7/05/19

Dux Veteranorum instigou fitados de História a alterar nome de carro

[Corrigida após um esclarecimento e pedido de retificação pela parte de Matias Correia. Retirado o texto que referenciava o Conselho de Veteranos. Matias Correia esclareceu que atuou “dentro” dos seus “poderes” como Dux Veteranorum]

Segundo o presidente da comissão de carro dos Novos Fitados (2018/2019) do curso de História da Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra (FLUC), Daniel Oliveira, foi o Dux Veteranorum, Matias Correia, que lhes comunicou que se o nome “Alcoholocausto” não fosse retirado, o carro número nove não seria autorizado a sair no Cortejo da Queima das Fitas.

A RUC questionou o Dux Veteranorum da Universidade de Coimbra sobre o assunto. O Dux confirmou que foi ele próprio a comunicar a posição à comissão de carro dos Novos Fitados do curso de História da FLUC, na pessoa de Daniel Oliveira.

No início ao carro dos Novos Fitados de História foi dado o nome de “Alcoholocausto” e a frente de carro ostentava um comboio. A polémica e a indignação surgiu nas redes sociais e em artigos de opinião nos jornais por parte de docentes, estudantes e público em geral.

A possibilidade de comparação das dificuldades dos estudantes e do consumo excessivo de álcool das festas, ao sofrimento de milhões de pessoas dizimadas pelo regime nazi durante a Segunda Grande Guerra fez disparar os protestos contra o nome do carro e a simbologia escolhida.

Lembramos que durante o conflito pelos caminhos de ferro europeus circularam comboios repletos de seres humanos cuja vida se perdeu em trabalhos forçados e assassinatos em massa nos campos de concentração.

Com o número nove, o carro dos Novos Fitados de História desfilou no cortejo, no domingo, sem nome e sem comboio e com várias mensagens de protesto em relação ao futuro das condições de trabalho dos que terminam o Ensino Superior. A RUC falou ontem à tarde com o presidente da comissão de carro dos Novos Fitados do curso de História da FLUC, Daniel Oliveira, que nos contou o que se passou durante o cortejo.

Parte dos protestos na comunidade académica levou mesmo a uma petição pública para que o nome fosse alterado criada por Miguel Monteiro e Teresa Nunes, estudantes de doutoramento e de mestrado em Estudos Clássicos da FLUC. Em comunicado tornado público os estudantes apelaram à manifestação no dia do cortejo em frente à Biblioteca Geral da UC. Esta não se materializou em confronto.

A RUC confirmou com os estudantes a ação desenvolvida. Miguel Monteiro explica que não tendo sido identificados no carro alegórico em questão, “nem nome, nem iconografia relativos à Shoá” desmobilizaram, uma vez que os objetivos a que se propunham tinham sido cumpridos.

Daniel Oliveira revela que o próprio diretor da FLUC, José Pedro Paiva conversou com ele e do que percebeu terá ficado esclarecido do que o carro pretendia representar.

Perguntámos a Daniel Oliveira se a comissão dos Novos Fitados de História da FLUC tinha sido contactada pelos colegas de Estudos Clássicos da FLUC. Daniel Oliveira respondeu que para além do diretor da FLUC apenas uma docente da Faculdade de Psicologia e de Ciências da Educação os abordou para perceber as razões do nome e da alegoria do carro.

Teresa Nunes, um dos elementos promotor da petição, reafirmou que “tentaram muitas vezes entrar em contacto com o presidente da comissão de carro ou com alguém que representasse aquele grupo de estudantes e a sua proposta”. Adianta mesmo que foi a primeira tentativa. Apesar de deixarem mensagem na página do facebook do carro afirma que não obtiveram resposta.

O presidente da comissão do carro dos Novos Fitados da FLUC falou ainda do decorrer do resto do desfile depois de lhes terem permitido a saída.

Teresa Nunes, uma das responsáveis pela petição, considerou que apesar de não existirem temas tabu existem formas de expressar o humor que “aumentam o sofrimento e marginalizam”. Afirma que fica em choque por ver alunos de História sem consciência de que “o problema não é o assunto mas a forma com que se dá testemunho do assunto”.

Daniel Oliveira afirmou, a título pessoal, que apenas se arrepende da forma como a comissão do carro geriu a polémica. Quanto ao tema continua a pensar que não foi “incorreto”.

A comissão de carro dos Novos Fitados de História (2018/2019) tem na página do facebook um texto produzido por Fernando Pimenta, membro da comissão de carro de História 2018/2019 em que o estudante expressa o seu ponto de vista da polémica.

Isabel Simões, André Jerónimo e Rui Rodrigues
Fotografias: Isabel Simões

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