29/07/19

Faleceu o psiquiatra e antifascista Manuel Louzã Henriques

Morreu hoje o médico psiquiatra e ativista da luta antifascista, Manuel Louzã Henriques, aos 85 anos, no Centro Hospitalar e Universitário de Coimbra (CHUC).

Membro da República Palácio da Loucura, quando frequentava a Faculdade de Medicina da Universidade de Coimbra (FMUC), o psiquiatra foi preso várias vezes por razões políticas, durante o Estado Novo. Cumpriu pena de prisão no Forte de Peniche, donde saiu ao fim de três anos e meio. Em 1958, enquanto militante do PCP, envolveu-se na candidatura à Presidência da República de Arlindo Vicente, apoiando depois Humberto Delgado. Até ao 25 de abril não pode integrar a carreira médica.

Em 2013, foi editado um livro – intitulado «Manuel Louzã Henriques – Algures Com Meu(s) Irmão(s)» – com as suas memórias, através de entrevistas ao médico e de testemunhos de amigos. Uma das escritoras do livro foi Manuela Cruzeiro, também amiga de Manuel Louzã Henriques.

Em entrevista à RUC, Manuela Cruzeiro explicou a importância do médico para a cidade de Coimbra.

Manuela Cruzeiro sublinhou também a variedade de saberes e áreas que compuseram a vida de Manuel Louzã Henriques, “figura maior da cultura portuguesa”.

Manuela Cruzeiro explicou que o livro, editado em 2013, nasceu da ideia dos amigos mais próximos de Manuel Louzã Henriques, de forma a perpetuar a história de vida do médico.

Em comunicado de imprensa, também o PCP de Coimbra manifestou o seu “profundo pesar” e realçou”a importância do exemplo de Manuel Louzã Henriques, na luta em defesa da Cultura enquanto direito, na luta contra o fascismo, na luta pelas conquistas e valores de Abril (…) ”.

Também em comunicado, o movimento Cidadãos por Coimbra (CpC) “deseja que a memória de Louzã Henriques seja vivida pelas gerações presentes e futuras de estudiosos, músicos, dançadores e poetas e fique condignamente inscrita na toponímia da Coimbra que tanto lhe deve”.

Ainda hoje o Grupo de Etnografia e Folclore da Academia de Coimbra (GEFAC) recordou as XV Jornadas da Cultura Popular – Resistências. Em Homenagem a Manuel Louzã Henriques. No facebook, o GEFAC recordou que “é em grande medida feito do tempo que o Manuel Louzã Henriques sempre encontrou para nós e da verdade que procurou, pacientemente, para nos oferecer”. 

O cortejo fúnebre sai na amanhã da capela mortuária da Igreja de São José, às 11:00, para o crematório de Taveiro.

Joana Gomes

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