8/06/19

Emoções da adolescência do final do milénio e de hoje cruzam-se em Coimbra

“Não é o espetáculo mais evidente sobre a adolescência porque nos transporta para diferentes décadas de vivência” dessa fase da vida, adiantou Manuela Azevedo na entrevista que deu à RUC. Montanha-Russa sobe a palco hoje, sábado, dia 8 de junho, pelas 21h30 no Convento São Francisco.

O “musical estranho” que começa devagarinho e acelera nos ‘loops’ traz Manuela Azevedo a Coimbra. Com criação de Inês Barahona e Miguel Fragata, a peça tem música de Hélder Gonçalves, companheiro nas viagens musicais da vocalista dos Clã.

“As personagens que estão em cena transportam histórias e registos de diários de vivência dessa adolescência da década de setenta, oitenta do final do milénio e há também um adolescente dos dias de hoje”, revela.



“Uma viagem interessante, muito divertida também, sobre aquilo que acaba por ser comum a todas estas histórias, a todas estas gerações e a todos estes tempos e que são as forças maiores da adolescência: as dúvidas, os medos, a vontade de descoberta, de desafio, as alterações no nosso corpo, a descoberta da sexualidade, de que maneira isso mexe connosco e as relações com os pais. Várias coisas que são de todos os tempos e que definem a adolescência – A tempestade que acontece no cérebro quando se tem essa idade” – Montanha-Russa

Antes de o espetáculo tomar forma os criadores promoveram uma pesquisa “muito aturada” que passou por “entrevistas a adolescentes, por confessionários…”. Ao colocarem um adolescente em frente ao espelho, alguém fora da imagem ia-lhes lançando perguntas” sobre a imagem de si próprio, sobre a morte ou de como se imaginavam passados vinte anos”, informa. Além dos confessionários, “foram feitas oficinas de criação de diários, vídeos e de música também”, acrescenta Manuela Azevedo.


Para a artista, foi “muito interessante” entender que do lado dos criadores Inês Barahona e Miguel Fragata, “a música era uma coisa muito importante a existir nesta peça, como um motor, para se tentar perceber essa coisa especial que é a adolescência”, disse.


As relações que os jovens vão construindo com o corpo e com a família estão mapeadas na peça. São várias as personagens e fragmentos em que Manuela Azevedo se revê ou que a impressionaram. Para a vocalista dos Clã, que teve “pais exemplares” que nunca lhe tolheram as asas da criatividade e que foram os seus “heróis sempre”, comoveu-a uma personagem interpretada por Miguel Fragata – um adolescente que vê o pai com quem se identifica, passar de herói a vilão.


Os Clã vão estar em Peso da Régua no Douro Rock 2019 no dia 9 de agosto. No dia 7 de setembro espera-os a Festa do Avante onde vai haver espaço para levar convidados. “Com uma mão cheia de canções novas” os Clã contam lançar algumas das canções do futuro álbum em setembro-outubro. O álbum completo sairá “talvez” no início do próximo ano.


Do novo trabalho os fãs “podem contar com uma banda entusiasmada com aquilo que está a fazer. Com essa urgência de apresentar as canções novas, de apresentar um espetáculo novo. Com esse nervoso miudinho de quem está a arriscar e a atrever-se e a desafiar-se” mais uma vez.


Pode ouvir a entrevista completa a Manuela Azevedo, dia 18 de junho, terça-feira, no programa Perfil da Rádio Universidade de Coimbra, pelas 21h05, em 107.9 ou em ruc.fm

Isabel Simões

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