12/06/19

Joaquim Chissano quer promover uma globalização com cara e coração humanos

Fotografia: Sítio da Internet da UC

A Associação Académica de Coimbra (AAC) recebeu a visita do antigo Presidente da República de Moçambique, Joaquim Alberto Chissano.

A disponibilidade da reitoria da Universidade de Coimbra (UC) para aprofundar as relações com os países falantes da Língua Portuguesa e com a China mereceu destaque na entrevista que Joaquim Chissano deu à Rádio Universidade de Coimbra (RUC).


Agraciado com o doutoramento Honoris Causa pela UC em 1999, agora que deixou a política executiva, Joaquim Chissano tem-se preocupado em contribuir para que Moçambique tenha boas relações com todos os países, mesmo com aqueles que apoiaram a colonização portuguesa.


O ex-Presidente da República Popular de Moçambique quer que o seu país contribua para “relações internacionais sãs” em que a globalização tenha uma “cara” mas também um “coração” humanos.


Eduardo Mondlane e Samora Machel inspiraram o percurso de Joaquim Chissano. De Eduardo Mondlane, fundador da Frente de Libertação de Moçambique (FRELIMO), Chissano foi secretário particular.


Depois da morte de Samora Machel, no desastre aéreo de 19 de outubro de 1986, sucedeu-lhe na Presidência da República Popular de Moçambique, era então o seu ministro dos Negócios Estrangeiros.


Em 1994, ganhou as primeiras eleições multipartidárias da história do seu país. Reeleito em 1999, nas eleições de 2004 decidiu não voltar a candidatar-se.


Caracteriza os estadistas e companheiros da Frelimo, com quem privou de muito perto, da seguinte forma: “o Presidente Mondlane era uma académico que se tornou revolucionário, o Samora Machel era um enfermeiro que se tornou revolucionário. Em conjunto aprendemos a desenvolver os conhecimentos que cada um tinha”.


Enquanto Samora Machel tinha “muita interação com pessoas incluindo portugueses de esquerda e seguia a política da zona”. Eduardo Mondlane seguia a política africana na ONU onde trabalhou. Mondlane viajava e contactava com dirigentes que lutavam pela libertação dos seus países como Julius Nyerere que levou o Tanganica à independência, em 1961 e Kwame Nkrumah do Gana fundador do Pan-Africanismo, conta Joaquim Chissano.


Eduardo Mondlane conheceu portugueses como Adriano Moreira que o tentou recrutar para trabalhar na administração colonial. Por sua vez Eduardo Mondlane tentou “persuadir o governo português a acatar a resolução das Nações Unidas de preparação dos povos para a auto-determinação e independência”. Segundo o ex-Presidente da República de Moçambique, que a história comprovou, “não teve sucesso, mas foi um esforço”.


A “paciência” e a tentativa de chegar a “formas pacíficas para a libertação” de Moçambique, esteve desde sempre presente nos ensinamentos de Eduardo Mondlane. Mesmo antes de iniciarem a luta armada, ainda houve uma advertência ao governo português para que tomasse uma decisão em relação à autonomia ou a Frelimo teria de “forçar a mudança”.


Joaquim Chissano não esqueceu o apoio dos países africanos aos movimentos de libertação. Mesmo em países colonizadores como Portugal, muitas pessoas apoiaram as lutas pela independência, lembrou. Chissano recordou à RUC que na cidade de Coimbra, os estudantes, na Crise Académica de 1969, apoiaram as lutas de libertação dos povos Africanos.


A conversa com a RUC começou pelo papel que Joaquim Chissano, está a ter na pacificação do Sara Ocidental, depois de ser nomeado para acompanhar o assunto pela União Africana. A entrevista que foi realizada na presença do presidente da Direção-Geral da AAC, Daniel Azenha, pode ser ouvida na íntegra, aqui:


Depois da visita à Associação Académica de Coimbra o ex-presidente de Moçambique participou no Claustro do Colégio da Trindade, na inauguração da exposição “Uma Faixa, Uma Rota”. Promovida pela Embaixada da China em Portugal. A cerimónia contou com as intervenções da Diretora do Instituto Confúcio da UC, Cristina Zhou, do Embaixador da República Popular da China, Cai Run, e do vice-reitor da Universidade de Coimbra, Calvão da Silva.

Isabel Simões

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