2/05/19

Há mais um jovem em protesto à porta da faculdade e “a Educação não é só para meninos” continua em distribuição

“Quero ir às aulas mas a propina não se paga sozinha”, uma das frases de protesto que se vêm no espaço da Faculdade de Letras

Um mês e quatro dias depois, juntou-se outro jovem ao protesto solitário que um aluno da Universidade de Coimbra (UC) iniciou à porta da Faculdade de Letras. Na segunda-feira passada, dia 29 de abril, a Rádio Universidade de Coimbra (RUC) falou com os dois colegas ao fim do dia: ouviu as razões de um para ter aderido (‘CE’) e a descrição da conversa que o primeiro (‘AN’) teve com o presidente da Direção Geral da Associação Académica de Coimbra (DG/AAC) durante a manifestação do 25 de Abril.

A ação contínua de protesto tem como base as reflexões descritas no manifesto “a Educação não é só para meninos”. No documento – que teve uma atualização aquando do alcance das 100 horas de greve – estão redigidas preocupações e reivindicações relativas ao sistema de ensino público português, além de serem apontadas responsabilidades à Associação Académica de Coimbra pela ineficácia e inércia que sucessivamente demonstrou perante aquilo que é entendido como um recuo em muitos direitos dos jovens portugueses. ‘CE’ referiu que não se sente representado na estrutura estudantil de Coimbra e deu isso como motivo para se juntar a ‘AN’.

‘AN’ disse estar “muito satisfeito” por ter um colega empenhado na mesma “causa muito nobre” e afirmou certeza de que muitos outros jovens com quem já conversou estão de acordo com as motivações que ali os conduziram. Ao microfone da RUC disse que o mês que esteve em protesto sozinho valeu a pena.

Poucos dias depois do protesto ter começado, a 27 de março, a Rádio Universidade de Coimbra entrevistou o presidente da Direção Geral da Associação Académica de Coimbra (DG/AAC) a propósito de existir um estudante a fazer uma greve às aulas e de estar ativamente a ser distribuído um manifesto que refere a ineficiência da AAC na defesa do ensino superior público nos últimos 25 anos. O presidente da DG, Daniel Azenha, falou do assunto e disse que ia procurar o estudante em causa, conhecer as suas motivações e “demover” o mesmo de prosseguir com o protesto.

No dia em que completou um mês de greve, e que coincidiu com o dia 25 de Abril, o estudante, foi ao encontro do presidente durante a manifestação que descia a Avenida Sá da Bandeira desde a Praça da República. Contou o estudante a conversa que teve como o presidente da AAC.

Sobre o manifesto que estão a distribuir ‘CE’ disse concordar com o seu conteúdo e também admitiu vir a contribuir para o completar. Uma das intenções que manifestou foi a de abordar a situação dos estudantes que trabalham como forma de financiar o pagamento a frequência do ensino superior. À RUC, descreveu alguns dos pontos que considera mais relevantes do manifesto na sua forma atual e resumiu as reivindicações.

“Não deixamos nínguém para trás”, “Pede a folha das ausências”, “1068€ (856€) Chamas a isto público?” e “Sonho em aprender, acordo para trabalhar” são algumas das palavras que se podem ler na fachada da FLUC.

‘CE’ referiu concretizações imediatas e lutas de longo prazo. Na opinião do jovem, qualquer uma tem importância todas obrigam a um forte comprometimento. Foi precisamente essa a razão que apresentou para ter chegado mais tarde, um mês depois.

Os nomes dos jovens que estão no espaço da Faculdade de Letras da UC estão aqui a ser escritos de forma cifrada e em nenhum momento foram referidos na frequência 107.9FM da Rádio Universidade de Coimbra. Foram os próprios a não autorizar a divulgação do nome nos órgãos de comunicação. O jovem que iniciou a distribuição do manifesto declarou que não está de forma alguma em anonimato: está no mesmo sítio todos os dias de aulas, há mais de um mês.

A Rádio Universidade de Coimbra enviou no dia no dia 12 de Abril um conjunto de perguntas à Direção Geral da Associação Académica de Coimbra com o objetivo de saber se já tinham sido efetuadas ações no sentido de contactar com o estudante em greve. Até ao momento não obtivemos resposta.

André jerónimo

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