29/08/19

Folknova começa esta sexta e é o ancião da aldeia que “dá licença”

Esta sexta-feira começa a décima primeira edição do Folknova – Festival dos Saltamontes. O evento acontece de dois em dois anos na aldeia de Vila Nova, concelho de Miranda do Corvo, e o ritual diz que é o ancião da aldeia a dar a ordem de arranque da festa comunitária.

Esta semana a Rádio Universidade de Coimbra falou com a organização do festival em modo de antevisão para saber pormenores sobre o que está planeado para acontecer este fim de semana na aldeia serrana. Além dos concertos de música de cariz folclorico, os que aprecerem podem, segundo a organização. desfrutar de concertos, teatro, workshops de dança, gastronomia local, produtos locais, artesanato, e uma paisagem ímpar.




Segundo os organizadores existe uma “roupagem mais moderna mas com as raízes da tradição bem à vista”. O papel do festival foi, e continuará a ser, o de “valorizar a cultura rural” e realizar uma “festa verdadeiramente comunitária”, explicou João Branco nos estúdios da RUC. O jovem disse também que todos estão envolvidos na preparação do evento e que “nos meios rurais em Portugal há oportunidades que podem ser agarradas”.


O festival tem entrada gratuita e hora de abertura marcada para as 9 da noite de sexta-feira. O encerramento é às 9 da noite de domingo 1 de setembro. A abertura da festa está assinalada no cartaz como um evento só por si. João Branco esclareceu que se trata de um momento simbólico que pretende valorizar a população das áreas rurais e reconhecer a sabedoria da antiguidade. O ritual diz que é o ancião da aldeia de Vila Nova – no caso o senhor Manuel – que “vai dar as boas-vindas a toda a gente, vai abrir a festa e vai dar licença ao Coro Andantino e a todos os artistas para tocarem no Folknova”.


É então o ancião que abre a festa e normalmente todos querem a festa boa. Numa festa, sobretudo numa festa comunitária, é bom que a música esteja a gosto.

João Branco já tinha referenciado mas a responsável pela programação, Rafa Calheiros, aprofundou a forma como a música é pensada para satisfazer o público local. São os sons familiares que satisfazem o ouvido, “são instrumentos que as pessoas conhecem” – explicou a programadora – “se não for a gaita-de-foles é a concertina, se não for a concertina são as precursões com bombos e caixas”.



De entre a diversificada programação há dois workshops importantes para todos os que tiverem aspirações em bailar as modas como manda regra. Nos workshops “Etiqueta do Baile Folk”, no sábado, e “Preparação de Bailo Português”, domingo, ensinam-se aos bailadores as danças que vão precisar para acompanhar os concertos.

Toda a organização do festival está centralizada em Vila Nova, concelho de Miranda do Corvo. O festival é apoiado pela Câmara Municipal de Miranda do Corvo e pela Junta de Freguesia de Vila Nova que, segundo os membros da organização, dão apoio logístico, burocrático e financeiro muito importantes. No entanto é uma estrutura de administração de propriedade comunitária que merece uma atenção especial dentro do contexto do Folknova. João Branco explica que a Comissão de Baldios de Vila Nova é uma estrutura comunitária que gere os terrenos baldios que têm usufruto por parte de todos os habitantes com mais de 18 anos, os compartes. Uma das formas como a Comissão de Baldios apoia a realização da festa é com o alojamento dos artistas, disse João Branco. Sem este apoio seria impossível financiar tantas estadias.


O despovoamento e envelhecimento do interior serrano é um tema que não escapa à atenção dos jovens que nos últimos anos colocaram o festival de pé. A festa é feita por Vila Nova para Vila Nova, e assim o seu crescimento não pode ser além da capacidade dos que a montam. Os jovens admitem que gostavam que crescesse mais um pouco mas “que se mantenha no crescimento limite para que esta organização comunitária se continue a verificar e as gentes daquela aldeia sejam o motor principal do Folknova”.


O festival inclui ainda passeios pedestres, um showcoocking de Chanfana cozinhada pela Dona São, jogos tradicionais misturados com matemática e conversas sobre sustentabilidade e ecoconstrução. A entrada e o campismo no Festival dos Saltamontes são gratuitos.

A entrevista completa aos membros da organização do Folknova – Festival dos Saltamontes está disponível no Mixcloud do Culturama.

André Jerónimo

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