24/06/19

Final da Taça 1969, o jogo-comício que incomodou o antigo regime

Foto AAC

No dia 22 de Junho assinalaram-se 50 anos sobre a final da Taça de Portugal em futebol que opôs o Benfica à Associação Académica de Coimbra (AAC) e que terminou com a vitória da equipa lisboeta por 2-1. Foi a final da Taça mais politizada de sempre. Este jogo foi mesmo considerado o maior comício alguma vez realizado contra o antigo regime. Os jogadores da Secção de Futebol (SF) da AAC, também eles estudantes de Coimbra, estiveram solidários com a luta da Academia Coimbrã.

A final da Taça de 1969 teve comemorações recentes no Estádio Cidade de Coimbra em que vários protagonistas expressaram como a viveram.

O médico Manuel António, que apontou o golo nessa tarde, deu conta das emoções vividas à volta do jogo. Se a Académica tem ganho a partida o clínico não sabe o que poderia ter acontecido a seguir. Confidenciou que voltaria para tropa e possivelmente seria acusado de participar em manifestações contra o governo.

Francisco Andrade era o treinador da Académica em 1969. O atual presidente da Junta de Freguesia de Santo António dos Olivais em Coimbra afirmou que a equipa de futebol deu voz à Academia, à cidade de Coimbra e a um povo que estava calado.

O atual presidente da Direção Geral da AAC, Daniel Azenha destacou o papel que dos estudantes da Universidade de Coimbra há 50 anos e o legado que deixaram. O dirigente associativo afirmou que a final da Taça foi um momento que marcou a história de Portugal.

O presidente da Câmara Municipal de Coimbra, Manuel Machado, sublinhou o papel político corajoso que a equipa de futebol da AAC teve nesse jogo. A entrada em campo a passo e com a capa pelos ombros foi um gesto político na sequência do ocorrido em 17 de Abril de 1969, quando Alberto Martins pedira a palavra na inauguração do edifício das Matemáticas da Universidade de Coimbra.

O presidente do Organismo Autónomo de Futebol da AAC, Pedro Roxo, considera que a Académica volta a estar unida que só “há uma Académica”. Os tempos mudaram e essa mudança teve um grande contributo da equipa de futebol da Académica de 1969 ao provocar o maior comício de sempre contra o antigo regime.

A Académica jogou com Viegas, Rui Rodrigues, Vieira Nunes, Belo, Marques, Gervásio, Mário Campos, Vítor Campos, Nene, Fernando Peres e Manuel António. Jogaram ainda Rocha e Serafim. Golo de Manuel António aos 81 minutos. Pelo Benfica marcaram Simões aos 85 e Eusébio aos 109.

Rui Rodrigues

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