2/07/19

Cerâmica Antiga de Coimbra lugar de artesãos e “emoções” agraciado com Prémio Vilalva

A reabilitação do edifício da Cerâmica Antiga de Coimbra – no Terreiro da Erva – recebeu esta manhã o 11º Prémio Maria Tereza e Vasco Vilalva pela mão dos representantes do júri e da Fundação Caloustre Gulbenkian.

O projeto da arquiteta Luísa Bebiano em coautoria com o Atelier do Corvo (Carlos Antunes e Desirée Pedro) restaurou uma antiga olaria da cidade de Coimbra. Luísa Bebiano contou como a olaria cresceu durante 200 anos à medida das necessidades e de como o espaço se transformou num lugar de “afetos” e de como o lugar a fez crescer como arquiteta . A premiada agradeceu de forma emotiva a todos os que fizeram acontecer nos últimos 16 anos.

O prémio no valor de 50 mil euros foi atribuído por um júri presidido por Raquel Henriques da Silva e de que fizeram parte António Lamas, Gonçalo Byrne, Santiago Macias, Luís Paulo Ribeiro e Rui Vieira Nery. Coube ao professor catedrático jubilado do Instituto Superior Técnico António Lamas discursar em nome do júri.

A Cerâmica Antiga de Coimbra, foi propriedade de Eduardo Correia, docente da Universidade de Coimbra e agora recuperada pelos netos: Luísa Bebiano e Eduardo Correia, e pretende mostrar em funcionamento “uma das seculares artes de Coimbra”, lembrou António Lamas. O elemento do júri enumerou a equipa multidisciplinar que participou no restauro e elogiou a intervenção “num espaço degradado” com uma envolvente por vezes “de marginalidade” mas que autarquia e comerciantes querem transformar.

Pela Fundação Caloustre Gulbenkian, Teresa Patrício Gouveia destacou a importância do prémio Vilalva que procura galardoar intervenções em patrimónios particulares. Em 2019 o prémio distinguiu uma operação numa antiga cerâmica, uma estrutura quase “familiar”, o que por sua vez levou o Município de Coimbra a recuperar o espaço público do Terreiro da Erva que estava bastante degradado.

Eduardo Correia parceiro na recuperação da Cerâmica Antiga de Coimbra falou das adversidades “uma espécie de pontes do Rubicão” que só foram ultrapassadas com a “ajuda de muitos privados e institucionais”, disse. Sem amigos e família nada teria “sido possível”, acrescentou. Agradeceu ainda o apoio recebido do Turismo Centro de Portugal e da CCDRC por terem sempre acreditado no projeto, “até à última instância”.

Se quando iniciaram a intervenção não se ouvia falar de economia do bem estar e sociocultural, “tal não acontece hoje”, explicitou. Eduardo Correia acredita que a economia aliada à política só faz sentido se se basear no “bem estar da população”.

O agraciado revelou que o “segredo” da Cerâmica Antiga de Coimbra “não se baseia no lucro imediato” mas na necessidade de “preservação do património que gerações passadas criaram, virado para a valorização dos trabalhadores do futuro”, uma vez que a dinâmica do espaço foi trabalhada para “enfatizar o saber fazer dos próprios artesãos”.

Hoje, “os produtos e serviços têm de ter alma para não serem mais um no meio de tantos”, disse. Agradeceu a intervenção do Município de Coimbra no Terreiro da Erva e realçou o que chamou de verdadeiro espírito de uma parceria pública ou privada.

A Cerâmica Antiga de Coimbra no Terreiro da Erva é a última olaria de várias que existiam na Baixa da Cidade e que desapareceram quando das obras da Alta Universitária e da promessa de um bairro na baixa que nunca se concretizou. Em 2018 renasceu como restaurante e loja atelier de produtos cerâmicos.

O prémio Vilalva atribuiu ainda duas menções honrosas: uma ao Projeto Letreiro Galeria de Lisboa e outra à reabilitação e conservação da Livraria Lello do Porto. O Projeto Letreiro Galeria tem-se dedicado à recolha, conservação e estudo dos letreiros impressos e luminosos e outros grafismos comerciais do espaço urbano lisboeta.

A Livraria Lello inaugurada em 13 de janeiro de 1906, é uma das mais visitadas do mundo. Depois de obras de restauro profundo em 1995 recebeu pequenas intervenções com renovação do interior e restauro da fachada e vitral a partir de 2016.

O Prémio Vilalva foi criado em 2007, depois da aquisição, pela Fundação Gulbenkian, à Fundação Eugénio de Almeida, da parte que faltava do Parque de Santa Gertrudes. A Fundação Gulbenkian já possuía a outra parte desde 1957 tendo nela sido construídas as instalações da fundação. O complexo teve o traço dos arquitetos Ruy d’Athouguia, Alberto Pessoa e Pedro Cid já os jardins resultaram da colaboração de António Viana Barreto com Gonçalo Ribeiro Telles.

A Câmara Municipal de Coimbra e a Universidade de Coimbra fizeram-se representar na cerimónia.

Isabel Simões

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