10/07/19

Alexandre Sousa Carvalho: “O crime compensa se a justiça funcionar mal”

O Alvorada de hoje (10) contou com comentário à atualidade da parte do professor da Faculdade de Economia da Universidade de Coimbra (FEUC), Alexandre de Sousa Carvalho.

O presidente do banco BMG, Ricardo Guimarães, assumiu que o banco que lidera está “em conversas adiantadas” para aquisição de uma participação maioritária no Organismo Autónomo de Futebol da Associação Académica de Coimbra (AAC/OAF). Por sua vez, o presidente da Direção-Geral da Associação Académica de Coimbra (DG/AAC), Daniel Azenha, refere que não recebeu qualquer informação sobre a questão e reforça que é sua missão zelar pelo património da AAC, nomeadamente o símbolo e o nome.

Alexandre de Sousa Carvalho compreende esta posição da DG/AAC pois a questão dos símbolos é muito importante em termos identitários. Para o comentador, esta situação é um reflexo do estado atual de “mercantilização” do futebol.

O despacho de acusação do Ministério Público (MP) contra o presidente da Câmara Municipal de Pedrógão Grande, Valdemar Alves, e o seu antigo vereador, Bruno Gomes, defende que os acusados tinham conhecimento dos casos fraudulentos e ajudaram à aprovação das respetivas candidaturas. O professor da FEUC diz que houve “chico-espertice” no aproveitamento da sensibilização e mobilização da população portuguesa. Para Alexandre de Sousa Carvalho, é necessário um bom funcionamento da justiça para o bom funcionamento da sociedade.

Apenas 152 dos 308 municípios aderiram à rede solidária que tem como objetivo incentivar a autonomização das vítimas de violência doméstica com a cedência de uma habitação social ou apoio ao arrendamento. Em 2018 foram realizados 255 pedidos, mas apenas 31 fogos foram atribuídos. O comentador afirmou-se chocado com estes números e com a argumentação de ignorância apresentada por vários autarcas, que classificou de “incompetência atroz”. Para o professor da FEUC, esta situação é um reflexo da “sociedade patriarcal e machista” em que vivemos.

O desemprego atingiu em maio o valor mais baixo deste século, mas os salários continuam baixos e cerca de 21% dos trabalhadores por contra de outrem têm um contrato a termo ou estão noutra situação precária. Alexandre de Sousa Carvalho diz que há muito que em Portugal o emprego se baseia em salários baixos e precariedade, embora a mão de obra esteja cada vez mais qualificada. O comentador há muito que defende uma “mudança de curso”.

O comentário pode ser ouvido na íntegra aqui:

António Calheiros

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2019-09-16T08:35:14+00:00
Mon, 16 Sep 2019 08:35:14 +0000