6/06/19

Tema do Sons da Cidade em 2019 é a ‘Liberdade’

O programa do ‘Sons da Cidade’ para 2019 decorre entre os dias 21 e 23 de junho e conta apresentar-se à cidade como momento de celebração e reflexão cultural sobre o património classificado. Uma celebração que se quer descentralizada da Cidade Universitária e a pensar na ‘Liberdade’.


Em ano de efemérides ligadas à luta pela liberdade, o tema do ‘Sons da Cidade’ é mesmo esse, Liberdade. Foi o que explicou o presidente da Associação RUAS e vice-reitor da Universidade de Coimbra (UC) para o Património, Edificado e Infraestruturas, Alfredo Dias, a pessoa no centro da mesa que abriu a sessão.


Na primeira intervenção da tarde, Alfredo Dias passou em revista as linhas gerais do programa e os objetivos que pretende cumprir. Estão incluídas “vertentes musicais, tertúlias, palestras, caminhas e performances” espalhadas por “diversos pontos da cidade”, e com ambição de ligar as pessoas ao “património intangível que está associado ao património fisico”. Nas palavras de Alfredo Dias, todas as atividades cumprem o desígnio de “enfatizar a questão da Liberdade”.


A conferência de imprensa para apresentação da sexta edição do ‘Sons da Cidade’, evento anual que comemora o aniversário da classificação da ‘Universidade de Coimbra, Alta e Sofia’ como património mundial da Unesco aconteceu na tarde do dia 4 de junho no Auditório da Ferira Cultural de Coimbra.

Diz a comunicação oficial da comemoração:

“No ano em que se assinalam os 45 anos de revolução de 25 de Abril de 1974 e os 50 anos da crise académica de 1969, os sons da cidade convocam vozes de várias de proveniências e de várias gerações para nos conduzirem num percurso pela área classificada, e para além dela, onde a memória se cruzará com o passado e o presente, desenhando figurações de Liberdade para o futuro.”


A Associação RUAS, que coloca em colaboração a Universidade e a Município de Coimbra, é a responsável, não apenas pela organização do evento mas, pela conservação da zona classificada. A inclusividade que a associação quer ter em várias dimensões foi o último ponto do discurso do presidente Alfredo Dias. Para ilustrar a tentativa falou do pavilhão da RUAS que se encontra na Feira Cultural, e que este ano apresenta o Livro de Sala acessível aos portadores de deficiência visual.

A diretora regional de Cultura do Centro, Susana Menezes, falou sobre o enquadramento do “Sons da Cidade do ponto de vista do próprio conceito de cultura”. Na opinião ela deve ser vista como “um convite à reflexão, um questionamento, um lugar de duvida e de reflexão”. O tema ‘Liberdade’, que celebra “dois momentos relevantes, enquanto conquista nacional, mas também o movimento de liberdade que aconteceu em Coimbra”, merece a Susana Menezes o ponto-chave do discurso.


Susana Menezes afirmou que o evento representa “uma interessante apropriação do espaço publico ao invés de estar no seu lugar de conforto”. O próprio evento “vai apossar-se da cidade” embalado pelo “esforço e empenho das comunidades culturais da cidade” num “grande ato de coesão territorial” que vai além da dimensão de acessibilidade.


A vice-presidente da Associação RUAS e vereadora da Cultura, Turismo e Juventude da Câmara Municipal de Coimbra, Carina Gomes, falou a seguir. Na interveção deu ênfase ao trabalho já desenvolvido este ano por “Câmara, Associação Académica de Coimbra e Universidade, juntas, no programa que é subejamente conhecido”, para que a cidade de Coimbra fique associada à luta pela liberdade.


Uma organização que “coloca universidade e cidade em partes iguais” da sua gestão, e que inclui várias comunidades além delas próprias, foi a tónica da intervenção do vogal da direção da RUAS e vice-reitor da UC para a Cultura e Ciência Aberta, Delfim Leão. A cumplicidade que existe entre as instituições está, na opinião de Delfim Leão, patente na questão da lusofonia.


O Jazz Ao Centro Clube (JACC) tem sido um dos parceiros mais próximos do município e da universidade na programação e produção do evento. O presidente do JACC, José Miguel Pereira, esteve na mesa dos oradores e explicou o trabalho do JACC como um esforço de reunião de contributos sem qualquer marca autoral do próprio Jazz Ao Centro Clube.


A agregação de propostas aconteceu por convite a coletivos da cidade para criarem “obras artísticas que possam apresentar no Sons da Cidade”, e também por propostas espontâneas como foi o caso da Associação Recriar Caminhos. Ambas as formas são, na opinião de José Miguel Pereira, exemplificativas da inclusão da cidade.


A docente da Faculdade de Psicologia da Margarida Pedroso Lima representou a direção da associação Recriar Caminhos. Foi referida por Alfredo Dias como a pessoa que representa “as outras vozes”. Ao desafio, a associação responde com entusiasmo e “muito orgulho” sobretudo quando o tema é a liberdade.


Os projetos que a Recriar Caminhos trabalhou para o ‘Sons da Cidade’, e que envolvem uma parceria com a Rádio Universidade de Coimbra, trabalham com pessoas com doença mental. A docente falou em projetos artísticos com objetivos terapêuticos.


Afirmou que é importante que as associações tenham a iniciativa de procurar integrar-se neste tipo de iniciativas e não esperar que seja a CMC ou a reitoria a ditar os trabalhos.

André Jerónimo

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