17/06/19

MAAVIM pede que não se esqueçam os incêndios de 2017 dois anos depois de Pedrógão Grande

Fotografia: sítio da Internet do MAAVIM

Hoje passam dois anos do incêndio de Pedrógão Grande, que em 2017 tirou a vida a 66 pessoas. Quatro meses depois, as populações da Regiões Norte e Centro sentiram novas ameaças com incêndios florestais que fizeram 49 mortos e perto de 70 feridos.

Em jeito de homenagem, 17 de junho passa a assinalar o Dia Nacional em Memória das Vítimas dos Incêndios Florestais, instituído pela Assembleia da República.

Durante a manhã, as mais altas figuras do Estado, Marcelo Rebelo de Sousa, Eduardo Ferro Rodrigues e António Costa, estiveram presentes nas cerimónias que relembraram as vítimas do 17 de junho de 2017.

Em 2019 ainda há muito a fazer para recuperar a normalidade nos territórios afetados. Isto mesmo nos conta Nuno Tavares Pereira, porta-voz do Movimento Associativo de Apoio às Vítimas dos Incêndios de Midões (MAAVIM), que ajuda as vítimas dos incêndios de Midões, povoação no concelho de Tábua inserida na zona afetada em outubro de 2017.

A 15 de outubro de 2017, arderam cerca de 24 000 hectares em mais de 20 concelhos em apenas 18 horas. O distrito de Coimbra foi um dos mais afetados, com 50 % da sua área a entrar em combustão. O MAAVIM tem atuado em vários destes concelhos, caso de Tábua, Oliveira do Hospital, Arganil, Seia, Santa Comba Dão, Tondela, Vila Nova de Poiares ou Góis.

Na parte florestal, Nuno Tavares Pereira alude à falha na restituição dos recursos das florestas, e à ausência da criação de um parque para madeiras pós-incêndio. O porta-voz do MAAVIM indica algumas das entidades competentes que faltaram, pelo menos em parte, à sua responsabilidade.

Um outro problema prende-se com a vegetação: espécies invasoras como o eucalipto e a acácia continuam a proliferar na flora local. Nuno Tavares Pereira aponta a necessidade de plantar árvores que retenham as águas com origem nas serras, e contribuam, entre outros, para a agricultura. A saúde das populações afetadas também é um tema preocupante, caso da má qualidade da água e do aparecimento de alergias.

O Movimento Associativo de Apoio às Vítimas dos Incêndios de Midões endereçou em abril de 2018 uma petição à Assembleia da República, entretanto aprovada por unanimidade. Até ao momento nenhuma das medidas consideradas fulcrais pelo movimento foi implementada. Já em 2019, o MAAVIM apresentou uma petição ao Parlamento Europeu, em favor das localidades afetadas, em que deposita grandes esperanças. Menção ainda para “processos acerca do abandono da população” e uma ação popular a contestar a gestão da agricultura, floresta e habitação.

O Movimento Associativo de Apoio às Vítimas dos Incêndios de Midões vai continuar a sua atividade, dirigida a auxiliar os que vivenciaram os incêndios de 15 de outubro de 2017.

David Coelho

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