20/06/19

Ministro do Ambiente: “É insuportável continuar a construir o espaço público a pensar nos automóveis”

O ministro do Ambiente e da Transição Energética, João Matos Fernandes marcou presença na cerimónia de apresentação de dez autocarros elétricos dos Serviços Municipalizados de Transportes Urbanos de Coimbra SMTUC.

O ministro reafirmou a importância do setor da mobilidade e o da produção de energia para gerir a crise climática que afeta o mundo inteiro. A aquisição de veículos elétricos ajuda a diminuir a pegada de carbono. No roteiro para a neutralidade carbónica que o governo aprovou há quinze dias vão participar todos os setores, salientou o ministro.

Em 2050 a mobilidade no país vai ter de chegar aos zero por cento de emissões de carbono através de transportes movidos a eletricidade, gás ou outras tecnologias limpas que venham a aparecer, disse o ministro na sessão. Para que tal aconteça vai ser necessário diminuir em 95 por centro as emissões. Em 2030 um terço da mobilidade deverá ser feita com energia elétrica, lembrou João Matos Fernandes à comunicação social à margem da cerimónia.


A nível nacional o investimento em mais 709 novos autocarros ronda os 208 milhões de euros, 118 veículos são elétricos e os restantes movem-se a gás natural. O programa tem o apoio do Programa Operacional Sustentabilidade e Eficiência no Uso de Recursos da União Europeia (POSEUR). A aposta em transportes coletivos sustentáveis, movidos a gás natural ou eletricidade é uma aposta do governo.


Para além de Coimbra, outras cidades como Aveiro, Lisboa, Porto, Braga e Barreiro também vão ser beneficiadas. Segundo o ministro já foram entregues 146 autocarros , dez deles, ontem, em Coimbra. Até final do próximo ano todos, todos os 709 vão estar em funcionamento, garantiu o ministro.


Durante a cerimónia, João Matos Fernandes referiu os avanços nas questões sócio ambientais no país. Com a ajuda das autarquias, em mais de 98,9 por cento do território existe água potável na casa dos portugueses e este ano foi atribuída a bandeira azul a 352 praias portuguesas. Com a melhoria do sistema de esgotos foi possível evoluir nos últimos 20 anos, e passar das 65 praias com bandeira azul para o número “record”. Em 1999 só 50 por cento da água que se bebia em casa era segura, lembrou.

“Portugal não pode orgulhar-se na mesma forma no percurso que fez relativamente à mobilidade”, lamentou o ministro. Os números mais recentes do Instituto Nacional de Estatística indicam que “há uma maior utilização do transporte individual no comum das deslocações em particular nas duas maiores Áreas Metropolitanas”, de Lisboa e Porto, ilustrou o ministro.


No futuro espera-nos uma mobilidade elétrica e partilhada que vai promover “muitos novos modelos de negócio” afirmou João Matos Fernandes. “Que não se agite o espantalho de que aqui as emissões são zero, e a qualidade do ar melhora mas, algures, na produção de eletricidade existem estas emissões” de carbono, adiantou João Matos Fernandes. Segundo o governante 54 por cento da electricidade produzida hoje em Portugal provém de fontes renováveis, em 2020 o país vai chegar aos 60 por cento de energia limpa e em 2030 a meta é de 80 por cento.

Isabel Simões

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