3/09/19

Signatários da petição “Museu Salazar, não!” temem romaria de “saudosistas do Estado Novo” ao Vimieiro

Em 16 de agosto a autarquia de Santa Comba Dão anunciou ir dar início à primeira fase de requalificação da Escola Cantina Salazar, no Vimieiro, para aí instalar um Centro Interpretativo do Estado Novo.

De imediato o assunto gerou polémica na sociedade portuguesa com forte amplificação através das redes sociais. Surgiu então uma petição ‘online’, já desativada, “MUSEU DE SALAZAR, NÃO!”. O documento foi dirigido ao primeiro-ministro.

Maria do Rosário Gama, signatária da petição, esteve no comentário à atualidade no programa Alvorada de terça-feira, dia 3 de setembro, e apresentou as razões dos 17 720 mil signatários do documento. A comentadora invocou os “tempos tenebrosos” do Estado Novo em que “houve tanta gente que foi sacrificada, torturada e morta” como razões para a assinatura da petição.

Maria do Rosário Gama afirmou temer que à semelhança do que acontece em Itália em Predappio, no mausoléu de Benito Mussolini, também surjam no Vimieiro manifestações de natureza fascista.

Em comunicado enviado à Agência Lusa, o presidente da Câmara Municipal de Santa Comba Dão, Leonel Gouveia (do Partido Socialista ), afirmou que a autarquia que lidera “jamais teve intenção de promover a criação do denominado Museu Salazar”. 

No sítio da internet da autarquia pode ler-se uma nota explicativa assinada pelo autarca, datada de 24 de agosto, de que transcrevemos o ponto 2 e o ponto 6. 

2. Tendo presente a realidade histórica, esta autarquia, em conjugação com outras entidades da região, com destaque para a ADICES – Associação de Desenvolvimento Local, tem vindo a trabalhar num projeto cultural agregador do potencial turístico da região, visando a criação de uma rede de Centros Interpretativos de História e Memória Política da Primeira República e do Estado Novo

6. Toda a consultoria científica e tecnológica é assegurada pela equipa do Centro de Estudos Interdisciplinares do Século 20 da Universidade de Coimbra (CEIS20/UC)

No jornal Público de hoje, o historiador Luís Reis Torgal, um dos fundadores do Centro de Estudos Interdisciplinares do Século XX da Universidade de Coimbra (CEIS20/UC) explica a participação de investigadores do CEIS20 na construção de “um projecto muito mais lato, sem objectivos ideológicos, mas que sempre pretendeu pôr a Ciência ao serviço da Comunidade”. 

No artigo onde faz a cronologia dos acontecimentos, o historiador acrescenta a dado momento que “não se aceita qualquer Museu oficial que sirva para, de uma forma directa ou indirecta, homenagear Salazar, como se fez com Lenine e ainda se faz com Estaline ou com Ataturk. Mas compreende-se e talvez se deseje criar um Centro de Interpretação (expressão agora em voga) que sirva para explicar as motivações do sistema e as suas práticas”.

Isabel Simões

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