23/05/19

DG/AAC rejeita associação com protestantes à porta das Letras

Presidente e vice-presidente da Direção Geral da Associação Académica de Coimbra (DG/AAC), Daniel Azenha e João Assunção, subiram ao ponto alto da cidade universitária de Coimbra no fim da tarde do dia 17 de maio e estiveram com dois dos estudantes em greve à porta Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra (FLUC). Regressaram à sede sem acordos, consensos ou indicação de quando vai terminar a iniciativa. “É uma vontade própria, vivemos numa democracia e o espaço é público”, afirmou Daniel Azenha em entrevista à Rádio Universidade de Coimbra.

O presidente da DG/AAC tinha afirmado anteriormente que pretendia contactar com o estudante que iniciou o protesto solitariamente. Assim o fez, ao passar de 54 dias. Sobre o tempo que passou disse: “Não há uma razão em específico, foi o momento que a direção geral achou oportuno” para se dirigir ao ponto de greve. Ao mesmo tempo que considerou o momento oportuno, confessou que “não sabia que a manifestação durava há tantos dias”.


No dia em que completou um mês de greve, e que coincidiu com o dia 25 de Abril, o primeiro estudante grevista foi ao encontro do presidente da associação durante a manifestação que descia a Avenida Sá da Bandeira desde a Praça da República.

Daniel Azenha falou sobre a conversa que teve com os colegas. Afirmou que recebeu dos manifestantes o convite para que a DG/AAC se junte ao protesto onde ele acontece, à porta da Faculdade de Letras. O dirigente estudantil respondeu ao convite enumerando o currículo reivindicativo recente da associação académica.


Daniel Azenha e João Assunção regressaram à rua Padre António Vieira sem indicação ou perspetiva de quando vai terminar a greve ao sistema de ensino que mantém os jovens à porta da FLUC, sem ir às aulas e sem intenção de fazer exames ou pagar propinas. À Rádio Universidade de Coimbra, categoricamente disse: “se a direção geral faz parte da manifestação? Não faz parte da manifestação. Se está atenta? Está atenta. Se os estudantes podem contar com as nossas lutas e com a nossa intenção de ajudar, sem dúvida”.


“Não deixamos nínguém para trás”, “Pede a folha das ausências”, “1068€ (856€) Chamas a isto público?” e “Sonho em aprender, acordo para trabalhar” são algumas das palavras que se podem ler na fachada da FLUC.

O protesto baseia-se no texto do manifesto. As referências à ineficácia da ação da Associação Académica de Coimbra podem encontrar-se em passagens como:


As propinas são um instrumento de discriminação orçamental no acesso à educação. Quem não tem dinheiro para a propina não pode estudar na universidade. E se à direita se biblifica a propina, à esquerda aplaude-se a sua redução, migalha a migalha – à Arminda, ao Chico, à Maria e ao José, que não têm dinheiro nenhum para as pagar, não sei se incomodam mais as rezas para que a propina suba, de um lado, ou a festa por ela passar a ser (só) 856$ no próximo ano, do outro. Propinas que por sinal nem sempre foram uma realidade. As lutas académicas de 69 inspiraram os valores democráticos de Abril que exigiram a extinção da propina, como aconteceu até 93 – tempos em que a Associação Académica de Coimbra era um centro representativo dos estudantes e não um estágio para jovens partidários liberais. […] Ora se aceitamos que a educação, pelos motivos aqui expressos, tem de deixar de ser um negócio, então eu vou deixar de ser cliente. Vem da própria definição de propina a solução para este problema. É recusarmo-nos a paga-la! E isso, é algo que cada um de nós pode fazer.

[…]

Não será o papel de um presidente de uma associação de estudantes, como o da Associação Académica de Coimbra, o de representar os interesses dos estudantes que o elegeram, bem como os dos que não o elegeram […] ?

“a Educação não é só para meninos”

A falta de eficácia é algo que Daniel Azenha rejeita e dá como exemplo a redução da propina máxima para o ensino superior público, aprovada este ano em Assembleia da República. O dirigente acredita que existiu um contributo da AAC para “não deixar cair no esquecimento a importância de reduzir as propinas”. Se tivesse ficado no esquecimento, afirma, “provavelmente não era a propina: era o aumento salarial ou até o aumento das pensões”.

Daniel Azenha entende que na Associação Académica de Coimbra não são necessárias alterações estratégicas e afirma que a direção geral vai continuar a manifestar-se autonomamente segundo o entendimento que têm sobre “as dificuldades nos nossos estudantes”.


Por oposição a um protesto continuado como aquele a que a Universidade de Coimbra assiste, Daniel Azenha acredita que há determinados momentos que são melhores para reivindicar apontando assim para o protesto pontual. Neste momento de campanha para o Parlamento Europeu afirma que qualquer manifestação não terá o retorno pretendido. O dirigente olha para as legislativas como o momento certo para o fazer.


A Direção Geral opta por deixar para outubro. Os grevistas estão a organizar uma petição para a reabertura de discussões sobre o Regime Júridico das Instituições de Ensino Superior (RJIES) e pretendem fazê-la chegar à Assembleia da República.

André Jerónimo

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