17/08/19

Tradidanças 2019 #Dia 2

O fole é quem mais ordena

O que têm em comum o Rancho Folclórico Juventude de Villeneuve-Le-Roi, o Colectivo Foice, os Nat u Ra, os catalães RIU ou o regresso dos No Mazurka Band? Tanto se poderia responder que são os foles, como o facto de todos se revelarem bastante competentes a tirar-nos o fôlego. Seja em formato acordeão, concertina ou gaita, os foles foram (são!) praticamente omnipresentes nos bailes e oficinas do Tradidanças.

No segundo dia da edição 2019 deste festival, para além da animação de bailes e concertos, os foles foram também veículo de saudades. A certa altura, José Afonso (que ontem completaria 90 anos) cruzou a atmosfera de Carvalhais, saído dos foles de um conjunto de gaiteiros. À noite, foi a vez de Celina da Piedade, praticamente apenas com o seu acordeão, celebrar as peras verdes e as saias das carolinas que ganharam raízes em gerações devotas destas e de outras andanças. Com a participação dos sopros de Paulo Pereira (com quem fez parte da formação dos Uxu Kalhos) e do violino de Ana Santos, a multidão flutuou, de mãos dadas ou aos pares, para sítios mais ou menos longínquos aprendidos de cor nas pontas dos pés.

No Tradidanças, para entrar no espírito só é preciso dar o corpo ao manifesto. Em troca, é possível receber (e retribuir) massagens de um desconhecido ou desconhecida. Não obstante parecer que todos se conhecem e que já os tínhamos visto por ali. Como aos foles.

Vítor Rodrigues

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Sun, 15 Dec 2019 16:50:08 +0000