integrado na programação convergente do Anozero’19”. A iniciativa decorre até dia 27 de setembro no Departamento de Arquitetura da Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade de Coimbra.

O crematório em Taveiro tem um espaço relvado onde muitas vezes as pessoas pedem para deixar as cinzas e deixam lá uma “placa”. O vereador tem a expectativa de que assim que o o Jazigo Municipal esteja a funcionar haja mais procura na Conchada para depositar as cinzas.

O crematório apareceu por convicções de vária ordem. A partir da entrada em funcionamento a utilização cresceu ao mesmo tempo que a procura do Cemitério da Conchada, diminuiu. Hoje, mesmo a recolha das ossadas diminuiu bastante e quando existe, os familiares pedem para serem incineradas no crematório.

Com as transformações em curso começam a aumentar as visitas guiadas ao Cemitério da Conchada, quer do ponto de vista da sociologia, quer da arquitetura, revelou Carlos Cidade.

O aparecimento da cremação, tem a ver com a vivência de hoje, e assemelha-se ao que fazemos aos vivos quando envelhecem, “a procura rápida de um sítio onde eles possam estar”.

Em Coimbra há vários cemitérios e o único que tem gestão Municipal é o Cemitério Municipal da Conchada. “Não é necessário aumentá-lo porque a Câmara não vende campas”, afirmou Carlos Cidade. A única exceção sãos os jazigos que as famílias mandaram construir, adiantou.
Os cemitérios designados como paroquiais, hoje estão à guarda das Juntas e Uniões de Freguesia. Segundo o vereador alguns destes estão com falta de espaço, porque como são uma “fonte de rendimento” para as freguesias, a venda de campas leva a que rapidamente entre em carência, explicou o vereador.

As conferências foram abertas ao público. No primeiro dia, Maria Manuel Oliveira (Arquitetura), Fernando Catroga (História), Luís Quintais (Antropologia) e Vasco Santos (Psicanálise) foram alguns dos conferencistas.

Isabel Simões

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