16/04/19

50 anos do dia que marcou o início da crise de 69

Alberto Martins

O dia 17 de abril marcou o início da crise académica de 1969. A Direção Geral da Associação Académica de Coimbra (DG/AAC) está a preparar vários eventos para assinalar o dia. Pelas 11h00 ocorre a cerimónia evocativa dos 50 Anos da Crise Académica na Sala 17 de Abril do Departamento de Matemática da UC.

No dia 17 de abril de 1969, teve lugar a inauguração do edifício das Matemáticas, pelo presidente da república, Américo Thomaz. Os estudantes pretendiam intervir durante o evento e o presidente da DG da altura, Alberto Martins, pediu a palavra, mas não lhe foi concedida. Alberto Martins relembra esse momento de “grande tensão” perante as autoridades do regime.

Como conta o antigo presidente da DG/AAC, Américo Thomaz responde ao seu pedido “de forma ambígua” e dá a palavra ao ministro das obras públicas. Alberto Martins confessa que ficou na dúvida se viria a falar durante a sessão e continuou a “arquitetar mentalmente o seu discurso”. No entanto, após a intervenção do ministro da educação, José Hermano Saraiva, o chefe de Estado dá a sessão por terminada e sai. Perante a revolta dos estudantes, o ex-presidente explica como acabou por discursar.

Alberto Martins conta sobre que temas pretendia ter falado, caso Américo Thomaz lhe tivesse dado a palavra.

O escritor Celso Cruzeiro, elemento da DG/AAC da altura e um dos protagonistas do movimento, explica que a direção geral reuniu na noite anterior e decidiu que Alberto Martins iria pedir a palavra. Foi ele quem comunicou aos estudantes que se encontravam na AAC de manhã as intenções da DG. Relembra a reação dos estudantes, perante a notícia.

Para Celso Cruzeiro, era importante que o representante dos estudantes falasse, tal como os dirigentes políticos, as autoridades religiosas e militares, visto que a ocasião se tratava da inauguração de um edifício da universidade. Conta o papel que teve no dia 17 de abril.

Amanhã, pelas 12h30 é apresentado o conjunto escultórico “Peço a Palavra!”, da autoria de Carlos Ramos, junto às Escadas Monumentais.

Pelas 12h45, tem lugar o descerrar da placa evocativa dos 50 Anos da Crise Académica, no Edifício da Associação Académica de Coimbra (AAC). Às 16h00 é lançado o CD e livro “José Afonso ao vivo”, investigação de Adelino Gomes, no Salão Nobre dos Paços do Município de Coimbra. A Real República Corsários das Ilhas acolhe ainda a pintura de caricaturas da Crise Académica de 69.

As celebrações dos 50 anos da crise de 1969 tiveram tiveram início hoje, com o concerto da banda UHF em tributo a José Afonso, no Convento São Francisco. Terminam a 6 de Outubro com o Cortejo da Festa das latas e Imposição de Insígnias.

Os vários eventos resultam de uma parcerida da DG/AAC com a Universidade de Coimbra (UC), a Câmara Municipal de Coimbra (CMC), a Fundação Inatel e o Turismo do Centro.

Sara Santos Pinto

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