21/05/19

Greve à porta da FLUC pode ser “uma primeira pedrada no charco”, afirma Elísio Estanque

Os esforços de protesto e reivindicação dos grevistas que se encontram em frente à Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra (FLUC), já tiveram manifestações de solidariedade e apoio da parte de alguns colegas. Mas não foi apenas dos seus pares que chegou o reconhecimento da existência. A Rádio Universidade de Coimbra (RUC) falou com o sociólogo, professor da Faculdade de Economia da Universidade de Coimbra (FEUC) e investigador do Centro de Estudos Sociais (CES), Elísio Estanque, que também foi visitar o grupo na sexta-feira passada – no fim da tarde do mesmo dia, o presidente e o vice-presidente da Direção Geral da Associação Académica de Coimbra (DG/AAC), Daniel Azenha e João Assunção, estiveram com dois dos estudantes em greve.

Sobre o encontro que tiveram, o docente clarificou que se tratou de uma conversa informal após já ter contactado telefonicamente com um dos grevistas e ter falado do assunto anteriormente na antena da RUC. Revelou Elísio Estanque que tiveram oportunidade de trocar impressões e confessou admiração pela coragem e ousadia dos jovens.

O docente e investigador do CES afirmou que sentiu dos estudantes “uma consciência das dificuldades, mas que há uma vontade” reforçada por manifestações de solidariedade.

O sociólogo indicou que se afiguram dificuldades no caminho destes manifestantes, principalmente durante o período de férias. Apesar dessa previsível hibernação, admitiu que esta pode ser “uma primeira pedrada no charco” que “chame a atenção de alguns setores do corpo estudantil”.

O professor vê nesta iniciativa, por exemplo, uma hipótese de abrir novas discussões sobre a revisão do Regime Jurídico das Instituições do Ensino Superior e a participação dos estudantes nos órgãos das universidades. Elísio Estanque vê na própria forma da expressão das idieas (no manifesto que os jovens distribuem fisicamente e partilham nas redes sociais) uma rutura com o hábito dos últimos anos, e uma possível repercussão no futuro.

“Quando constatamos que há um mar de apatia do ponto de vista cívico, reivindicativo e ativo” estas iniciativas são bem-vindas, sempre “dentro de todo o enquadramento legal de uma democracia”, afirmou ainda o docente da Universidade de Coimbra.

André Jerónimo

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2019-09-22T19:09:00+00:00
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