11/06/19

Linha do Hospital do Metrobus divide opiniões na CMC

O Sistema do Metro Mondego (SMM) – avaliação do estudo de alternativas da Linha do Hospital – foi o ponto em agenda da última reunião do executivo camarário que mais tempo demorou a debater.

Em causa está o estudo apresentado no dia 14 de maio no Auditório da Sede Regional Centro da Ordem dos Engenheiros em Coimbra (OE), pelo presidente da Infraestruturas de Portugal (IP), António Laranjo, do traçado da Linha do Hospital do Sistema de Mobilidade do Mondego (SMM). A iniciativa da OE foi aberta mas condicionada ao pagamento de uma quantia de dez euros para não sócios e de cinco euros para sócios da Ordem dos Engenheiros

O estudo foi trazido à sessão do executivo da última sexta-feira, dia 7 de junho, acrescido de uma revisão técnica pelos serviços da Câmara Municipal de Coimbra (CMC) onde são feitas algumas recomendações entre as quais um estudo de tráfego.

Fig 1 – Trajeto provável da Linha do Hospital defendido em 14 de maio na Ordem dos Engenheiros em Coimbra pela IP

Somos Coimbra

Ana Bastos, vereadora pelo movimento Somos Coimbra (SC), começou por salientar a importância do SMM para a cidade e por isso, do seu ponto de vista, a obra deve merecer um “amplo consenso e ampla discussão pública”, por considerar que “o projeto vai mudar o modo como vemos a cidade”.


Ana Bastos afirmou que Coimbra não se deve “contentar com migalhas, com projetos minimalistas baseados no facilitismo de implementação e na minimização de custos” que viu no estudo apresentado. Enfatizou a necessidade de analisar a relação custo-benefício e de “não gastar dinheiro só por gastar” mas, na opinião da vereadora, há princípios de que a cidade não deve abdicar como “uma perfeita integração urbana que Coimbra merece”.


Em cima da mesa já esteve um solução ferroviária que começou a ser colocada em obra. A vereadora do SC lamenta que a substituição por uma solução rodoviária que “traz maior flexibilidade de operação” não tenha trazido “um alargamento da abrangência”.
Com o novo traçado o polo I da UC é servido pela paragem da Praça da República o que para Ana Bastos não resolve o problema do estacionamento daquela zona da cidade. Estudos já realizados “comprovam que mais de 60 por cento dos jovens vão de carro” para a Alta da cidade, revela a vereadora.

Ana Bastos teceu ainda críticas ao facto de não estar prevista um meio mecânico para transposição dos 125 degraus das Escadas Monumentais o que dificulta a mobilidade a pessoas com mobilidade reduzida. A existência de um canal dedicado no sentido descendente, apesar de ser uma boa solução, vai entrar cerca de quatro metros na placa da Praça da República. a medida vai provocar o abate de árvores com o qual a vereadora afirmou não poder concordar. Também a Via Central mereceu preocupação de Ana Bastos.

Fig 2 – No sítio da Internet da Metro Mondego ainda constava em 10 de junho o trajeto da Linha do Hospital do inicial metro ligeiro que incluía uma paragem mais perto do polo I da UC.

Partido Socialista


“Adiar não é solução”, afirmou o vice-presidente da CMC, Carlos Cidade sem esconder a existência de problemas de tráfego e estacionamento na zona dos Hospitais que a ser construída a nova maternidade na zona só viria agravar. Chamou ainda a atenção para o estudo de tráfego que o estudo propõe fazer.


O presidente da CMC, Manuel Machado considerou “que se há matéria que tem sido amplamente discutida” e estudada tem sido o SMM. Alertou para o facto de os fundos comunitários alocados terem “datas consolidadas” e recordou que o projeto esteve chumbado pela Comunidade Europeia até novembro do ano passado. Só a partir da revisão do Portugal 2020 “veio abertura para acolher a operação”, lembrou.


Manuel Machado informou que tem insistido junto do governo para ser retomada a Assembleia Geral (AG) da Metro Mondego suspensa em 2014. Evocou ainda os muitos estudos já realizados e os 118 milhões de euros já despendidos.


A vereadora Regina Bento reforçou a ideia de Manuel Machado da necessidade de a Metro Mondego retomar a AG e veiculou a opinião de a equipa da empresa ter protagonistas que se dediquem a dar andamento a incumbências que a Metro Mondego tem de cumprir como a adjudicação do material circulante e o sistema de bilhética.

Partido Social Democrata


Paulo Leitão, vereador do Partido Social Democrata (PSD), discordou da interpretação de Manuel Machado de “querer passar culpas da não aprovação para a oposição”. “Quando queremos gerar consensos dialogamos, não apresentamos na praça pública determinadas soluções e depois ou isto ou nada”, disse.

O PSD exigiu que seja considerada a possibilidade de meios mecânicos que permitam o acesso ao polo I da UC, a circulação do Metrobus em canal dedicado em toda a sua extensão e a resolução do tráfego no nó de Celas. O vereador adiantou ainda que por a bancada do PSD considerar o projeto estruturante, “apesar das deficiências apontadas” o mesmo teria de avançar.

Coligação Democrática Unitária


Já Francisco Queirós da Coligação Democrática Unitária (CDU) recordou os presentes que a solução da CDU para a mobilidade tem passado pela defesa da ferrovia no Ramal da Lousã. Ainda assim defendeu o trabalho dos serviços camarários no estudo em análise recusando-se a opinar sobre se o Metrobus devia passar “por aqui ou por ali”.

“Em momento algum isso impede, antes pelo contrário obriga, a que seja convocada a população para se pronunciar”, disse. O vereador insistiu que o ponto em causa solicitava a avaliação do estudo de alternativas da Linha do Hospital e que ainda “não estava em causa o estudo prévio”.


Esclarecimentos técnicos

A pedido de Manuel Machado o engenheiro Santos Costa do departamento da Câmara de Coimbra para as Obras Municipais, veio clarificar alguns dos pontos levantados pelos vereadores na sessão. A explicação dada pelo técnico para a Linha do Hospital já não passar na Rua de Tomar e na Castro Matoso. (Ver figura 2)

Santos Costa informou da necessidade de estudar o tráfego de ruas que não estando no percurso do Metrobus vão sentir a sua interferência.

O acesso mecânico ao polo I está em estudo pelos serviços camarários. No momento está colocada a possibilidade de três escadas rolantes com patamares e acessos verticais.

O técnico esclareceu que o percurso proposto foi suportado em estudos e contagens de tráfego e adianta que em breve com a apresentação do estudo prévio vai ser apresentada uma análise mais lata.


Votação:


O ponto em análise foi aprovado pelos cinco elementos da maioria do Partido Socialista e pelos três vereadores do Partido Social Democrata. O ponto mereceu os votos contra do vereador da Coligação Democrática Unitária e dos dois vereadores do movimento Somos Coimbra. Quer o PSD quer o SC apresentaram uma declaração de voto.

Isabel Simões

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