27/05/19

Mário Frota: “Estas eleições [para o Parlamento Europeu] foram a primeira volta das legislativas”

O Alvorada de hoje (27) contou com o comentário à atualidade do presidente da Associação Portuguesa de Direito do Consumo (apDC), Mário Frota.

Ontem decorreram as eleições para o Parlamento Europeu: os portugueses dirigiram-se às urnas para nomear os 21 eurodeputados que os vão representar na única instituição europeia cujos membros são diretamente eleitos pelos cidadãos da União Europeia (UE), de cinco em cinco anos.

O PS elegeu o maior número de deputados (seis) com 33.4% dos votos, seguido do PSD que, com 22.09% dos votos, elegeu quatro representantes. Em terceiro lugar ficou o BE, com 9.79% dos votos, que viu aumentar a sua expressão no boletim de votos e elegeu dois representantes. Com um representante seguiram-se o PCP-PEV (6.7%), o CDS-PP (6.2%) e o PAN (5.1%). Este último apresentou-se como uma novidade nos votos do eleitorado, e pela primeira vez leva um representante para o PE.

Ainda assim, o verdadeiro vencedor da noite foi a abstenção que atingiu um valor histórico de 68.63%. Questionado sobre os resultados, Mário Frota ponderou se os portugueses se revelaram eurocéticos ou crentes no projeto europeu. O presidente da apDC serviu-se da elevada taxa de abstenção para ilustrar não uma descrença no projeto europeu, mas uma desinformação sobre a UE. E um sentimento português de amargura: “parece que vivemos numa amarga periferia”.

Para Mário Frota, a vitória do Partido Socialista (que elege o maior número de representantes para o PE) é uma vitória de António Costa. Segundo o responsável, as eleições europeias foram um “aquecimento” para as legislativas que vão acontecer em outubro, e o atual primeiro-ministro vai com um avanço.

Ainda assim, Mário Frota não concede que os resultados obtidos nas eleições europeias sejam transponíveis de forma tão linear para as eleições legislativas. Acredita que a taxa de abstenção nas eleições para o PE pode ser sinónimo de votantes à direita em outubro.

Mário Frota aproveitou ainda para ponderar sobre um dos pontos que, considera, foi determinante para a definição do voto dos portugueses: a cobertura mediática. Aqui teceu críticas aos média portugueses que deram voz aos “partidos grandes” e ostracizaram os “pequenos partidos”, que não tiveram a mesma igualdade.

A novidade da noite eleitoral foi a nomeação de um deputado pelo PAN que se vê representado, pela primeira vez, no PE. Para Mário Frota, o resultado não é fruto de um voto de protesto, mas sim fruto de uma circunstância decisiva, com temas atualmente importantes para a sociedade portuguesa.

Durante o Alvorada houve espaço para a rubrica Foyer que se debruça sobre a programação cultural do Teatro Académico Gil Vicente (TAGV), na voz de Rita Ferreira

Pode ouvir o comentário à atualidade na íntegra aqui:

Cátia Soares

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2019-12-06T05:59:29+00:00
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