17/04/19

50 anos depois, pediu-se a palavra outra vez

Fotografia: Tiago Oliva

50 anos depois do dia 17 de abril de 1969, a Associação Académica de Coimbra (AAC), a Câmara Municipal de Coimbra (CMC) e a Universidade de Coimbra (UC) juntaram-se para a organização de um programa comemorativo, que contou com a presença do presidente da Direção-Geral da AAC da altura, Alberto Martins.

17 de Abril de 1969 foi a data escolhida para a inauguração do auditório no do Departamento de Matemática da UC. Em 1969, nos discursos oficiais, com a presença de Marcelo Caetano, Alberto Martins pediu a palavra. A autorização foi-lhe negada e com este gesto o regime ditatorial dava, assim, início à Crise Académica de 1969.

Hoje, foi com casa cheia que Alberto Martins relembrou a geração de 69 que ainda se junta para recordar o contexto que viveu. Ao público, Alberto Martins destaca as principais características da luta estudantil.

À saída do evento, já nas Escadas Monumentais, o presidente da CMC, Manuel Machado, destaca as alterações sofridas na sociedade, iniciadas na Crise Académica de 1969

O programa de hoje, para além da cerimónia no Departamento de Matemática, incluía a inauguração de uma escultura de Carlos Ramos, ao fundo das escadas monumentais. A escultura representa seis flores, que foram um símbolo da luta académica. Calos Ramos explicou à RUC o que o motivou a executar a obra.

Fotografia: Tiago Oliva

A crise académica conseguiu iniciar um movimento sem retrocesso, com impacto em todas as áreas da sociedade. O reitor da UC, Amílcar Falcão, refere que a energia impulsionadora da comunidade estudantil conseguiu criar como alavanca para a mudança.

Sentia-se no ar uma energia muito própria da comunidade universitária, carregada de vontade de mudança. Hoje, o presidente da Mesa da Assembleia Magna de 1969, Décio Sousa, pediu a palavra. Sem estar prevista a sua intervenção, trouxe à memória de todos a emoção vivida há 50 anos atrás. Décio Sousa explica a base da sua motivação pessoal para poder intervir desta forma.

No final da inauguração da escultura, foi descerrada a placa evocativa dos 50 anos da Crise Académica, na sede da AAC, na Padre António Vieira.

Foi assim que, esta manhã, se comemoraram os 50 anos do 17 de abril de 1969.

Tiago Oliva

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