7/06/19

RUC @ NOS Primavera Sound 2019 – Dia 1

O norte do país nasceu com a ameaça da Depressão Miguel e de pressão foram chegando notícias depressivas para os fãs do NOS Primavera Sound: primeiro um cancelamento (a britânica Ama Lou), de seguida uma abertura tardia que desafiava as melhores expectativas e, por fim, um segundo cancelamento (Peggy Gou, dona e senhora de ritmos dançáveis que se antecipavam noite dentro, também se viu obrigada a cancelar a sua visita ao Porto). Pelo meio a chuva, que mesmo quando parou não deixou de ser ameaça. O cenário era pouco animador mas houve quem fizesse por merecer a ida dos mais fervorosos ao parque da cidade. Vamos a eles:

DAY 1 _ NOS PRIMAVERA SOUND 2019 _ © Hugo Lima | hugolima.com | www.fb.me/hugolimaphotography | instagram.com/hugolimaphoto

MorMor

Pelas 21h25 o Palco Super Bock viu subir a palco MorMor (Seth Nyquist), canadiano que se estreava em Portugal neste festival. A apresentar um misto dos dois EPs mais recentes (Some Place Else de 2019 e Heaven’s Only Wishful de 2018), o artista criou um ambiente quase hipnótico para o público presente. O falsetto de Seth encanta quem o escutar e os etéreos ritmos Pop e RnB levaram o público a um embalo generalizado de lado a lado do palco. “Outside”, single mais recente, foi momento alto para quem foi à procura de MorMor e para quem encontrou por mero acaso.

MORMOR _ DAY 1 _ NOS PRIMAVERA SOUND 2019 _ © Hugo Lima | hugolima.com | www.fb.me/hugolimaphotography | instagram.com/hugolimaphoto
STEREOLAB _ DAY 1 _ NOS PRIMAVERA SOUND 2019 _ © Hugo Lima | hugolima.com | www.fb.me/hugolimaphotography | instagram.com/hugolimaphoto

Stereolab

 Para os mais distraídos fica a lembrança: os Stereolab estão de regresso. 10 anos volvidos do hiato anunciado, o grupo franco-britânico liderado por Tim Gane e pela nossa bem conhecida Laetitia Sadier reuniu-se e veio ao NOS Primavera Sound lembrar os melhores trabalhos e deixar clara a sua marca de influência na Pop feita ao longo dos últimos 20 anos. A partir das 23h20, o Palco SEAT começou a receber os primeiros acordes do grupo, ainda sem Laetitia em palco. Quando a francesa se juntou, a viagem teve início e foi difícil arredar pé sem sentir a nostalgia presente no ar.

Solange

 A primeira noite de NOS Primavera Sound tinha como cabeça da cartaz Solange Knowles, irmã da rainha que já há muito faz por ser mais do que essa mera etiqueta. Solange, assim a conhecemos, entrou pelas 00h30 no Palco NOS e tomou as atenções do público pela mão. When I Get Home, o quarto álbum de estúdio da texana, editado este ano, serviu de base ao espectáculo apresentado por Solange. Com uma forte componente na herança negra da artista, o trabalho serve-se de uma fusão entre o jazz, o hip-hop e o RnB para explanar a mensagem pretendida. E assim se viu em palco, com coreografias capazes de arrebatar o olhar e uma crescente interacção com o público. Já a chegar ao fim, o clássico “Losing You” foi guloseima de Solange que deliciou o público e deixou todos numa dança da chuva (infelizmente) bem sucedida.

Men I Trust

Decididamente convencidos a convencerem todos os que os ouviam no Palco Super Bock ao final da tarde, os Men I Trust vêm com pouco mais que meia década de carreira com 2 longo-durações e uma mão cheia de singles e faixas avulsas dos últimos 3 anos ao NOS Primavera Sound, mas não deixam que a pausa entre o último disco (Headroom, 2015) e o próximo seja um obstáculo para o espetáculo que apresentam. Com uma vontade clara para encantar, os canadianos tocam à hora perfeita para os tons vagarosos e melancólicos da sua música – com o primeiro sol de um dia que parecia cataclísmico, embalam com sorrisos na cara o público que já se começava a acumular no Parque da Cidade. Os 3 em palco (Emma, Jessy e Dragos) soam incrivelmente bem, estando menos focados na interação com o público e já recebem uma ovação considerável no final do concerto.

MEN I TRUST _ DAY 1 _ NOS PRIMAVERA SOUND 2019 _ © Hugo Lima | hugolima.com | www.fb.me/hugolimaphotography | instagram.com/hugolimaphoto
DANNY BROWN _ DAY 1 _ NOS PRIMAVERA SOUND 2019 _ © Hugo Lima | hugolima.com | www.fb.me/hugolimaphotography | instagram.com/hugolimaphoto

Danny Brown

Infelizmente, ainda é uma ocasião especial quando somos presenteados com um dos nomes primários do hip-hop norte-americano em Portugal. Danny Brown foi um dos presente debaixo das árvores do NOS Primavera Sound deste ano e, tal como a personalidade presente na sua música, o rapper não se acanha em palco, fazendo vaivéns e correndo atrás de aplausos e moshes – malha depois de malha depois de malha, passando por Old, XXX e por Atrocity Exhibition, não se esquecendo de essenciais como 25 Bucks e Really Doe mas dando-nos um cheiro dos próximos projetos, mostrando-nos 2 faixas novas. Com uma energia aparentemente infindável, Danny é um dos destaques da noite, atuando para o primeiro grande público da noite especado na encosta à frente do Palco NOS. Uma entrada com Paint it Black dos Black Sabbath prometeu coisas boas, e coisas boas foram cumpridas. A bela garrafa de tequila deve ter ajudado.

Tommy Cash

Ai queriam um concerto? Tommy Cash dá-vos uma experiência. Techno, acid e juke são as intermissões de pouco mais de uma hora em que ninguém vos vai conseguir contar o que realmente aconteceu no Palco Super Bock no final da noite. Da pornografia explícita nos ecrãs do palco, parte dos visuais em que também se enumeram: libelinhas, hamsters, carros modificados e memes, entre mais; uma mudança de indumentária a meio do concerto; os dance moves absolutamente incríveis do estónio; a vontade para nunca parar a festa, o que retiramos é que quando Cash mandava o público altar, o público saltava. E quando Winaloto encontra o seu clímax, acredito que todos nós vos podíamos jurar que, realmente, Tommy Cash wins-a-lotto. Memorável no sentido mais puro da palavra.

TOMMY CASH _ DAY 1 _ NOS PRIMAVERA SOUND 2019 _ © Hugo Lima | hugolima.com | www.fb.me/hugolimaphotography | instagram.com/hugolimaphoto

Esta quinta-feira ensinou-nos que não podemos ter sempre o que queremos, mas podemos sempre querer. Chuva pesada, vento assustador e 4 cancelamentos e mesmo assim, apesar de notarmos uma pequena diminuição na quantidade de pessoas no recinto, o NOS Primavera Sound continua a ser um dos melhores destinos para ver concertos – seja para descobrir os Men I Trust ou para reviver os Stereolab. Trap estónio ou indie rock do Idaho? Não têm de escolher.  Continuem a seguir o site e a emissão da RUC – estamos cá até ao fim.

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João André Oliveira escreveu sobre MorMor, Stereolab e Solange.
Leonardo Pereira escreveu sobre Men I Trust, Danny Brown e Tommy Cash.

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