28/05/19

PS com maioria dos votos em Europeias marcadas por abstenção

Já estão nomeados os 751 deputados do Parlamento Europeu (PE), que vão cumprir mandato até 2024. Portugal elegeu 21 deputados, e o vencedor da noite foi o Partido Socialista (PS), com o maior número de candidatos eleitos. Segundo os dados do Ministério da Administrção Interna, o PS conta com sete eurodeputados até ao momento, mas o resultado final deve ser de nove eleitos. Em relação aos outros partidos, o Bloco de Esquerda (BE) junta José Gusmão a Marisa Matias em Bruxelas. O PAN, Pessoas Animais e Natureza, elege Francisco Guerreiro como o seu primeiro eurodeputado da história.
Há ainda quatro conimbricenses que vão rumar ao Parlamento Europeu:
Maria Manuel Leitão Marques (PS), Marisa Matias (BE), Lídia Pereira e Álvaro Amaro (Partido Social Democrata – PSD) são os quatro nomes de Coimbra assinalados.
As Eleições ao Parlamento Europeu deste domingo (26 de maio) foram acompanhadas na Rádio Universidade de Coimbra com uma Emissão Especial. Durante as três horas de cobertura, várias foram as personalidades que comentaram os resultados ao longo da noite, quer em estúdio quer via telefone. Um dos exemplos foi a docente da Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra (FLUC), Isabel Camisão, ela que estuda a interseção das relações internacionais com a ciência política, e em especial a governança da União Europeia (UE). Para Isabel Camisão, alguns resultados da noite, como os do Bloco de Esquerda, devem-se a não ser um partido conotado com a governação.

Outro dos comentários que integrou a emissão RUC a propósito das europeias foi o de Maria Manuel Leitão Marques, docente catedrática da Faculdade de Economia da Universidade de Coimbra (FEUC) e investigadora do Centro de Estudos Sociais (CES). A número dois da lista do PS é uma das novas eurodeputadas, e à RUC descreveu o ambiente que se fazia sentir na sede do Partido Socialista, e como as mudanças aplicadas nos últimos três anos de governo em Portugal serviram como propostas para estas eleições à Europa.

A ex-ministra da Presidência e da Modernização Administrativa do atual governo de António Costa enumerou alguns dos desafios que a Europa vai continuar a enfrentar nos próximos anos.

Um dos partidos vencedores destas eleições foi o Bloco de Esquerda, que em 2019 consegue um segundo mandato, atribuído a José Gusmão. A agora reeleita Marisa Matias, tal como outros candidatos ouvidos pela RUC, indicou que a comunicação social não deu a cobertura necessária às eleições europeias.

A eurodeputada, natural do Distrito de Coimbra, referiu que o Parlamento Europeu vai continuar o debate e a aprovação de várias medidas vitais para a UE.

Um dos partidos que não alcançou os seus objetivos foi o Partido Social Democrata, ao perder um eurodeputado. A número dois da lista de candidatura, Lídia Pereira, indicou que os resultados obtidos ficaram aquém do previsto. Para a também conimbricense, uma das explicações para os resultados do PSD pode passar por “o PS ter, de certa forma, nacionalizado o debate em torno das europeias”.

Lídia Pereira reforçou que o papel do PSD será o mesmo na bancada do Partido Popular Europeu, mas agora há a necessidade de construir novas alianças, algo que até lhe parece positivo.

Vladimiro Vale foi o elemento da Coligação Democrática Unitária (CDU) a comentar os resultados na eleição. O convidado é da opinião que as projeções vão permitir à CDU continuar a desenvolver o trabalho feito no seio do Parlamento Europeu, apesar de, à hora da entrevista (23 horas de domingo 26 de maio), os resultados não serem definitivos (sabe-se agora que a CDU elege dois eurodeputados, menos um do que em 2014).

A CDU é uma coligação entre o Partido Comunista Português (PCP) e o Partido Ecologista ‘Os Verdes’ (PEV). Vladimiro Vale, membro da Comissão Política do Comité Central do PCP, destacou que o PCP e o PEV continuaram com a sua abordagem tradicional de campanha, dedicada ao contacto com as massas nas ruas, e falou de “um período largo em que tivemos uma campanha desevolvida contra o pcp” e também de “alguma ocultação da candidatura até nos principais meios de comunicação social”.
O dirigente revelou preocupação com os resultados a nível europeu, em especial os votos que algumas candidaturas com ideologias extremistas contabilizam.

António Marinho e Pinto também participou em direto na emissão especial RUC. O ex-bastonário da Ordem dos Advogados, que em maio de 2014 foi eleito eurodeputado pelo Movimento Partido da Terra (MPT), em conjunto com José Inácio Faria, acabou por fundar nesse mesmo ano o Partido Democrático Republicano (PDR), pelo qual cumpriu o seu mandato no Parlamento Europeu. Em 2019 concorreu como número um do PDR às europeias, mas os eleitores portugueses não o reelegeram. Marinho e Pinto afirmou ser tempo de reflexão.

O número um do PDR às europeias parabenizou PS e PAN, mas considerou que a UE e a própria ideia de democracia saíram derrotadas das eleições, tendo em conta o abstencionimso dos eleitores um pouco por toda a Europa (quase 70 % em Portugal).

Já ontem (segunda, 27 de maio) entramos em contacto com Francisco Guerreiro, o novo eurodeputado do PAN. O agora representante dos portugueses e do partido Pessoas Animais e Natureza em Bruxelas acredita que os números demonstram que os cidadãos pretendem ver outros fatores políticos no país e na Europa.

O PAN vai integrar o grupo dos verdes no Parlamento Europeu. Francisco Guerreiro traçou as prioridades para os próximos cinco anos.

Os próximos dias vão trazer os resultados finais às Eleições para o Parlamento Europeu 2019, ainda que a implicação dos números oficiais seja pouco mais que meramente quantitativa.

David Coelho

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